Memorando entre os ministérios da Educação dos dois países amplia cooperação em inteligência artificial, transformação digital, formação docente, mobilidade acadêmica e compartilhamento de políticas públicas
A inteligência artificial na educação ganhou um novo impulso na agenda internacional do Brasil. O Ministério da Educação (MEC) assinou um memorando de cooperação com o Ministério da Educação da Coreia do Sul para ampliar o trabalho conjunto em transformação digital, inteligência artificial, formação de professores, educação profissional, ensino superior e pesquisa. A iniciativa aproxima o país de uma das maiores referências mundiais no uso educacional de tecnologias digitais e amplia o intercâmbio de políticas públicas voltadas à inovação.
O acordo foi firmado durante a visita oficial do presidente sul-coreano, Lee Jae-Myung, a Brasília, em meados de julho. Além de fortalecer a relação entre os dois sistemas educacionais, o documento estabelece uma agenda permanente de cooperação para compartilhamento de experiências, desenvolvimento de projetos e intercâmbio de especialistas. A expectativa do MEC é acelerar iniciativas relacionadas ao uso responsável da inteligência artificial e ampliar a integração entre tecnologia, aprendizagem e gestão educacional.
A parceria também contempla sistemas de aprendizagem personalizada, ferramentas digitais de apoio a professores, intercâmbio de pesquisadores e desenvolvimento de modelos de governança para ambientes digitais. O memorando amplia ainda as possibilidades de mobilidade acadêmica entre instituições brasileiras e sul-coreanas, fortalecendo uma cooperação que tende a ganhar relevância nos próximos anos.
Coreia inspira nova etapa da transformação digital do Brasil
A Coreia do Sul tornou-se uma referência internacional ao integrar tecnologia e educação de forma estruturada. O país investe há anos em conectividade, cultura digital e formação de estudantes para competências relacionadas à programação, ciência de dados, pensamento computacional e uso crítico da inteligência artificial. Esse modelo desperta interesse de diversos sistemas educacionais que buscam acelerar seus processos de inovação.
Nesse contexto, Brasil e Coreia passam a compartilhar experiências sobre inteligência artificial aplicada ao ensino, gestão de dados educacionais, desenvolvimento de plataformas de aprendizagem personalizada e utilização de ferramentas digitais para apoiar professores e gestores. O memorando também prevê intercâmbio de informações sobre reformas educacionais, políticas públicas e modelos de integração entre sistemas digitais utilizados pelas redes de ensino.
A cooperação contempla ainda ações voltadas ao desenvolvimento profissional de servidores públicos, pesquisadores e docentes, além da participação conjunta em eventos e projetos acadêmicos. A proposta é criar um ambiente permanente de colaboração capaz de acelerar a inovação educacional nos dois países.
Dados e formação entram no centro da parceria
Um dos eixos estratégicos do acordo envolve o compartilhamento de conhecimentos sobre gestão de dados educacionais. A iniciativa dialoga diretamente com a implantação da Infraestrutura Nacional de Dados da Educação (EducaDados), projeto brasileiro que busca integrar informações produzidas pelas diferentes redes de ensino para fortalecer o planejamento e a avaliação das políticas públicas.
A expectativa é que a experiência sul-coreana contribua para aperfeiçoar modelos de governança, interoperabilidade entre sistemas e uso responsável da inteligência artificial na educação. O memorando também prevê intercâmbio sobre monitoramento de indicadores, sistemas de apoio à aprendizagem e ferramentas que auxiliem gestores e professores na tomada de decisões baseada em evidências.
Para o MEC, a transformação digital depende da combinação entre tecnologia, qualidade dos dados e formação contínua dos profissionais da educação. Por isso, a cooperação internacional pretende fortalecer capacidades técnicas e ampliar o desenvolvimento de soluções voltadas tanto à gestão educacional quanto ao trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas.
O memorando também fortalece a cooperação entre Brasil e Coreia do Sul em diferentes etapas da educação. O documento prevê iniciativas conjuntas na educação básica, educação profissional e tecnológica, ensino superior e pesquisa científica, além de incentivar o intercâmbio de estudantes, pesquisadores e professores entre universidades dos dois países.
Outro objetivo é ampliar o ensino da língua portuguesa na Coreia do Sul e incentivar a oferta da língua coreana em escolas brasileiras, fortalecendo as relações acadêmicas e culturais entre as duas nações. Embora a Coreia já participe do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), o MEC avalia que ainda existe espaço para ampliar a mobilidade acadêmica e consolidar uma agenda de cooperação de longo prazo.










