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Missão da Explore reúne lideranças brasileiras na Estônia, Finlândia e Dinamarca para investigar práticas escolares, políticas públicas e aprendizagem pelo brincar

A formação de professores, a autonomia dos estudantes e o uso da inteligência artificial estão entre os temas que mobilizam sistemas educacionais de referência internacional. Para investigar como essas escolhas se traduzem nas escolas, a Explore promove a Missão Nórdica 2026, uma experiência internacional voltada a lideranças brasileiras da educação, com visitas técnicas e encontros na Estônia, Finlândia e Dinamarca.

Realizada entre 9 e 24 de outubro, a programação percorreu Tallinn, Helsinque, Copenhague e Billund, com 15 visitas técnicas e 12 experiências culturais. A agenda conectou escolas, universidades, centros de pesquisa, instituições públicas e organizações de tecnologia educacional para discutir como políticas, práticas pedagógicas e ambientes de aprendizagem influenciam a experiência dos estudantes.

A proposta da iniciativa foi examinar não apenas os resultados desses sistemas, mas também os fundamentos que sustentam suas práticas. Formação docente, confiança, bem-estar, leitura e autonomia aparecem ao lado de questões sobre transformação digital e inteligência artificial, em um momento em que a presença crescente dessas tecnologias desafia escolas e redes a conciliar inovação e aprendizagem consistente.

A missão também buscou aproximar referências internacionais das decisões tomadas no Brasil. A proposta é ampliar o repertório de gestores e lideranças por meio do contato com experiências concretas e da troca entre participantes, sem pressupor que modelos desenvolvidos em outros países possam ser simplesmente reproduzidos em contextos educacionais diferentes.

Inteligência artificial exige formação e intencionalidade pedagógica

Na Estônia, a agenda incluiu referências de governo digital e uma conversa com Ivo Visak, CEO do AI Leap, sobre inteligência artificial na educação. Na Finlândia, a Code School Finland, com Kaisu Pallaskallio, integrou a programação dedicada ao letramento em IA e à formação de professores. Em Billund, a LEGO Education aproximou programação e inteligência artificial de atividades de investigação e criação.

O conjunto de experiências coloca em discussão uma questão central para as redes de ensino: preparar estudantes para compreender, avaliar e criar com tecnologias digitais, em vez de restringir a aprendizagem ao domínio operacional de ferramentas. Essa abordagem também exige que professores tenham formação e condições para incorporar os recursos às propostas pedagógicas com objetivos claros.

A agenda incluiu, ainda, encontros com pesquisadores e instituições ligados à produção de conhecimento e à formulação de políticas educacionais. Entre eles estão a Universidade de Copenhague, a agência nacional de educação da Finlândia (Edufi) e o pesquisador Morten Misfeldt, em discussões sobre educação digital, inteligência artificial e evidências de aprendizagem.

A aproximação entre pesquisa, políticas públicas e prática escolar busca ampliar a compreensão sobre como os sistemas apoiam os professores e avaliam quais experiências podem ser fortalecidas. Para a gestão educacional, essa articulação importa porque a adoção de tecnologias, por si só, não garante melhores resultados: é necessário acompanhar seus efeitos sobre o ensino e a aprendizagem.

Autonomia, formação docente e brincar na experiência escolar

As visitas às escolas permitiram observar como princípios educacionais se materializam no cotidiano. Na Estônia, a Pelgulinna Kool apresenta referências de aprendizagem profunda, autonomia estudantil e colaboração entre professores. Na Finlândia, a Ressu Comprehensive School aproxima currículo nacional, investigação e integração entre disciplinas.

Em Copenhague, a Ørestad Gymnasium oferece referências para discutir a relação entre arquitetura, participação dos estudantes e escolhas pedagógicas. A programação buscou compreender como formação docente, avaliação e liderança escolar contribuem para sustentar práticas que articulam aprendizagem e bem-estar.

Em Billund, cidade associada à origem da LEGO, a criatividade e a aprendizagem pelo brincar ganham espaço. A agenda incluiu a LEGO House, a LEGO Education e uma escola internacional que trabalha com a abordagem Pedagogy of Play. As experiências permitiram discutir como escolha, descoberta e experimentação podem contribuir para objetivos acadêmicos, resolução de problemas e desenvolvimento de habilidades, com mediação docente.

A programação cultural também integrou a proposta. Em Helsinque, a biblioteca Oodi amplia a discussão sobre acesso ao conhecimento e espaços de aprendizagem para além da escola. O contato com diferentes contextos urbanos e culturais ajuda a examinar como ambientes, instituições e políticas se relacionam com a educação.

Missões internacionais conectam repertório e decisões no Brasil

Criada por Guilherme Rodrigues Alves, fundador da Explore e responsável pelo licenciamento da metodologia de Aprendizagem Criativa para a Pearson, a iniciativa contou com coordenação e organização de Lígia Costa, pesquisadora e autora cuja atuação contribui para as reflexões sobre bem-estar, relações e desenvolvimento socioemocional.

A Missão Nórdica dá continuidade às experiências internacionais promovidas pela Explore desde 2024, incluindo participações no SXSW EDU, em Austin, e duas edições da Missão Ásia, em 2025 e 2026, com agendas na China e na Coreia do Sul. Enquanto as experiências anteriores abordaram transformação educacional e implementação da inteligência artificial, a agenda nórdica investigou os fundamentos pedagógicos e institucionais associados às práticas de ensino.

“Nosso propósito é conectar a educação brasileira às principais referências internacionais, compreender os fundamentos que sustentam sistemas educacionais consistentes e transformar esses aprendizados em repertório para decisões e projetos aplicáveis à nossa realidade”, afirmou Guilherme Rodrigues Alves.

A missão reuniu lideranças brasileiras em um grupo de aprendizagem entre pares. Após a experiência, os participantes passam a integrar a rede de mais de 200 alumni da Explore, que mantém conexões e trocas profissionais para além das viagens.

O desafio, para as lideranças educacionais, é transformar as observações em decisões coerentes com as necessidades das escolas brasileiras. Formação docente, uso responsável da inteligência artificial, autonomia e ambientes de aprendizagem são dimensões que exigem análise contextualizada, acompanhamento e escolhas pedagógicas consistentes.

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