No Fórum de Gestores da Bett Brasil 2026, Caio Lo Bianco e Vanessa Cavalieri discutiram como escola, famílias e educadores podem enfrentar os impactos do ambiente digital na saúde mental
Os conflitos que atravessam crianças e adolescentes não ficam do lado de fora da escola! Eles entram pela sala de aula, aparecem nas relações, nos silêncios, nos excessos, nas telas e também na dificuldade de colocar em palavras aquilo que se sente.
No Fórum de Gestores, que aconteceu durante a Bett Brasil 2026, Caio Lo Bianco, CEO e idealizador do Ecossistema LIV, e Vanessa Cavalieri, juíza e embaixadora LIV, se encontraram para uma conversa sobre um dos temas mais urgentes da educação contemporânea: “Como formar crianças e adolescentes em um mundo em que as plataformas digitais impactam diretamente a saúde mental e o desenvolvimento social e emocional das novas gerações?”.
A palestra partiu de um ponto central: não dá mais para pensar o ambiente digital separado da vida real. A conversa foi além de apenas discutir o uso da tecnologia e propôs uma reflexão sobre presença, autoridade, escuta e responsabilidade coletiva. Continue lendo para se aprofundar!
Quando o comportamento comunica o que ainda não virou palavra
Entre os muitos pontos discutidos ao longo do encontro, um ganhou destaque: a necessidade de olhar para além do comportamento. Muitas vezes, aquilo que aparece como agressividade, conflito ou transgressão carrega camadas mais profundas.
Porém, nem sempre os pedidos de ajuda conseguem ser verbalizados. Como destacou Caio Lo Bianco: “A violência é, muitas vezes, um sintoma e pode ser encarada como um pedido de socorro, de ajuda. Precisamos enxergar além do comportamento e reconhecer o que ele revela: uma sociedade que falhou em oferecer às crianças e adolescentes vínculo, conexão, reconhecimento e autoridade”.
Esse olhar desloca a pergunta de “o que essa criança fez?” para “o que essa criança está tentando comunicar?”. É um convite desafiador (principalmente para escolas e educadores), porque exige ampliar a escuta e considerar que determinados comportamentos não surgem isoladamente. Eles se constroem dentro de contextos emocionais, familiares, sociais e culturais complexos.
O ambiente digital não é um universo paralelo
Outro ponto da conversa foi a urgência de reconhecer o digital como parte do cotidiano dos alunos e, portanto, também da experiência educativa.
As curtidas, as exclusões, exposições, comparações e pertencimento digital não são eventos periféricos. Eles fazem parte da construção subjetiva de quem está crescendo hoje.
Nesse contexto, a Vanessa Cavalieri trouxe uma provocação importante: a proteção não pode vir apenas pela via da proibição ou do controle**.** Ela precisa passar por diálogo, mediação e formação crítica.
A pergunta deixa de ser apenas “quanto tempo passam na frente das telas?” e passa a incluir também:
- O que consomem;
- Como se relacionam nesse ambiente;
- Que referências encontram ali;
- E quais repertórios estão construindo para lidar com tudo isso?
Assim, educar para o digital é também educar para a convivência, para a responsabilidade e para a consciência sobre o impacto das próprias ações.
O papel insubstituível do adulto
Em meio a tantas transformações, algumas coisas permanecem. E uma das mais importantes é que as crianças e os adolescentes continuam precisando de referência: adultos que sustentem presença e ofereçam escuta, mas que também saibam construir limites mais seguros. Responsáveis que acolham sem abrir mão da autoridade.
Durante a conversa, a juíza Vanessa Cavalieri trouxe a seguinte reflexão: “Que relação é essa que a gente constrói com os nossos filhos, com os nossos alunos, com os adolescentes com quem a gente convive, com as crianças, que faz com que alguns relatem o que viveram e outros se calem?”.
A pergunta desloca o debate para um ponto importante: mais do que observar comportamentos ou reagir a crises quando elas aparecem, é preciso construir relações em que crianças e adolescentes saibam que podem pedir ajuda.
Ao longo da palestra, ficou evidente que autoridade não quer dizer rispidez ou controle, mas como um vínculo que exige consistência e responsabilidade relacional. Até porque, formar alguém emocionalmente também passa por ajudá-lo a lidar com frustração, conflito, diferença e consequência, que são coisas muito naturais da vida.
Como bem lembrou Caio Lo Bianco durante o encontro, ”educar continua sendo um exercício profundamente humano” (e talvez agora ainda mais).
E como seguimos essa conversa?
A palestra trouxe reflexões muito importantes para quem vive a educação no dia a dia. Mas essa conversa não termina aqui.
Reunimos os principais pontos desse momento em um material aprofundado, onde você vai encontrar temas como:
- Violência como linguagem e pedido de ajuda;
- O impacto do ambiente digital no desenvolvimento emocional;
- Autoridade e construção de limites;
- O papel da escola na formação para a cidadania digital;
- Caminhos possíveis para fortalecer vínculos e comunidades educativas no presente.
Confira a trilha com uma curadoria de conteúdos sobre os desafios da escola para educar em um mundo digital e compreender a nova geração!

O LIV é um programa brasileiro de referência em educação socioemocional, que promove espaços de escuta e diálogo para ampliar a compreensão de si, do outro e do mundo. Presente em mais de 1.000 escolas e alcançando mais de 1 milhão de alunos, atua também na disseminação de conhecimento e no fortalecimento do debate sobre educação socioemocional no Brasil.










