Neurociência, educação e inteligência artificial estarão no centro dos debates do Congresso SinepeRio 2026 sobre como recuperar o foco dos estudantes e fortalecer a aprendizagem
A atenção nunca foi tão disputada dentro e fora da escola. Celulares, redes sociais, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial passaram a competir com professores, livros e atividades pedagógicas pela concentração dos estudantes. O cenário desafia educadores a compreender não apenas o que ensinar, mas também como criar condições para que a aprendizagem aconteça em um ambiente marcado por estímulos permanentes.
A discussão vai além do uso das tecnologias em sala de aula. Pesquisas nas áreas de neurociência, psicologia e educação apontam que o excesso de estímulos interfere na concentração, na memória, na capacidade de autorregulação e na construção de conhecimentos mais aprofundados. O desafio não está na presença da tecnologia, mas na forma como ela influencia processos cognitivos e relações estabelecidas no ambiente escolar.
Esse movimento já influencia práticas pedagógicas, programas de formação docente e decisões de gestão. Escolas de diferentes perfis buscam estratégias capazes de fortalecer o engajamento dos estudantes sem abrir mão das possibilidades oferecidas pelos recursos digitais. O foco deixa de estar apenas no controle das ferramentas e passa a envolver a criação de experiências de aprendizagem mais significativas.
Para Pedro Flexa Ribeiro, educador, diretor do Colégio Andrews e vice-presidente do SinepeRio, a disputa pela atenção transformou profundamente a rotina das escolas. “Desde a popularização dos smartphones, convivemos com gerações cuja leitura de mundo passou a ser fortemente influenciada pelos algoritmos. Hoje o professor compete com sistemas desenhados para capturar a atenção do estudante. Depois da pandemia, percebemos que o maior desafio já não era apenas acadêmico, mas também emocional e relacional.”
A programação do Congresso SinepeRio 2026 reflete essa mudança de perspectiva. O tema da atenção atravessa diferentes palestras e painéis, com especialistas em neurociência, aprendizagem, inteligência artificial e inovação pedagógica discutindo caminhos para que as escolas respondam a uma das principais questões da educação contemporânea: como ensinar em uma sociedade que disputa a atenção a todo instante.
Atenção na aprendizagem conecta diferentes áreas do conhecimento
Embora abordem perspectivas distintas, diversas palestras do Congresso dialogam diretamente com o desafio de recuperar a atenção dos estudantes. A concentração deixou de ser um tema restrito à neurociência e passou a influenciar decisões pedagógicas, estratégias de ensino e o uso das tecnologias na escola.
Flexa explica que esse foi um dos motivos para o tema ocupar posição central na programação do Congresso. “Não é mais possível discutir aprendizagem sem discutir, ao mesmo tempo, atenção. Os participantes encontrarão um debate que não trata a inteligência artificial como vilã nem como solução mágica, mas como uma ferramenta que precisa ser utilizada de forma responsável para preservar o pensamento crítico e o processo de aprendizagem.”
Na Plenária Magna do dia 21 de agosto, a neurocientista Carla Tieppo abrirá esse debate com a palestra “Ensinar na Era da Distração: o desafio da atenção na Educação”, analisando como o cérebro aprende em ambientes repletos de estímulos e quais práticas favorecem uma aprendizagem mais consistente. No dia 22, o educador e pesquisador José Moran, fundador do Projeto Escola do Futuro da USP, apresentará a palestra “Educar na Era da Distração: como reconquistar a atenção dos alunos”, defendendo metodologias capazes de ampliar o protagonismo estudantil e o envolvimento com o processo de aprendizagem.
A programação também amplia a discussão sobre os fatores que influenciam a concentração. A fonoaudióloga, psicopedagoga e coordenadora da equipe multidisciplinar do Hospital Dia Infantil do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP, Telma Pantano, discutirá as relações entre desenvolvimento cerebral, aprendizagem e inteligência artificial na palestra “Cérebro, Aprendizagem e Inteligência Artificial”. Já a pesquisadora Andrea Fernandes abordará o funcionamento do cérebro diante das notificações e dos estímulos digitais em “Entre Notificações e Aprendizagem: O Cérebro na Era da Distração”.
O debate incorpora ainda a dimensão tecnológica. O especialista em inteligência artificial e educação Patrick Moreno apresentará experiências sobre o uso da inteligência artificial para personalizar percursos de aprendizagem e favorecer o foco dos estudantes. Já a educadora e criadora do canal @seligaprof, Emilly Fidelix, defenderá o conceito de “atenção construída”, destacando o papel do professor no planejamento de experiências capazes de desenvolver concentração, autonomia e participação ativa dos alunos.
Recuperar o foco exige novas estratégias pedagógicas
A diversidade de abordagens mostra que recuperar a atenção dos estudantes não depende de uma solução única. Neurociência, inteligência artificial, metodologias ativas e planejamento pedagógico aparecem como componentes complementares de um mesmo desafio, que exige das escolas respostas cada vez mais articuladas.
Esse cenário reforça a necessidade de ampliar a formação continuada de professores e gestores. Compreender como crianças e adolescentes aprendem em uma realidade marcada pela hiperconectividade tornou-se uma competência estratégica para instituições que buscam alinhar inovação, desenvolvimento humano e resultados de aprendizagem.
Na avaliação do vice-presidente do SinepeRio, esse processo exige critérios claros para a incorporação das tecnologias ao cotidiano escolar. “As escolas precisam olhar para seus referenciais pedagógicos para não se perderem diante de tantas inovações. A escola do futuro não é a que rejeita a tecnologia, mas a que sabe, com discernimento, quando inseri-la. Também é essencial respeitar a idade e o estágio de desenvolvimento de crianças e adolescentes, introduzindo recursos como a inteligência artificial sempre com a mediação do professor”, disse Pedro Flexa Ribeiro.
As discussões previstas no Congresso SinepeRio 2026 indicam que a atenção deixou de ser tratada apenas como uma habilidade individual dos estudantes. O tema passou a influenciar decisões pedagógicas, a organização das experiências de aprendizagem e as estratégias utilizadas pelas escolas para formar alunos mais críticos, participativos e preparados para aprender ao longo da vida. A programação completa do evento já está disponível para consulta.
Congresso SinepeRio 2026 retoma grande encontro da educação
O Congresso SinepeRio 2026 será realizado nos dias 21 e 22 de agosto, no Hotel Windsor Oceânico, na Barra da Tijuca. As inscrições permanecem abertas. A programação inclui palestras, painéis simultâneos, exposição de patrocinadores e espaços de relacionamento com empresas e instituições do setor.
A atenção tornou-se um dos temas centrais da educação contemporânea porque atravessa discussões sobre aprendizagem, tecnologia e desenvolvimento humano. Compreender como os estudantes aprendem passou a ser tão estratégico quanto definir o que ensinar, e esse desafio deve orientar parte importante dos debates do Congresso SinepeRio 2026.
O Congresso também incorporará o tradicional Evento de Matrículas, que passa a integrar oficialmente a programação, com debates sobre aspectos econômicos, jurídicos e estratégicos relacionados às campanhas de rematrícula e captação de novos estudantes para 2027. Paralelamente, o encontro sediará a cerimônia de premiação do Concurso de Redação SinepeRio 2026, que tem como tema “Relacionamento no Ambiente Escolar – aprender, conviver e crescer juntos”.
Promovido pelo Sindicato dos Estabelecimentos de Educação Básica do Município do Rio de Janeiro (SinepeRio), o Congresso marca a retomada do principal encontro da entidade após sete anos, reforçando seu papel como espaço de formação continuada e atualização para educadores fluminenses. O educador21 é parceiro de produção de conteúdo do evento e fará a cobertura jornalística dos dois dias de programação, acompanhando os principais debates, entrevistas e tendências que devem influenciar a educação nos próximos anos.










