Em três meses, evento no ExCeL London reunirá educadores, gestores, especialistas e empresas para discutir os rumos da inovação educacional
A três meses da abertura, a Bett UK 2027 já apresenta os primeiros sinais de uma agenda que deve mobilizar escolas, universidades, governos e empresas de tecnologia educacional. O evento acontece de 20 a 22 de janeiro, no ExCeL London, e reunirá participantes de diferentes países para discutir tecnologias, políticas e práticas capazes de transformar a educação. A organização estima mais de 37 mil integrantes da comunidade educacional, 700 empresas expositoras e 400 palestrantes de 130 países.
A dimensão do encontro ajuda a explicar por que a Bett UK funciona como um espaço de observação para lideranças educacionais. A feira combina exposição de soluções, apresentações de especialistas, demonstrações práticas e discussões sobre políticas públicas, gestão e aprendizagem. Para educadores brasileiros, acompanhar essa programação pode ajudar a separar tendências com potencial pedagógico de novidades que ainda precisam provar seu valor na escola.
A edição de 2027 também chega com uma agenda menos concentrada na apresentação de ferramentas isoladas. Os primeiros conteúdos divulgados pela organização articulam inteligência artificial, liderança, inclusão, participação dos estudantes, desenvolvimento profissional e transformação institucional. No palco principal, The Arena, estão previstos debates sobre IA e liderança, enquanto outros espaços aprofundam ensino e aprendizagem, ensino superior, políticas educacionais e educação inclusiva.
Esse desenho interessa especialmente aos gestores porque desloca parte da atenção da compra de tecnologia para as condições necessárias para incorporá-la. Currículo, formação, governança, avaliação, acessibilidade e segurança digital aparecem associados à inovação. A pergunta para quem acompanha a Bett UK 2027, portanto, não é apenas o que estará disponível no pavilhão, mas quais problemas educacionais essas soluções pretendem resolver.
Bett UK 2027 amplia espaço para IA, inclusão e gestão
Um dos nomes confirmados para a programação é o professor Michael Wooldridge, professor de Fundamentos da Inteligência Artificial da Universidade de Oxford. Ele participará do The Arena, palco central da Bett, em uma sessão dedicada ao futuro da educação e da IA. A programação inicial também reúne lideranças educacionais e especialistas em tecnologia, privacidade, liderança e inovação.
A agenda já divulgada mostra que a inteligência artificial atravessará diferentes áreas do evento. Entre as sessões anunciadas estão discussões sobre liderança consciente dos vieses na era da IA generativa, desenho de currículos apoiados por inteligência artificial e formação de estudantes para o uso criativo e crítico dessas ferramentas. O debate também chega ao ensino superior, com temas como aprendizagem resiliente à IA e redesenho de avaliação.
A inclusão terá espaço próprio na programação. O SEND Theatre reunirá discussões sobre neurodiversidade, acessibilidade, comunicação, comportamento e uso de IA para ampliar a participação de estudantes. A organização também prevê o SEND Village, área dedicada a soluções e práticas voltadas a estudantes com necessidades educacionais específicas e deficiências.
Outro ponto de atenção está na relação entre tecnologia e gestão. A programação inclui espaços para demonstrações práticas, discussões entre pares e debates sobre políticas educacionais. TableTalks, por exemplo, reúne profissionais de escolas, universidades e governos em mesas organizadas por temas de interesse, enquanto o Tech in Action apresenta produtos e aplicações em situações próximas da realidade escolar.
O que a Bett UK 2027 pode mostrar ao Brasil
Para educadores e gestores brasileiros, acompanhar a Bett UK 2027 pode ser uma oportunidade de observar como outros sistemas educacionais estão respondendo a desafios que também chegaram às escolas brasileiras. IA generativa, formação docente, inclusão, segurança de dados, avaliação e bem-estar profissional não são questões restritas a um único país.
O valor dessa observação está também na possibilidade de comparar problemas antes de comparar produtos. Uma plataforma apresentada em Londres pode atender a uma necessidade específica de determinado sistema educacional e exigir adaptações para funcionar em outra realidade. Por isso, compreender contexto, evidências de uso e condições de implementação é tão importante quanto conhecer a tecnologia.
A própria programação da Bett sinaliza essa preocupação. O evento prevê mais de 100 horas de conteúdo com acreditação para desenvolvimento profissional e reúne discussões que vão da sala de aula à formulação de políticas. Para professores, isso amplia a feira para além da exposição comercial; para gestores, cria oportunidades de observar decisões institucionais associadas à tecnologia.
Em janeiro, a Bett UK 2027 deverá funcionar, assim, como um grande observatório das transformações em curso na educação. Para quem estiver no ExCeL London, a questão central será identificar quais ideias podem atravessar fronteiras e quais precisam ser reinterpretadas antes de chegar às escolas brasileiras.










