Skip to main content

Missão UK e delegação brasileira da Bett ampliam presença no evento, com IA, gestão e inovação escolar no centro das decisões

A Bett UK 2026 voltou a transformar Londres em ponto de convergência para governos, empresas e lideranças escolares interessadas em compreender como decisões tomadas hoje impactarão os sistemas educacionais nos próximos anos. Ao longo de três dias, o evento reuniu debates sobre políticas públicas, inovação pedagógica e transformação digital, num cenário em que tecnologia e educação se tornam agendas cada vez mais interdependentes e estratégicas para países e redes de ensino.

Nesta edição, a presença brasileira ganhou dimensão inédita. A delegação organizada pela Bett Brasil reuniu cerca de 300 educadores do país, enquanto a Missão UK 2026, coordenada pela Efígie Academy, levou outros 80 gestores e lideranças escolares para uma agenda estruturada de visitas técnicas e leitura estratégica do evento, ampliando significativamente a circulação brasileira nos pavilhões e nos principais fóruns de discussão da feira.

Mais do que acompanhar lançamentos, os grupos circularam com o objetivo de compreender como indústria tecnológica, políticas educacionais e práticas escolares disputam os rumos da inovação pedagógica, especialmente diante do avanço acelerado da inteligência artificial nas escolas. A feira deixou claro que a discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a ser também institucional, regulatória e estratégica para sistemas de ensino.

A instalação do primeiro estande totalmente brasileiro na Bett UK marcou simbolicamente essa mudança de postura. Liderado pelo Edify Education, o espaço tornou-se ponto de encontro e articulação para educadores interessados em traduzir tendências globais em decisões aplicáveis à realidade das escolas brasileiras.

Presença brasileira na Bett UK consolida articulação estratégica para gestores escolares

A Bett UK 2026 evidenciou uma mudança qualitativa na forma como educadores brasileiros se inserem no debate educacional internacional. Longe de atuarem apenas como visitantes em busca de novidades tecnológicas, integrantes das delegações passam a ocupar o evento como espaço de leitura estratégica, troca qualificada e articulação entre tendências globais e decisões concretas de gestão escolar.

Nesse contexto, o estande do Edify funcionou como ponto permanente de convergência para gestores e lideranças pedagógicas interessados em transformar observação em análise e análise em decisões aplicáveis às escolas brasileiras. Bernardo Paiva, co-CEO do Edify destacou a experiência inédita do lounge na Bett.

“O Edify está inovando como a primeira empresa brasileira a ter um hub na Bett UK, mas que não tem só troca de conhecimento e networking: também tem aconchego, cafezinho, brigadeiro, pão de queijo e muito carinho enquanto os educadores brasileiros aproveitam a experiência enriquecedora em Londres”, disse o executivo.

Ao longo dos dias de evento, o espaço favoreceu encontros espontâneos e conversas estruturadas entre educadores, permitindo que participantes compartilhassem percepções sobre soluções apresentadas e avaliassem coletivamente quais experiências poderiam ser traduzidas em inovação sustentável dentro das realidades escolares do país.

Entre gestores brasileiros, tornou-se recorrente a percepção de que muitas soluções sofisticadas ainda se distanciam do cotidiano das escolas, especialmente no setor público. O desafio estratégico, portanto, deixa de ser apenas acompanhar tendências e passa a envolver capacidade crítica para selecionar, adaptar e sustentar iniciativas que gerem impacto real na aprendizagem e na gestão institucional.

A própria Missão UK 2026 reforçou essa leitura ao combinar visitas a escolas britânicas e participação estruturada na Bett. A experiência mostrou que missões educacionais passam a integrar estratégias institucionais de atualização e tomada de decisão, ampliando repertórios e ajudando lideranças a compreender como políticas públicas, tecnologia e gestão escolar se articulam para sustentar inovação educacional em larga escala e no longo prazo.

Seviana Navarro, do Colégio RDS Swiss Park, em Campinas (SP), ressaltou que a o que viu da educação britânica saltou aos seus olhos quase como um choque cultural. “Vi muita coisa, anotei muita coisa, fotografei muita coisa. Volto para Campinas cheia de ideias e querendo implementar muitas tecnologias que conheci na Bett”, afirmou.

Inteligência artificial e tecnologia educacional entram no centro das decisões de gestão

A Bett UK 2026 deixou evidente que a inteligência artificial ultrapassou o campo das projeções futuristas e passou a integrar, de forma definitiva, a agenda decisória da educação. Desde a abertura do evento, a tecnologia apareceu associada a escolhas que afetam currículo, modelos de formação docente, gestão escolar e políticas públicas, exigindo das lideranças educacionais posicionamentos institucionais claros e estrategicamente orientados.

Esse movimento ganhou força no discurso da secretária de Educação do Reino Unido, que tratou a IA como transformação estrutural comparável às grandes inflexões históricas da educação. Ao mesmo tempo, reforçou limites inegociáveis relacionados à preservação do papel docente, proteção de dados, segurança digital e bem-estar de crianças e jovens. A mensagem foi direta para gestores: a adoção da tecnologia não pode ocorrer sem regulação, critérios éticos e propósito pedagógico explícito.

Nesse cenário, inovação deixa de ser sinônimo de velocidade e passa a significar governança e responsabilidade institucional. Essa leitura se conectou ao que foi observado nos pavilhões da feira, onde a inteligência artificial apareceu integrada a ecossistemas controláveis, associados à segurança de dados, administração centralizada e apoio ao trabalho docente, e não como solução autônoma ou substitutiva.

Para gestores brasileiros, o aprendizado ultrapassa a escolha de ferramentas específicas. A adoção de inteligência artificial e de novas plataformas passa a depender de planejamento estratégico, regulação adequada e clareza de propósito pedagógico. Tecnologia educacional deixa, assim, de ser apenas aquisição de dispositivos e passa a envolver decisões estruturais de longo prazo, capazes de sustentar práticas pedagógicas, gestão eficiente e inovação consistente nas escolas.

O educador21 viajou com a Missão UK26 a convite da Efígie Academy e com o apoio do Edify.

Compartilhe: