Conferência em São Paulo reunirá educadores para discutir aprendizagem, tecnologia, formação docente e o papel da escola diante das transformações atuais
A velocidade das transformações tecnológicas e sociais recoloca uma questão central para a educação: o que as escolas precisam preservar enquanto mudam suas formas de ensinar? A educação centrada no ser humano estará no centro do New School of Thought Institute 2026 (NSTI 2026), conferência que reunirá educadores, gestores escolares e profissionais de inovação entre 5 e 7 de novembro, em São Paulo.
Promovido pela Avenues São Paulo, o NSTI chega à edição de 2026 com uma proposta que desloca o debate sobre o futuro da aprendizagem. Em vez de tratar tecnologia como resposta isolada, a conferência pretende discutir conhecimentos, competências, relações e propósito na formação de crianças e jovens.
O movimento ocorre em um contexto no qual a inteligência artificial já interfere em práticas pedagógicas, processos de aprendizagem e decisões das escolas. Para gestores, o desafio passa a ser menos escolher entre adotar ou restringir tecnologias e mais definir como essas ferramentas podem contribuir para objetivos educacionais claros.
A programação também parte de uma premissa relevante para as lideranças escolares: mudanças educacionais não dependem apenas de novas ferramentas. Elas exigem formação de professores, revisão de práticas, compreensão do comportamento estudantil e espaços para que diferentes profissionais analisem problemas comuns.
“Estamos vivendo um período de transformações profundas. Muitas das questões que educadores enfrentam hoje não possuem respostas simples”, disse Tim McNamara, head of Secondary Division da Avenues São Paulo. Para ele, a mudança exige que as escolas reflitam continuamente sobre o que importa para a aprendizagem e o desenvolvimento humano.
Educação centrada no ser humano enfrenta os efeitos da tecnologia
Nos dias 5 e 6 de novembro, os participantes serão organizados em grupos de acordo com interesses e desafios profissionais. A proposta é concentrar a experiência em um único tema, permitindo aprofundamento, troca de práticas e construção coletiva de conhecimento.
Entre os assuntos previstos estão aprendizagem baseada em projetos, comportamento e engajamento dos estudantes, desenvolvimento de educadores em início de carreira e uso da inteligência artificial. O recorte aproxima questões que muitas vezes aparecem separadas nas discussões sobre inovação educacional.
A presença da inteligência artificial ganha importância justamente por esse motivo. A tecnologia pode ampliar possibilidades de aprendizagem, mas também exige que escolas definam critérios para seu uso, preparem professores e preservem a autonomia intelectual dos estudantes.
Essa discussão também muda o papel da liderança escolar. Mais do que acompanhar tendências, gestores precisam avaliar quais tecnologias respondem a necessidades reais, quais competências devem orientar sua utilização e que condições docentes sustentam essas mudanças.
Para McNamara, a relação entre tecnologia e educação não precisa partir de uma escolha excludente. “Acreditamos que o futuro da educação não está em escolher entre tecnologia e humanidade, mas em compreender como a tecnologia pode potencializar a aprendizagem sem perder de vista aquilo que nos torna humanos”, afirmou.



Escola precisa transformar informação em aprendizagem
A programação do dia 7 de novembro ampliará a discussão com mais de 20 workshops voltados a diferentes áreas da educação. A proposta é aproximar reflexão e prática, permitindo que os participantes confrontem ideias com situações encontradas no cotidiano escolar.
Esse formato também responde a uma dificuldade recorrente para gestores: transformar tendências educacionais em decisões aplicáveis. Conhecer uma metodologia ou uma ferramenta, isoladamente, pouco altera a escola quando faltam planejamento, formação e clareza sobre os resultados esperados.
O NSTI foi criado em 2020 e se consolidou como espaço de encontro entre profissionais de diferentes contextos educacionais. Na edição de 2026, a conferência pretende manter essa característica ao combinar experiências imersivas, discussões em grupo e workshops.
A escolha por experiências prolongadas, em vez de uma sequência de palestras desconectadas, coloca a aprendizagem entre pares no centro da programação. Para as escolas, esse modelo pode ser especialmente relevante em um cenário no qual problemas complexos exigem decisões construídas coletivamente.
“A educação não se resume à transmissão de informações”, afirmou Tim McNamara. Segundo o educador, a escola precisa criar espaços para formular perguntas relevantes, questionar pressupostos, considerar diferentes perspectivas e construir novas possibilidades.
A educação centrada no ser humano, nesse contexto, não significa afastar a tecnologia da escola. Significa estabelecer critérios para que inovação, inteligência artificial e novas práticas estejam subordinadas a uma finalidade educacional mais ampla. Para gestores, essa perspectiva desloca a discussão da novidade tecnológica para uma pergunta mais decisiva: que tipo de aprendizagem e de desenvolvimento a escola pretende produzir?










