Programa de aquisições mira startups de educação na América Latina e reforça um novo movimento de consolidação do mercado, com foco em integração de soluções para escolas e redes de ensino
O mercado latino-americano de tecnologia educacional começa a dar sinais de uma nova etapa de maturidade. Depois de um ciclo marcado pela expansão acelerada das startups, seguido pelo chamado “inverno das startups”, empresas rentáveis passam a assumir protagonismo na consolidação do setor. Nesse cenário, a consolidação de edtechs deixa de ser apenas uma estratégia financeira e passa a representar um movimento de fortalecimento dos ecossistemas digitais que atendem escolas, redes de ensino e instituições de educação superior.
É nesse contexto que a Layers, edtech brasileira responsável por um dos maiores ecossistemas educacionais da América Latina, anunciou a criação de um programa estruturado de fusões e aquisições (M&As), com capital dedicado de R$ 5 milhões. Pela primeira vez, a empresa abriu um pipeline público para que startups e empresas do setor educacional possam se candidatar diretamente ao processo de avaliação, ampliando o acesso de empreendedores interessados em integrar suas soluções ao ecossistema da companhia.
O anúncio ocorre em um momento em que o mercado passa a valorizar menos o crescimento acelerado e mais indicadores como sustentabilidade financeira, eficiência operacional e capacidade de integração tecnológica. Para gestores escolares, esse movimento tende a ampliar a oferta de soluções conectadas, reduzindo a fragmentação de plataformas e simplificando processos administrativos, acadêmicos e de relacionamento com famílias.
Segundo Danilo Yoneshige, CEO da Layers, a proposta vai além da aquisição de empresas e busca fortalecer um ambiente colaborativo para inovação educacional. “Mais do que adquirir empresas, queremos fortalecer o ecossistema. Acreditamos que a interoperabilidade entre soluções é o caminho para uma educação mais eficiente, inclusiva e personalizada”, afirmou.
Consolidação de edtechs marca nova fase do mercado
A iniciativa acompanha uma transformação mais ampla do ecossistema latino-americano de startups. Após a retração observada entre 2022 e 2023, provocada pela redução do capital de risco disponível e pela queda nas operações de fusões e aquisições, o setor inicia um novo ciclo baseado em negócios sustentáveis e maior capacidade de execução.
Dados da Distrito mostram que a América Latina reúne atualmente mais de 30 mil startups ativas. O Brasil concentra aproximadamente 80% do capital investido na região, que ultrapassou US$ 20 bilhões entre 2017 e 2025. Ao mesmo tempo, o número de operações relevantes de M&A diminuiu, abrindo espaço para que empresas operacionalmente sólidas liderem processos de consolidação.
A Layers pretende ocupar esse espaço concentrando investimentos em empresas que atuam em três áreas consideradas estratégicas para as instituições de ensino: engajamento escolar, soluções para matrículas, contratos e pagamentos, além da integração entre sistemas acadêmicos, financeiros e plataformas educacionais. O programa contempla negócios voltados à educação infantil, educação básica e ensino superior em toda a América Latina.
A empresa encerrou 2023 em breakeven e opera atualmente com EBITDA superior a 40%. Em 2025, concluiu uma rodada pré-Series A de R$ 21 milhões liderada pela Constellation, destinando parte dos recursos à estruturação do novo programa de aquisições.

Foto: Divulgação / Layers, Danilo Yoneshige e Ivan Seidel
Integração de soluções pode beneficiar a gestão escolar
Para as instituições de ensino, o avanço da consolidação tende a produzir impactos que vão além do ambiente de inovação. A integração entre plataformas reduz retrabalho, melhora o fluxo de informações e facilita a tomada de decisões baseada em dados, um dos principais desafios enfrentados por gestores diante da crescente digitalização das escolas.
Hoje, a Layers atende mais de 9 mil instituições de ensino e cerca de 3,5 milhões de estudantes no Brasil, México e Argentina. A empresa projeta dobrar de tamanho nos próximos dois anos, impulsionada tanto pela expansão internacional quanto pela incorporação de novas soluções ao seu ecossistema digital.
Segundo Danilo Yoneshige, o diferencial está na capacidade de conectar tecnologias que tradicionalmente funcionam de forma isolada. Em vez de ampliar o número de plataformas utilizadas pelas escolas, a estratégia busca criar um ambiente interoperável, no qual diferentes soluções compartilhem informações de maneira integrada, preservando a liberdade de escolha das instituições.
Para gestores educacionais, o movimento representa um indicativo importante sobre os rumos do mercado de tecnologia para educação. Mais do que lançar novas ferramentas, as empresas passam a investir na construção de ecossistemas capazes de integrar serviços, reduzir complexidades operacionais e ampliar a eficiência da gestão escolar. Se essa tendência ganhar escala nos próximos anos, a consolidação de edtechs poderá redefinir a forma como escolas selecionam, implementam e utilizam soluções digitais em seus processos pedagógicos e administrativos.










