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Evento reuniu especialistas para discutir como internacionalização, tecnologia, experiências e diversidade podem ampliar a formação oferecida pelas escolas

A educação global foi amplamente discutida no evento Educador Global BH, realizado no dia 2 de setembro. O mote foi uma questão que ultrapassa intercâmbios e ensino de idiomas: como preparar estudantes para viver e atuar em uma sociedade marcada por diferentes culturas, informações e formas de pensar. Ao longo da programação, especialistas relacionaram o tema a currículo, tecnologia, experiências extracurriculares e participação social.

A principal palestra foi conduzida por Luciane Stallivieri, professora do Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e coordenadora da linha de pesquisa em Internacionalização do Instituto de Pesquisas e Estudos em Administração Universitária (Inpeau). A especialista questionou uma visão baseada em números de intercâmbios, convênios e estudantes estrangeiros e propôs colocar as pessoas no centro da internacionalização.

“Eu quero priorizar pessoas, relacionamentos, valores éticos. Que a internacionalização estabeleça conexões significativas, que o seu aluno possa interagir com culturas diferentes e estabelecer conexões que vão ser para o resto da vida”, exemplificou a especialista durante sua palestra.

A perspectiva dialogou com outros debates da programação, que abordaram diferentes maneiras de transformar uma visão global em experiências concretas de aprendizagem. Gestão, inteligência artificial, voluntariado, educação bilíngue e relação com as famílias apareceram como dimensões de uma mesma discussão sobre formação.

Para os gestores, o debate desloca a pergunta de qual programa internacional oferecer para qual formação a escola pretende construir. Isso exige analisar currículo, experiências e recursos disponíveis antes de adotar novas soluções. Também coloca a identidade institucional no centro das decisões.

Foto: educador21

Palestra Luciane Stallivieri

Educação global amplia currículo e experiências

Luciane defendeu que a internacionalização alcance todos os estudantes, e não apenas aqueles que podem viajar ou já dominam outros idiomas. A escola pode criar conexões internacionais dentro de sua própria estrutura, incorporando diferentes perspectivas culturais a projetos e disciplinas. Nesse modelo, o idioma funciona como meio para ampliar relações e repertórios.

“O objetivo não é a língua. O objetivo é usar a língua como uma ferramenta para você ser um cidadão global, multicultural, intercultural, que tem respeito pela diferença do outro”, afirmou a pesquisadora.

A discussão também alcançou as experiências extracurriculares. Lara Crivelaro, CEO da Efígie Academy, abordou a concentração da avaliação dos estudantes em provas e processos seletivos e chamou atenção para projetos, esporte e voluntariado como parte da trajetória formativa.

“Eu passo 12 anos na escola e, desses 12 anos, dois finais de semana da minha vida vão decidir meu próximo rumo. E o que eu fiz nesses 12 anos? Meus trabalhos voluntários, o esporte, os projetos?”, questionou a idealizadora do evento e colunista de Educação Global no educador21.

Carlos Alberto de Freitas Junior, integrante do Conselho Diretor do Colégio Santa Doroteia, apresentou uma experiência de voluntariado realizada em parceria com o Instituto ELA, acompanhada por Kátira Coelho, coordenadora do Voluntariado Educacional do Colégio Santa Doroteia. Em uma das ações, estudantes participaram de uma iniciativa relacionada à distribuição de absorventes para uma escola pública.

“Quando elas entenderam o porquê, quando elas entenderam o impacto que aquilo tinha na vida de outras meninas, aquilo passou a fazer sentido”, relatou Carlos. A experiência mostrou como uma situação concreta pode transformar uma atividade social em oportunidade de aprendizagem e participação.

A internacionalização, nesse sentido, não precisa significar a criação de uma estrutura paralela ao currículo. Projetos entre estudantes de diferentes países, experiências de voluntariado e atividades que aproximem os alunos de outras realidades podem desenvolver repertório cultural, colaboração e responsabilidade social dentro da própria rotina escolar.

Tecnologia e famílias ampliam desafios da gestão

A tecnologia apareceu no evento como parte de uma discussão maior sobre estratégia institucional. Raul Ishikawa, profissional de desenvolvimento de negócios e parcerias da Nuvem Mestra, alertou para o risco de escolas adotarem ferramentas de maneira fragmentada. “Cada um vai comprando uma ferramenta para resolver um problema”, afirmou.

Para Raul, as escolhas precisam partir de objetivos claros e considerar gestão, aprendizagem e formação das equipes. A inteligência artificial também entrou nesse debate, enquanto Daniela Andrada, CEO da Eduinfo, destacou outra pressão crescente sobre as escolas: “As famílias estão pedindo evidência de progresso”.

Gabriel Lobo, representante da Lumni Educação, apresentou dados segundo os quais 55% das famílias levam mais de seis meses para decidir uma escola e 58% não perceberam diferenças significativas entre instituições visitadas. Os números reforçam que propostas de internacionalização, bilinguismo e inovação precisam aparecer na experiência concreta e nos resultados percebidos.

Essa transformação exige preservar a identidade institucional enquanto a escola responde a novos desafios. Zuleica Reis Ávila, diretora administrativa do Colégio Santa Dorotéia, anfitrião do evento, resumiu essa relação: “A tradição não está na resistência à mudança, mas na fidelidade aos valores que sustentam a missão da instituição.”

O desafio, portanto, não está em incorporar novidades de forma contínua, mas em definir quais mudanças respondem às necessidades da comunidade escolar e ao projeto pedagógico. Para a gestão, isso significa avaliar cada escolha pela capacidade de produzir efeitos concretos na formação dos estudantes e de manter coerência com a identidade da instituição.


Nota da Redação: Viajamos a Belo Horizonte a convite da Efígie Academy. As coberturas especiais do educador21 contam com o apoio da Samsung, que disponibilizou para nossa equipe o uso de tablets nas reportagens em campo. A parceria envolve exclusivamente a cessão de equipamentos, e não interfere na independência editorial do portal.

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