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LiFE foi apresentado durante a Bett Brasil 2026 para ampliar mulheres em cargos estratégicos da educação

A baixa presença feminina nos espaços de decisão da educação brasileira ganhou destaque durante a Bett Brasil 2026. Mesmo sendo maioria absoluta nas salas de aula, as mulheres ainda ocupam uma parcela reduzida dos cargos estratégicos do setor. Foi nesse contexto que a Cogna Educação apresentou o LiFE – Lideranças Femininas em Educação, movimento criado para ampliar a participação feminina na alta liderança educacional e fortalecer redes de colaboração entre executivas, gestoras públicas e especialistas.

A iniciativa foi desenvolvida pela Saber Educação, vertical de negócios de educação básica pública da Cogna, em parceria com a Bett Brasil. O movimento nasce com a proposta de atuar de forma estruturada na redução das desigualdades de gênero dentro do setor educacional. Além da criação de conexões estratégicas entre lideranças femininas, o LiFE pretende incentivar a formação de novas executivas e ampliar a produção de dados voltados ao debate sobre representatividade nos espaços de poder da educação.

Os números ajudam a explicar a urgência da discussão. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as mulheres representam 96% do corpo docente da educação infantil brasileira. Apesar disso, ocupam apenas 23% dos cargos C-level na educação. A disparidade também aparece no mercado de trabalho nacional. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que as mulheres representam 45% da força profissional do país, mas seguem abaixo de 30% das posições de liderança.

No ensino superior, o cenário se repete. Embora as mulheres ocupem quase metade das cadeiras docentes, ainda permanecem minoria nos cargos de reitoria das universidades públicas brasileiras. Para as lideranças envolvidas no LiFE, essa diferença evidencia um problema estrutural: a educação brasileira é sustentada majoritariamente pelo trabalho feminino, mas ainda concentra a tomada de decisão em lideranças masculinas.

Liderança feminina na educação ganha espaço estratégico

O LiFE foi estruturado em três grandes frentes. A primeira envolve a criação de uma rede qualificada de lideranças femininas para troca de experiências e construção de conexões institucionais. A proposta é transformar encontros pontuais em uma articulação contínua entre mulheres que atuam em diferentes áreas da educação, da gestão pública à inovação educacional.

A segunda frente será dedicada ao desenvolvimento de lideranças. O movimento prevê programas de mentoria e aceleração voltados à formação de novas executivas do setor. A proposta é apoiar trajetórias profissionais femininas e ampliar o acesso de mulheres aos espaços estratégicos de decisão. O foco está na construção de lideranças preparadas para enfrentar desafios ligados à inovação, tecnologia, gestão e transformação educacional.

Já o terceiro eixo envolve advocacy e produção de dados. O LiFE pretende gerar indicadores e fortalecer discussões públicas capazes de apoiar políticas institucionais e ações voltadas à equidade de gênero. A intenção é consolidar informações que permitam compreender melhor os obstáculos enfrentados por mulheres em cargos de liderança e estimular mudanças estruturais dentro das organizações educacionais.

Para Flávia Bravin, o movimento surge como uma resposta à necessidade de transformar a estrutura de liderança do setor. “O LiFE nasce com um compromisso institucional de promover mudanças na forma como a liderança educacional é estruturada no Brasil, tornando-a mais diversa, representativa e alinhada aos desafios do setor”, afirmou a head da Saber Educação.

Bett Brasil amplia reflexões sobre diversidade e gestão

A apresentação do LiFE também reforçou uma das tendências observadas ao longo da Bett Brasil 2026: a ampliação das discussões sobre diversidade, inclusão e novas formas de liderança no ambiente educacional. Em meio aos debates sobre inteligência artificial, transformação digital e inovação pedagógica, temas ligados à representatividade passaram a ocupar espaço mais consistente na agenda do setor.

Entre as lideranças que participaram da construção do movimento estão Claudia Valério, Gisele Pinheiro, Fernanda Pacobayba, Betânia Lemos, Débora Garoffalo e Ursula Dias Peres. O grupo reúne representantes da educação pública, inovação, terceiro setor e gestão institucional.

Segundo Claudia Valério, o movimento surgiu a partir das conexões criadas dentro da própria feira. “A Bett Brasil evidencia a potência das conexões entre lideranças femininas na educação pública. O movimento nasce justamente para transformar encontros espontâneos em uma rede estratégica de colaboração”, declarou a diretora da Bett Brasil.

Já Gisele Pinheiro avalia que a iniciativa pode fortalecer ambientes de aprendizagem coletiva entre mulheres da educação. “Me juntei ao LiFE por acreditar que podemos criar um ambiente que funcione como uma sala de aula em sua máxima potência, potencializando conexões e conhecimento compartilhado entre lideranças”, afirmou a diretora no Singularidades.

Ao inserir a liderança feminina no centro da discussão educacional, o LiFE amplia uma reflexão que vai além da representatividade. Em um cenário marcado pela aceleração tecnológica e pela transformação das relações de trabalho, a diversidade nos espaços de decisão tende a se consolidar como parte fundamental da construção de modelos educacionais mais plurais, humanos e conectados às demandas contemporâneas.

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