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Instituições de ensino ampliam o uso de inteligência artificial para personalizar jornadas, acelerar atendimentos e apoiar processos de matrícula

As aplicações de inteligência artificial nas instituições de ensino avançam para além da sala de aula e passam a ocupar um espaço crescente nas estratégias de relacionamento com estudantes. O uso de agentes de IA na educação tem ampliado a capacidade das organizações de personalizar atendimentos, responder dúvidas em tempo real e acompanhar diferentes etapas da jornada dos candidatos.

A tendência acompanha uma transformação mais ampla observada em diversos setores da economia. Com o aumento do volume de interações digitais, escolas, universidades e grupos educacionais buscam formas de oferecer experiências mais rápidas e personalizadas sem comprometer a qualidade do atendimento.

Nesse contexto, a inteligência artificial conversacional surge como uma alternativa para automatizar tarefas operacionais e permitir que equipes humanas concentrem esforços em atividades mais estratégicas. A proposta não é substituir profissionais, mas reorganizar fluxos de trabalho e ampliar a capacidade de atendimento das instituições.

O movimento ganha força em um momento em que a experiência do estudante passa a influenciar diretamente indicadores de atração, retenção e permanência. Para muitas organizações educacionais, a jornada digital tornou-se parte relevante da percepção de qualidade construída pelos alunos.

Um exemplo desse avanço vem da Vitru Educação. O grupo reúne mais de 900 mil estudantes e implementou um agente de inteligência artificial para apoiar processos de captação, qualificação e conversão de novos alunos.

Agentes de IA na educação ampliam personalização da jornada

Desenvolvida pela Blip, com apoio da Skeps, a solução denominada SofIA passou a atuar em canais como WhatsApp, Instagram e Messenger. O sistema conduz o estudante desde o primeiro contato, realizando a qualificação do perfil, sugerindo cursos e encaminhando o processo de inscrição de forma integrada aos sistemas da instituição.

Segundo Patrícia Carneiro, diretora de Negócios da Blip, a inteligência conversacional tem ampliado seu papel dentro das organizações. “A SofIA mostra como a inteligência conversacional pode deixar de ser apenas um canal de atendimento para se tornar uma alavanca estratégica de conversão e crescimento. Ao integrar IA conversacional, dados e sistemas em uma jornada contínua, conseguimos apoiar a Vitru na construção de uma operação mais escalável, eficiente e orientada à experiência do aluno”, disse.

A proposta reflete uma mudança observada em diferentes segmentos educacionais. Em vez de utilizar a tecnologia apenas para responder perguntas frequentes, as instituições começam a integrar agentes inteligentes a processos mais complexos, conectando informações acadêmicas, administrativas e comerciais.

Essa evolução permite oferecer experiências mais personalizadas e reduzir etapas burocráticas que frequentemente geram abandono ao longo da jornada de matrícula. A integração de dados também favorece o acompanhamento mais preciso das interações e das necessidades dos estudantes.

Foto: Vitru

Eficiência operacional redefine estratégias institucionais

Os resultados obtidos pela Vitru indicam o potencial dessas soluções para operações educacionais de grande escala. Segundo a companhia, o agente de IA alcançou conversão de 24% dos leads sem intervenção humana e contribuiu para um aumento adicional de 5% na conversão da equipe comercial.

A instituição também registrou aumento de nove vezes na eficiência operacional, além da redução de 90,2% no tempo médio de resposta e de 89% no tempo médio de atendimento. Outro indicador apontado pela empresa foi o crescimento de 2% na aprovação de pagamentos em um período de seis meses.

Para Alberto Cataldi, diretor de Gestão de Canais da Vitru Educação, a iniciativa representa uma mudança estrutural na relação com candidatos e estudantes. “Nossa ambição é transformar o WhatsApp no principal canal de relacionamento com candidatos e alunos. A experiência com a Blip validou uma etapa fundamental ao integrar a jornada de consulta de débitos à finalização no aplicativo. Com isso, ganhamos visão real da rentabilidade dos investimentos e consolidamos uma atuação focada em performance”, explicou.

Gabriel Chagas, Head de MarTech & Advanced Analytics da Vitru Educação, destaca que a integração dos dados passou a oferecer uma visão mais ampla da operação. “Hoje, temos total transparência, desde a qualificação do candidato até a mensalidade do aluno. Isso nos dá segurança para ampliar investimentos com o mesmo rigor de performance utilizado nos canais tradicionais”, afirmou.

Embora o caso esteja ligado à educação superior, ele sinaliza um movimento que tende a alcançar diferentes segmentos educacionais. À medida que as instituições ampliam sua transformação digital, os agentes de IA na educação passam a assumir funções cada vez mais estratégicas, contribuindo para personalizar experiências, otimizar processos e fortalecer o relacionamento com estudantes em um cenário cada vez mais conectado e orientado por dados.

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