Quarta edição do International Education Summit debate educação global, currículo, IA, equidade, formação e futuro da escola nos dias 10 e 11 de setembro
A educação global chega a setembro em um estágio diferente daquele em que costumava aparecer no debate escolar brasileiro. Intercâmbios, ensino bilíngue e parcerias internacionais continuam fazendo parte desse universo, mas já não explicam sozinhos o que está em jogo. Currículo, formação docente, inteligência artificial, equidade, orientação acadêmica e gestão passaram a integrar a discussão sobre como preparar estudantes para um mundo mais conectado.
Nas últimas semanas, o tema avançou por diferentes frentes. O currículo global e as competências internacionais ganharam espaço. A internacionalização também passou a integrar a estratégia institucional e o debate sobre transformações curriculares na educação básica brasileira. Agora, às vésperas da quarta edição do International Education Summit 2026, essas questões chegam a dois dias de programação voltados a diferentes atores do setor.
O encontro acontece nos dias 10 e 11 de setembro, no Centro Paula Souza, em São Paulo, com keynotes, painéis, conversas com especialistas, espaços de soluções e laboratórios. A programação percorre currículo, equidade, tecnologia, inteligência artificial, bilinguismo, orientação acadêmica, experiências extracurriculares e gestão.
Para Lara Crivelaro, CEO da Efígie Academy, idealizadora do evento e colunista do educador21 na Coluna Educação Global, o Summit acompanha uma mudança na posição das escolas diante da internacionalização. “Nas edições anteriores, o Summit apresentava a internacionalização às escolas. Hoje, elas já entendem que não podem ficar fora desse debate e que currículo, gestão, tecnologia e formação precisam estar articulados para gerar resultados reais”, destacou.
A questão, portanto, deixou de ser apenas se a escola deve olhar para fora. O desafio agora é incorporar essa perspectiva sem transformá-la em uma camada adicional da rotina escolar.
A agenda global muda o que a escola precisa ensinar
A transformação tecnológica acrescenta urgência a essa discussão. George R. Stein, doutor em Educação, fundador da Pedagog.IA, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e colunista do educador21 na coluna Transformação Continuada, avalia esse impacto na educação.
“O acesso instantâneo à informação, já proporcionado pela internet, foi exponencialmente potencializado pela Inteligência Artificial Generativa. Isso torna o conhecimento global quase universalmente acessível”, ressaltou Stein. O desafio, segundo o especialista, passa a ser transformar informação em conhecimento e desenvolver critérios para avaliar conteúdos. Essa mudança também pressiona a formação docente.
Professores precisam mediar uma realidade moldada por redes sociais, plataformas digitais e conteúdos globais. Ao mesmo tempo, os processos tradicionais de formação ainda não respondem plenamente a esse cenário. “Quando o mundo entra na sala de aula sem pedir licença, os docentes precisam estar preparados para perceber e mediar essa nova realidade. Infelizmente, a formação inicial dos professores já não dá conta de desenvolver as atitudes e habilidades necessárias para dialogar com esses alunos”, pontuou Stein.
Nesse contexto, a internacionalização deixa de significar apenas preparação para estudar no exterior. Um currículo com perspectiva global também precisa desenvolver repertório cultural, pensamento crítico e capacidade de lidar com diferentes contextos. A programação do Summit traduz essa ampliação, com debates sobre internacionalização curricular, competências globais, equidade e inteligência artificial.
Educação global exige uma visão de sistema
A programação reúne diferentes atores porque a internacionalização ultrapassa as responsabilidades da escola. Universidades, poder público e organizações internacionais também participam desse processo. Cada um atua na definição de oportunidades ou na construção das conexões que sustentam essa agenda.
Para Lara Crivelaro, essa articulação é necessária para evitar iniciativas fragmentadas e aproximar internacionalização, currículo e gestão. “Internacionalização é um problema de sistema, não de escola isolada. A educação básica prepara o aluno, o ensino superior define os critérios de admissão, o poder público estabelece as políticas que viabilizam ou restringem esse movimento, e as organizações internacionais operam os programas que conectam esses dois pontos”, ressaltou.
Essa visão aparece na programação, que combina currículo global, equidade, inteligência artificial, bilinguismo, experiências internacionais e gestão. O evento também inclui laboratórios voltados à aplicação prática. Para Stein, o desafio está em transformar o diagnóstico em novas formas de organização. “Se, por um lado, já temos alguma clareza sobre o que deve ser feito, o como fazer ainda é uma grande incógnita”, afirmou o especialista.
A quarta edição do Summit chega, assim, menos como apresentação de uma tendência e mais como espaço para discutir escolhas concretas. Entre elas estão currículos com perspectiva global, acesso mais equitativo às experiências internacionais e novas estruturas diante das transformações tecnológicas. Nesse cenário, a educação global exige decisões articuladas entre currículo, gestão, formação e cultura escolar. O educador21 estará presente nos dois dias do evento, acompanhando os debates e os principais temas da programação.










