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Imersão de gestores na Malásia e na China mostra como observar sistemas educacionais estrangeiros pode ampliar repertórios e qualificar decisões no Brasil

A Missão Ásia 2026 terminou nesta semana, com o retorno ao Brasil dos gestores que percorreram Malásia e China para observar escolas, universidade, empresas de tecnologia e debates internacionais sobre educação. Ao longo da experiência, uma pergunta atravessou visitas e conversas: o que os sistemas educacionais asiáticos podem revelar sobre as escolhas que as escolas brasileiras precisam fazer diante das transformações em curso?

A resposta não está em importar modelos. Está na possibilidade de observar instituições em funcionamento, compreender as condições que sustentam determinadas escolhas e confrontá-las com os desafios vividos pelas escolas brasileiras. Esse foi o sentido da imersão organizada pela Efígie Academy, que reuniu gestores brasileiros em um grupo de estudos em movimento por Kuala Lumpur, Xangai e Pequim.

Ao longo dos cinco dias de relatos produzidos durante a missão, apareceram temas recorrentes: inteligência artificial, formação docente, currículo, internacionalização, desenvolvimento de competências, orientação para o futuro, cultura escolar e relação entre educação e indústria. As experiências mostraram diferentes maneiras de responder a questões que também chegam às instituições brasileiras.

Para Lara Crivelaro, CEO da Efígie, líder da Missão Ásia 2026 e especialista em internacionalização da educação básica, o principal valor da experiência está justamente na possibilidade de olhar para essas questões dentro dos contextos em que elas acontecem.

“Uma missão imersiva permite sair do debate abstrato e observar como uma decisão educacional se transforma em rotina, currículo, formação de professores e experiência para o estudante. O objetivo não é encontrar um modelo para copiar, mas ampliar o repertório dos gestores para que possam fazer perguntas melhores sobre suas próprias instituições”, avaliou a nossa colunista de Educação Global.

O que a imersão da Missão Ásia investigou

A Missão Ásia 2026 investigou como diferentes instituições da Malásia e da China respondem a desafios que também estão no centro da agenda educacional brasileira: formação para o futuro, currículo, internacionalização, inteligência artificial, desenvolvimento docente e protagonismo dos estudantes. As visitas mostraram que essas questões não aparecem isoladamente, mas integram decisões sobre gestão, cultura e projeto pedagógico.

Os cinco diários publicados pelo educador21 registram diferentes perspectivas dessa investigação, da escola à universidade e da indústria de tecnologia aos debates da Bett Asia. Em conjunto, as experiências reforçaram uma constatação: tecnologia e inovação ganham sentido quando estão subordinadas a uma concepção clara de formação.

“Ver uma escola e, no mesmo percurso, conhecer quem desenvolve as tecnologias permite compreender uma cadeia que normalmente analisamos de forma fragmentada. A tecnologia ganha outro sentido quando conseguimos enxergar sua relação com currículo, formação docente, gestão e projeto de estudante”, afirmou Lara Crivelaro.

A imersão também evidenciou a importância de analisar práticas estrangeiras dentro de seus contextos. O objetivo não é encontrar modelos para replicar, mas compreender por que determinadas escolhas funcionam em cada realidade e quais perguntas elas podem provocar no Brasil. Para gestores, esse exercício amplia o repertório antes da tomada de decisões e ajuda a diferenciar tendências de escolhas pedagógicas consistentes.

“Uma missão educacional precisa provocar comparação, mas também reflexão. O gestor volta para casa com perguntas sobre o que faz por hábito, quais escolhas estão produzindo resultados e quais possibilidades ainda não considerou. É esse repertório que pode transformar uma experiência internacional em aprendizagem para a própria escola”, disse Lara.

Investir em missões é investir em repertório de gestão

A imersão internacional, nesse sentido, pode ser compreendida como uma ferramenta de desenvolvimento de lideranças. Ela aproxima gestores de realidades que oferecem outros referenciais para discutir currículo, tecnologia, internacionalização, formação de professores e experiência dos estudantes.

Isso exige preparação antes da viagem, perguntas durante as visitas e sistematização posterior. Sem esse processo, uma missão corre o risco de se transformar apenas em circulação por instituições. Com estudo prévio, mediação e reflexão coletiva, as visitas passam a produzir repertório para decisões futuras.

Foi com essa perspectiva que a Missão Ásia 2026 foi precedida por um trabalho de preparação desenvolvido pela Efígie e pelo educador21. O material de estudo reuniu informações sobre os sistemas educacionais asiáticos e ajudou os participantes a chegar às instituições com questões previamente formuladas. O conhecimento produzido durante a viagem agora permite confrontar essas hipóteses com aquilo que foi observado diretamente.

O educador21 disponibiliza aos leitores o Resumo Executivo do White Paper Missão Ásia 2026, produzido como material preparatório para os participantes da missão. O documento reúne os principais referenciais utilizados para compreender os sistemas educacionais asiáticos antes da imersão e amplia a leitura das experiências relatadas durante a viagem.

Para lideranças educacionais, esse movimento de preparação, observação e sistematização é parte importante do investimento. A internacionalização da gestão não depende apenas de conhecer instituições estrangeiras. Depende de criar condições para transformar o contato com outras realidades em perguntas, critérios e decisões aplicáveis ao próprio contexto.

A Missão Ásia 2026 termina, portanto, com o retorno dos participantes ao Brasil, mas não com o encerramento da investigação. O que fica é um repertório de experiências que precisa ser confrontado com a realidade brasileira. Investigar antes de replicar significa reconhecer que o valor de uma missão internacional está menos em encontrar respostas prontas e mais em ampliar a capacidade de fazer escolhas conscientes sobre o futuro da escola.

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