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Concentrando a maior parte das atividades do evento, o Congresso coloca sala de aula, inovação pedagógica e proteção escolar no centro do debate sobre o futuro da educação

O Congresso de Educação Básica será novamente o principal eixo de discussão da Bett Brasil, consolidando o evento como espaço onde a transformação educacional deixa de ser tendência e volta ao seu ponto mais sensível: a prática escolar. Entre os dias 5 e 8 de maio, no Expo Center Norte, em São Paulo, professores, coordenadores pedagógicos, gestores e especialistas se reúnem para discutir como inovação, cultura digital e proteção estudantil impactam diretamente o cotidiano das escolas.

Com o tema “Inteligências Individuais, Coletivas e Artificiais: todas em nós, agora! Quando elas dialogam, a educação se transforma”, a 31ª edição da Bett Brasil propõe um deslocamento importante. A inteligência artificial deixa de ocupar o lugar de promessa tecnológica isolada e passa a ser tratada dentro de uma engrenagem maior, que envolve formação docente, liderança pedagógica, segurança institucional e revisão profunda dos critérios de aprendizagem.

A diretora de Conteúdo da Bett Brasil, Adriana Martinelli, resume esse movimento ao afirmar que o objetivo não é apenas provocar reflexões, mas oferecer caminhos aplicáveis às escolas. “Em 2026, queremos provocar reflexões profundas, mas sobretudo apresentar caminhos práticos para que a educação avance de forma mais inclusiva, ética e conectada com a realidade das escolas e das redes”, destacou.

Essa proposta se materializa no Congresso de Educação Básica, espaço que reúne formatos mais participativos, como workshops, rodas de conversa, aquários e salas de aula invertidas. A lógica não é apenas ouvir especialistas, mas tensionar decisões que já pressionam o presente: como inovar sem transformar tecnologia em fetiche, como proteger estudantes em um ambiente hiperconectado e como manter o professor no centro da aprendizagem.

As inscrições para a Bett Brasil 2026 permanecem abertas e podem ser feitas no site oficial do evento. O educador21 é parceiro de produção de conteúdo do evento e, por isso, nossos leitores e leitoras têm 10% de desconto na aquisição do seu ingresso. Utilize o código EDUCADORBETT na sua compra. Reunindo nomes como João Branco, Viviane Mosé, Silvio Meira e Karnal, o Congresso amplia o debate sobre aquilo que muitas escolas ainda enfrentam como dilema cotidiano: tecnologia existe, mas inovação real ainda não.

Foto: Bett Brasil

Foto: Bett Brasil

Tecnologia sem mudança de mentalidade não transforma a escola

Para Wellington Cruz, presidente do Instituto Significare, o principal erro ainda está na crença de que inovação pode ser comprada e instalada como infraestrutura. Segundo ele, que vai ministrar o workshop “Por que a tecnologia não resolve sozinha: a virada de mentalidade que destrava a inovação escolar” no dia 5, às 14h30, muitas escolas seguem associando inovação apenas à presença de computadores, plataformas ou internet de alta velocidade, como se isso fosse suficiente para transformar a aprendizagem.

O problema é que, sem intencionalidade pedagógica, a tecnologia apenas acelera velhos processos. “Se as pessoas não estiverem prontas para usar a tecnologia de forma intencional para potencializar o aprendizado, ela simplesmente servirá para tornar mais eficiente o que sempre se fez, resultando em mais do mesmo”, afirmou o educador.

Wellington chama esse fenômeno de gap de inovação pedagógica: quando a escola investe em recursos tecnológicos, mas mantém práticas superficiais e pouco transformadoras. O resultado é uma infraestrutura ociosa ou limitada ao uso básico, como apresentações e pesquisas repetitvas, sem impacto real no desenvolvimento do estudante. Para ele, a virada mais importante não está no equipamento, mas na cultura institucional.

Isso exige revisão do planejamento colaborativo, formação continuada e coragem para que professores deixem de usar a tecnologia apenas como suporte operacional e passem a tratá-la como parceira de pensamento. “O primeiro ajuste é parar de olhar para as máquinas e começar a olhar para as pessoas e os objetivos de aprendizagem”, resumiu.

A fala toca um ponto central da Bett Brasil 2026: a inteligência artificial só produz valor educacional quando subordinada a um projeto pedagógico claro. Sem isso, a inovação se torna apenas discurso de mercado.

A proteção escolar agora também acontece nas telas

Outro eixo que ganha força no Congresso de Educação Básica é a proteção estudantil em tempos de hiperconectividade. A escola já compreendeu que segurança não termina no portão, e o ambiente digital passou a exigir respostas institucionais tão urgentes quanto as medidas físicas tradicionais. Esse será o foco da palestra “Dos muros às telas: o que toda escola precisa fazer agora para proteger quem está dentro dela”, no dia 8, às 13h30, com participação de Leo Gmeiner, cofundador e CEO da School Guardian.

Para ele, o maior erro das instituições ainda está em tratar violência física e digital como problemas separados. Na prática, o bullying atravessa essas fronteiras e cria um ciclo contínuo entre pátios escolares, redes sociais e aplicativos. “O bullying que acontece na escola ganha o mundo e a perpetuidade no ambiente digital, assim como o cyberbullying chega às salas de aula e pátios, num ciclo assustador e infindável”, afirmou.

Gmeiner, que é um dos coautores da Coluna InvestEdu, aqui no portal educador21, destaca que a proibição do uso de celulares pessoais dentro da escola pode ser uma medida importante, mas insuficiente. O desafio real está em educar para o uso consciente da tecnologia e criar sistemas de prevenção capazes de identificar sinais de sofrimento emocional antes que a crise se instale. Ele defende que escolas precisam combinar limitação de acessos, monitoramento responsável e capacidade de leitura pedagógica desses comportamentos.

Mais do que vigiar, trata-se de compreender o que determinadas buscas, conteúdos ou interações revelam sobre a vida emocional do estudante. “Temos de agir de forma efetiva e rápida, pois essa é uma necessidade urgente. Precisamos prevenir essas situações, em vez de remediá-las”, reforçou o especialista. Nesse cenário, a proteção digital deixa de ser apenas pauta tecnológica e passa a integrar a própria cultura escolar. Segurança, pertencimento e bem-estar tornam-se parte da experiência de aprendizagem.

Ao trazer inovação pedagógica e proteção estudantil pra o centro do Congresso de Educação Básica, a Bett Brasil 2026 reforça que o futuro da escola não será decidido apenas por novas ferramentas, mas pela capacidade das instituições de redefinir critérios, fortalecer relações humanas e sustentar uma cultura educacional mais consciente. O debate, no fim, continua sendo sobre aprendizagem — e sobre que tipo de escola queremos construir agora.

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