GEduc 2026 mostra como liderança, inclusão e inovação pedagógica transformam a aprendizagem nas instituições
O segundo dia do GEduc 2026 colocou a aprendizagem no centro do debate ao articular gestão, inclusão e inovação pedagógica em diferentes trilhas do evento. Realizado em 26 de março, o encontro reuniu lideranças educacionais em torno de um diagnóstico convergente: não há transformação consistente sem revisão estrutural de práticas, processos e cultura institucional. As discussões evidenciaram a necessidade de redesenhar a forma como a escola opera — da liderança à sala de aula.
Distribuídas entre o Fórum de Líderes Educacionais, o Fórum da Educação Especial e Inclusão e o Fórum da Educação Profissional, as apresentações reforçaram que inovação só gera impacto quando altera a lógica da aprendizagem. Ao incorporar também o debate do Fórum de Saúde Mental, o evento ampliou a compreensão de que o desenvolvimento do estudante envolve dimensões cognitivas, emocionais e sociais, exigindo respostas mais integradas das instituições. Nesse cenário, ganha força a ideia de que aprendizagem não é resultado de iniciativas isoladas, mas de ecossistemas organizados com intencionalidade.
Ao longo do dia, gestores, especialistas e pesquisadores apontaram que o desafio atual está menos em inovar pontualmente e mais em sustentar mudanças que gerem impacto real na aprendizagem. Isso implica rever tanto o papel da liderança — cada vez mais orientada por dados, contexto e cultura — quanto as estratégias de acompanhamento dos estudantes, especialmente diante de perfis diversos e trajetórias não lineares. A convergência entre esses elementos revela um movimento de transição: sair de modelos padronizados para abordagens mais flexíveis, adaptativas e centradas no estudante.

Inclusão e inovação pedagógica avançam com foco na aprendizagem
A conexão entre inclusão e inovação pedagógica ganhou expressão prática com a apresentação de Ludimila Rocha, do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), ao detalhar o modelo de adaptação acadêmica voltado a estudantes neurodiversos no ensino superior. A proposta rompe com a centralidade do laudo como ponto de partida e estabelece um processo contínuo de mapeamento, acolhimento e desenvolvimento individual, no qual o estudante é protagonista da construção de sua trajetória acadêmica.
“O laudo pode até ser necessário em alguns contextos, mas o autoconhecimento precisa vir antes. Quando o professor entende o funcionamento cognitivo diferente, ele deixa o julgamento e passa a construir estratégias com o aluno”, afirmou Ludimila no Fórum da Educação Especial e Inclusão.
O modelo inclui acolhimento inicial, elaboração de um plano de desenvolvimento individual, adaptações progressivas e acompanhamento recorrente, com ajustes ao longo do percurso conforme a evolução do estudante. A lógica não é padronizar intervenções, mas construir caminhos possíveis a partir da observação e da escuta ativa, especialmente no primeiro semestre, entendido como um período estratégico de diagnóstico e construção conjunta.
“Se eu entrego um plano pronto sem conhecer o aluno, a chance de errar é enorme. O primeiro semestre é de observação e construção conjunta. É isso que sustenta os resultados depois”, destacou.
Entre os recursos adotados estão ambientes controlados para avaliação, suporte sensorial, flexibilização de tempo e monitoria individual. No entanto, essas estratégias são tratadas como instrumentos transitórios, com foco no desenvolvimento da autonomia e na preparação do estudante para contextos mais amplos, incluindo o mercado de trabalho. A experiência aponta que a inclusão efetiva depende menos da oferta de recursos isolados e mais da consistência do processo.
No Fórum da Educação Profissional, Luciano Meira, da Proz Educação, trouxe uma reflexão estruturante ao debate ao questionar o uso superficial da tecnologia na educação. Para ele, a inovação só se sustenta quando está ancorada em mudanças pedagógicas capazes de transformar comportamentos e culturas de aprendizagem. “Inovação não é tecnologia. É uma novidade sustentável que muda comportamento. Se você só digitaliza um processo que já não funciona, você potencializa o problema”, afirmou.
A proposta apresentada desloca o foco da ferramenta para a arquitetura pedagógica, com ensino organizado a partir de resolução de problemas, uso intensivo de dados e integração da inteligência artificial aos processos educacionais. Nesse contexto, o professor assume um papel mais complexo, como designer de experiências de aprendizagem e mediador de processos que exigem pensamento crítico, tomada de decisão e construção de sentido.
“O professor deixa de ser transmissor de conteúdo e passa a ser designer de experiências de aprendizagem. A avaliação precisa sair da reprodução e ir para aplicação e resolução de problemas”, explicou Meira.


Liderança e cultura redefinem a gestão escolar
No Fórum de Líderes Educacionais, a discussão sobre aprendizagem avançou a partir da perspectiva da gestão, com foco na relação entre liderança, cultura e tomada de decisão. Jones Brandão, da Arco Educação, destacou que o papel do gestor exige cada vez mais a capacidade de interpretar contextos e reconhecer a diversidade de perfis dentro da escola, superando modelos homogêneos de gestão.
“Tratar todos de forma igual quando existem perfis diferentes não gera bons resultados. Liderar é entender contextos, interesses e dores para tomar decisões mais assertivas”, afirmou.
Ao abordar o impacto das transformações tecnológicas e do mundo do trabalho, Brandão reforçou a necessidade de ampliar repertórios como condição para uma aprendizagem mais qualificada. Segundo ele, formar estudantes capazes de questionar e interpretar a realidade depende diretamente da capacidade da escola de expandir referências culturais e cognitivas.
“Se queremos formar pessoas capazes de fazer boas perguntas, precisamos ampliar repertórios. Sem isso, não há pensamento crítico nem uso qualificado da tecnologia.”
Na mesma linha, Roberta Bento e Taís Bento, do SOS Educação, trouxeram a dimensão cultural e emocional da liderança como elemento central para a construção de ambientes de aprendizagem mais consistentes. A abordagem destaca a necessidade de romper com modelos baseados em controle e previsibilidade, avançando para relações pautadas em confiança, escuta e construção coletiva.
“Acabou o tempo do gestor que precisa ter todas as respostas. A liderança do presente exige vulnerabilidade e disposição para construir caminhos junto com a equipe”, afirmou Roberta. “O feedback olha para o passado. O que transforma a escola são as perguntas sobre o futuro: o que podemos fazer melhor da próxima vez?”, destacou Taís.
Ao enfatizar a coragem como competência essencial da liderança contemporânea, as especialistas reforçam que a transformação da aprendizagem passa, inevitavelmente, pela transformação da cultura organizacional. “A coragem é contagiosa. Quando o líder constrói relações de confiança, a excelência deixa de ser meta e passa a ser prática cotidiana”, afirmou Roberta Bento.
Ao conectar inclusão, inovação e liderança, o GEduc 2026 evidencia que a aprendizagem na educação só se transforma de forma consistente quando há intencionalidade, estrutura e evolução cultural — com o estudante no centro e o professor como agente estratégico desse processo. O educador21, apoiador e parceiro de produção de conteúdo do GEduc, acompanha o congresso de perto até sexta-feira, dia 27. As matérias estão reunidas no Hub de Coberturas.










