Skip to main content

Ferramenta de conversação da EF usa IA na aprendizagem de inglês para personalizar avaliação e apoiar estudantes da rede pública

A ampliação do acesso ao inglês continua sendo um dos maiores desafios educacionais do país. E, agora, um novo capítulo se abre com a chegada de tecnologias baseadas em inteligência artificial (IA) às redes públicas de ensino. Em um movimento que combina escala, personalização e inovação pedagógica, a EF anunciou que disponibilizará sua ferramenta de conversação por voz com IA para 4 milhões de estudantes de escolas estaduais no Brasil e também da República Dominicana.

A iniciativa alcançará alunos de 11 a 17 anos e seus professores nos estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Rondônia. Trata-se de uma das maiores implementações de IA educacional já realizadas em redes públicas da América Latina, marcando um avanço na integração de tecnologias de linguagem ao currículo escolar.

A expansão ocorre em um contexto de baixa proficiência nacional. O Índice de Proficiência em Inglês 2024 da própria EF posiciona o Brasil na 81ª colocação entre 116 países. A dificuldade não é nova, mas ganha contornos mais urgentes diante das demandas do mercado global e da centralidade do inglês em ambientes digitais e científicos.

Nesse cenário, ferramentas baseadas em IA surgem como alternativa para ampliar oportunidades de prática real de conversação — algo historicamente restrito a cursos particulares. A proposta da EF é aproximar alunos da rede pública de um treino linguístico contínuo, personalizado e acessível, dentro e fora da sala de aula. Ao combinar análise automatizada, simulações temáticas e feedback imediato, a tecnologia se integra ao cotidiano escolar sem pretensão de substituir a mediação humana.

Para redes estaduais que já utilizam computadores e tablets com regularidade, o uso de IA para conversação representa um passo adicional na construção de ecossistemas digitais de aprendizagem, aproximando estudantes de experiências antes limitadas a ambientes privados.

IA na aprendizagem de inglês ganha escala inédita na rede pública

A ferramenta AI Conversations, desenvolvida pela Efekta Education — braço tecnológico da EF —, foi projetada inicialmente para treinar funcionários de grandes companhias ao redor do mundo. Agora, chega à educação básica com um conjunto robusto de recursos: mais de 2,2 mil simulações de diálogo, análise de desempenho a cada interação e sugestão automática de materiais de apoio.

O diferencial, segundo a empresa, está na capacidade de oferecer feedback personalizado em tempo real. “O objetivo não é substituir, e sim ampliar o papel do professor”, explicou Eduardo Santos, vice-presidente sênior da Efekta e diretor-geral da EF na América Latina. O executivo destacou que a IA permite avaliações mais assertivas e práticas individuais que podem acelerar o progresso do aluno.

A proposta dialoga com redes que buscam fortalecer a aprendizagem de inglês com práticas contínuas e criteriosas, especialmente em regiões onde há escassez de professores especializados. Ao permitir uso dentro e fora da escola, a tecnologia amplia o tempo de exposição ao idioma, um dos fatores mais determinantes para o ganho de fluência.

Para professores, a ferramenta funciona como apoio adicional ao planejamento e à observação de dificuldades específicas, contribuindo para intervenções pedagógicas mais rápidas e precisas — sobretudo em turmas numerosas e heterogêneas.

Fotos: Divulgação

Tecnologia se integra ao currículo e apoia o ensino presencial

A EF reforça que a incorporação da IA ao ensino de inglês deve ocorrer de forma integrada, respeitando o currículo existente. O uso da ferramenta durante o horário regular de aulas foi pensado para evitar rupturas bruscas e fortalecer a participação do professor na mediação das atividades.

Nos últimos anos, a empresa expandiu sua metodologia digital, incorporando recursos que tornam o aprendizado mais interativo e escalável. A chegada da IA reforça esse movimento ao criar oportunidades para que cada aluno avance conforme seu ritmo e receba devolutivas específicas sobre vocabulário, fluência e pronúncia.

Para Stephen Hodges, CEO da Efekta, a combinação de IA e currículo estruturado amplia as condições de sucesso na aprendizagem. Hodges afirmou que a proposta é oferecer suporte escalável e acessível: a tecnologia funciona como extensão do trabalho docente, e não como substituto.

Ao ser incorporada às redes estaduais, a ferramenta pode contribuir para reduzir desigualdades históricas no acesso ao inglês. Isso possibilit, ampliar a prática linguística cotidiana e fortalecer a autonomia do estudante diante de ferramentas digitais que já fazem parte do seu mundo fora da escola — da cultura global às profissões emergentes.

Compartilhe: