É desse estado que vem as 10 escolas com maior Ideb do BR nos anos iniciais. 150 dos 184 municípios receberam selo ouro do MEC na Alfabetização. É o estado com maior percentual de crianças alfabetizadas aos 8 anos de idade no país.
No Ensino Médio, tem o 3º maior IDEB. 44% dos alunos do ITA em 2024 vieram de escolas cearenses.
Anos iniciais, ensino médio, ensino público ou privado, o Ceará é referência quando se trata em educação brasileira.
Histórias como a revolução da alfabetização que saiu de menos da metade dos alunos alfabetizados para 97% por meio de uma política pública sustentada que virou base para uma política federal são hoje referência também no mundo.
Anderson Morais, cearense dos pés e cabeça, cofundador e CEO da AgendaEdu nos ajuda a entender um pouco do que explica isso.
Olhamos também para outras edtechs que compõem esse ecossistema empreendedor, batizado de Rapadura Valley.
1. Conte sobre sua trajetória como empreendedor até aqui
Falando da minha trajetória como empreendedor, eu comecei cedo. Comecei a trabalhar com 11 ou 12 anos, para buscar alguns sonhos pessoais e também ajudar no fluxo de casa.
Comecei dando aula de reforço e, depois, fui entrando no universo do design gráfico e da programação, por conta de um computador que meu pai comprou e deu para a gente. Comecei a aprender a trabalhar como designer e também a programar.
Dos 11 ou 12 anos até os 19, fui trabalhando como freelancer, fazendo projetos para várias empresas. Aos 19, tomei a decisão de formalizar essa atividade e abrir minha primeira empresa, para sair da informalidade e deixar de ser apenas freelancer. Queria ter uma empresa de fato, com CNPJ, e poder empreender de maneira mais estruturada.
Fiquei quase cinco anos com essa empresa. Foi justamente o período em que eu estava fazendo faculdade de Direito na Universidade Federal do Ceará. Na mesma semana em que fiz a matrícula na faculdade, abri a empresa, e fiquei com ela durante praticamente toda a graduação.
Quando eu estava terminando a faculdade, comecei a refletir sobre o modelo de negócio. A agência dava muito trabalho e dependia muito de receita de serviços. No fim do dia, a gente precisava pegar muitos projetos, e aquilo era bastante cansativo.
Eu tinha vontade de trabalhar em um negócio com começo, meio e fim. Chegamos a ensaiar um produto desse tipo dentro da própria agência, voltado ao controle e ao gerenciamento de bilheteria de eventos. Mas foi no Startup Weekend que conheci meus sócios e surgiu a AgendaEdu.
Um dos sócios tinha uma afinidade maior com a área educacional e teve a ideia de criar um aplicativo de agenda escolar digital. A gente acabou entrando no projeto, cada um com sua expertise. Éramos quatro cofundadores: eu, Carlos Allan, Pietro Silva e Fernanda Catunda. Cada um tinha uma responsabilidade e um papel importante para fazer o negócio crescer.
A gente topou o desafio e começou a empreender com a AgendaEdu, que era uma agenda escolar digital. A trajetória foi muito interessante porque começamos com esse produto e, logo depois, fomos apoiados pela Fundação Lemann. Começamos em 2014 e, em 2015, recebemos esse apoio.
A partir dali, começamos a entender que não éramos uma empresa de tecnologia com viés educacional. Éramos uma empresa de educação com viés tecnológico. Por isso, passamos a escutar muito os professores, as escolas e os usuários finais, para melhorar o produto no longo prazo sem perder a sensibilidade em relação ao chão da escola.
Depois vieram vários anos de crescimento. A gente ampliava constantemente a base de clientes e se mantinha entre as primeiras posições do mercado, até se tornar líder nesse segmento.
Recebemos R$ 5,5 milhões em investimentos da Domo Invest, da Omidyar Network e da Bossa Nova Investimentos, provavelmente no fim de 2017 ou no começo de 2018. O mercado de tecnologia era muito diferente naquela época. As startups eram vistas como negócios bastante promissores, mas os investimentos no Brasil ainda eram mais escassos.
Esse investimento ajudou muito a empresa, não apenas pelos recursos financeiros, mas também pela bagagem e pelo profissionalismo que os investidores trouxeram. Acho que, em muitos aspectos, isso foi até mais importante do que o próprio capital.
Continuamos crescendo até a venda de 100% da companhia para o Grupo Salta Educação, em um projeto em que você também esteve diretamente envolvido. Essa transação deu origem à unidade de novos negócios e inovação do Salta, que foi um projeto que tivemos a oportunidade de construir juntos.
Ficamos três anos e meio dentro do Grupo Salta, até a aquisição da AgendaEdu pela Bemobi. Naquele momento, o Salta estava reposicionando sua estratégia de investimentos em tecnologia, enquanto a Bemobi queria entrar no mercado de educação.
A AgendaEdu ajudava a fazer essa ponte entre uma empresa de pagamentos e o mercado educacional, porque já tínhamos um produto de tecnologia financeira para escolas, o EduPay. Ele foi um dos primeiros produtos dessa categoria de fintech educacional.
Lançamos o EduPay em 2018. Na época, ainda havia poucos produtos voltados à gestão financeira de escolas e praticamente nenhum focado em pagamentos. Então, fomos pioneiros nesse movimento, e essa vocação acabou ajudando na negociação com a Bemobi.
Desde então, temos atuado muito nessa vertical de superapp. Fazemos a gestão da comunicação e de várias outras jornadas dentro da escola, mas também cuidamos de maneira bastante integrada da jornada de pagamentos.
2. Por que você acha que tem tantos empreendedores e tanta gente trabalhando com educação no Ceará?
O Ceará acaba tendo uma vocação muito grande para a educação. A gente tem excelentes escolas particulares e, depois, essa qualidade também cresceu no ensino público. O estado tem grandes casos de sucesso, como o de Sobral e Ensino Médio em Tempo Integral.
Mas acho que o cearense, de modo geral, vê a educação como uma das principais oportunidades de crescimento. Isso acontece pelos exemplos próximos de pessoas que conseguiram vencer por meio da educação, seja no meu caso, que comentei que foi algo familiar, seja na trajetória de pessoas próximas.
O Ceará acaba sendo um estado com uma vocação menos agrícola e muito mais voltada para serviços e turismo. Nesse contexto, a educação surgiu como uma forma muito forte de crescer, se formar, passar em concursos públicos ou em vestibulares, não só aqui, mas no Brasil todo. É uma oportunidade de construir uma carreira e chegar lá.
Então imagino que essa associação entre educação, aprovação em concursos e aprovação em vestibulares faça o Ceará formar muitos talentos nessa área. E acho também que, quando uma pessoa passa por uma jornada educacional transformadora, ela acaba querendo voltar a trabalhar com educação para ampliar o impacto que essa trajetória teve na própria vida, levando oportunidades para outras pessoas que talvez não tenham o mesmo acesso.
O fato de o Ceará valorizar tanto a educação e de as pessoas entenderem a educação como um vetor de transformação social faz com que muitas delas voltem a trabalhar na área, quase como uma forma de give back, digamos assim.
Acho que isso aparece com muita força na trajetória dos empreendedores que conheço e que foram trabalhar com educação, seja à frente de grandes escolas, grupos educacionais e sistemas de ensino, seja fundando edtechs. Muitas edtechs também foram criadas por cearenses, como a QMágico (depois Eduqo), do Tiago Feijão.
É muito interessante ver esse histórico do Ceará relacionado à educação, porque ele tem tudo a ver com a nossa própria jornada de vida. Acho que escolher trabalhar com educação é algo muito identitário. Quem passa por uma experiência educacional transformadora acaba querendo trabalhar na área para ajudar outras pessoas a terem acesso a algo parecido.
E, entre as pessoas que vejo trabalhando com educação no Ceará, quase sempre existe um pouquinho disso.
3. Conte sobre a história da Rapadura Valley.
A Rapadura Valley é a comunidade local de startups do Ceará. Tivemos o prazer e a oportunidade de participar dela ao longo da construção e do desenvolvimento dessa agenda.
O Ceará tem bons empreendedores e startups. Não só na educação, mas também em outros segmentos. Várias empresas legais surgiram aqui e hoje são gigantes, como Mobius, GoCase, MeuTudo e tantos outros cases relevantes.
A gente acabou fazendo parte dessa comunidade. A Rapadura Valley não é tão diferente de outras comunidades locais de startups, como San Pedro Valley (BH) e a 011 (SP), por exemplo. Acho que a diferença é que, como era uma comunidade menor, as pessoas acabavam ficando muito mais próximas.
Além disso, nossos primeiros escritórios ficavam praticamente no epicentro da comunidade, em em coworkings que sediava boa parte dos eventos ligados a startups e empreendedorismo. A gente bebeu muito daquela fonte: participou de eventos, fez mentorias com pessoas que vinham de fora para falar sobre empreendedorismo no Ceará e teve acesso a empreendedores muito integrados ao ecossistema nacional, que acabavam abrindo portas para a gente.
Também tivemos um papel importante em levar adiante a bandeira dos empreendedores locais. Em 2019, tivemos a oportunidade de ganhar o prêmio de Startup do Ano no CASE, a conferência anual de startups e empreendedorismo promovida pela ABStartups, que era o maior evento do setor na época.
A gente também ajudou a difundir a ideia de que existia um ecossistema forte no Ceará. Naquele mesmo ano, a Rapadura Valley foi reconhecida como Ecossistema Revelação e, depois, acabou ganhando como Ecossistema do Ano.
Então, acho que a Rapadura Valley é essa comunidade em que os empreendedores trocam ideias e se ajudam. Hoje, em níveis diferentes de maturidade, você vai conhecendo mais gente do Ceará e navegando entre diferentes níveis de experiência e especialização.
Eu tive a oportunidade de ver a comunidade nascer, crescer e se consolidar. E, até hoje, continuo ativo na Rapadura Valley, levando informação e acesso para outros empreendedores. Embora hoje estejamos um pouco mais distantes, porque a empresa deixou de ser uma startup e passou a atuar de forma mais corporativa, continuamos exercendo nosso papel como empreendedores que fizeram a jornada completa, deram uma saída e agora podem ajudar quem está começando.
Isso significa dar mentorias, trocar ideias sobre oportunidades e fazer conexões com investidores. Acho muito legal estar inserido no ecossistema porque você acaba praticando essa lógica de Give First e Give Back, ajudando a roda a girar.
Assim, as pessoas conseguem aprender com os erros umas das outras e também aproveitar coisas boas que, sozinhas, talvez não conseguissem construir.
Essa é uma parte da história da Rapadura Valley. Continuo torcendo e gastando energia no que for possível para fazer a comunidade crescer cada vez mais e para que surjam cada vez mais cases no estado.
4. Como fazer parte de um ecossistema como esse te ajudou?
Nada melhor do que ter pares para dividir as dores e as delícias de empreender.
Ao longo da jornada, você passa por muitas situações pela primeira vez. É a primeira vez que precisa fazer uma demissão, conduzir uma negociação ou tomar uma decisão importante. Ter alguém com quem aprender ajuda muito a encurtar esse caminho.
Por isso, acho importante buscar referências, aprender com empreendedores locais e participar de comunidades e programas que ofereçam esse tipo de troca. Existem iniciativas como os programas da Endeavor, além de outras comunidades e eventos que ajudam o empreendedor a encontrar soluções e a aprender com quem já passou por situações parecidas.
Essa troca permite aprender tanto os aspectos técnicos quanto a cultura do empreendedorismo. Você consegue discutir decisões, ouvir outras perspectivas e amadurecer mais rapidamente.
Também acho importante que existam produtos, programas e comunidades voltados para empreendedores locais, em diferentes segmentos, que ofereçam espaço para aprender, trocar experiências e construir soluções mais consistentes.
No fim, é sobre criar ambientes de formação e de troca que ajudem o empreendedor a saber como agir diante dos desafios que aparecem ao longo da jornada.
5 – Alguma crença forte que sua trajetória modificou?
Acho que todo empreendedor que vai buscar crescimento, que quer desenvolver uma tese sobre alguma coisa disruptiva, precisa ter crenças fortes. É isso que ajuda a ser resiliente e a ter, de certa forma, alguma certeza ali, ainda que burra, para correr atrás e tentar resolver.
Um exemplo que eu dou é o da própria Agenda Edu. Quando a gente começou um produto de agenda digital escolar, em 2014, toda escola ainda usava agenda impressa. Então era contraintuitivo, por exemplo, perguntar para um diretor de escola se ele acreditava que aquele produto digital ia funcionar. Ele provavelmente diria: “Ah, isso não vai funcionar. Tu é doido? Aqui é feito dessa forma há mais de 20, 30, 40, 50 anos.”
Então, ter crenças fortes de que “a gente vai conseguir fazer esse produto funcionar” é importante para o negócio caminhar. Só que a certeza que você tem é que não vai acertar em todas elas.
Quando você olha para a história de grandes empreendedores, vê que eles tiveram muitas crenças fortes, mas que algumas delas estavam completamente erradas. E aí entra a inteligência emocional de cada um: saber reconhecer, com humildade, que você não sabe tudo e que, na verdade, vai estar muito distante de saber tudo.
Acho que, quanto mais o empreendedor se coloca na posição de que sabe tudo, mais ele está perdendo. Ele deixa de escutar com atenção o que pode ser um aviso do mercado ou uma reclamação do cliente. Então, acho que isso é muito relevante.
Ao longo da nossa jornada, foram inúmeras as vezes em que a gente tinha crenças fortes em relação a alguma coisa e elas acabaram se confirmando. Falando na primeira pessoa, eu posso citar duas ou três crenças que foram relevantes na minha trajetória empreendedora e que deixaram marcas de aprendizado, mas também aquela sensação de “poxa, eu poderia ter feito diferente”.
A primeira é que, durante muito tempo, eu acreditei que um bom produto, um produto excelente, com a melhor interface, a melhor lógica e tudo mais, ganharia de qualquer outra solução. Eu achava que o produto era a principal coisa a ser desenvolvida.
Essa foi uma crença que eu tinha. Apesar de a gente continuar buscando excelência de produto, como você acompanhou e pode ver, e de isso continuar sendo uma prioridade para a gente, inclusive em temas como [trecho a confirmar], inteligência artificial e a lógica de fazer produtos mais seguros, sólidos e performáticos, hoje entendemos que, tão importante quanto isso, é ter um bom canal de distribuição, uma boa estratégia, uma boa estrutura de metas e uma boa cadência de acompanhamento.
Essa visão de canal, no final do dia, é o que leva o jogo de uma empresa a ter uma base maior e mais sustentabilidade. Então, acho que essa foi uma crença que eu mudei ao longo da trajetória. Eu achava que o produto ganhava de tudo. Hoje, acho que o produto é parte do todo, mas precisa de várias outras coisas para que a empresa tenha sucesso.
Essa crença está mais ligada à estratégia de negócio. Outra tem mais a ver com o lado pessoal. Eu sempre achei que trabalhar muito, horas a fio, 10, 14, 16 horas por dia, era o principal. E acho que, no final das contas, não é.
A gente precisa buscar equilíbrio como ser humano. Mas nunca encontra completamente, então fica pendulando de um lado para o outro. Acho importantíssimo trabalhar bem e de forma inteligente. E isso não está diretamente ligado à quantidade de horas trabalhadas.
O que não quer dizer que você não acabe trabalhando muito também. Em alguns momentos, a necessidade do negócio, a fase em que ele está ou uma oportunidade de mercado vão exigir mais horas e mais energia. Mas há outros momentos em que não.
Às vezes, andar um pouco mais devagar e refletir mais sobre o que você está fazendo é mais importante do que empregar uma quantidade absurda de horas. Essa carga pode até tirar a clareza sobre o que você precisa fazer naquele momento.
Hoje, acho que o resultado, a produtividade e a qualidade do trabalho estão menos ligados à quantidade de horas trabalhadas e mais à quantidade de horas focadas, de horas inteligentes empregadas para resolver os desafios do negócio.
Em alguns momentos, essas horas serão muitas. Em outros, quando o negócio estiver mais estável ou exigir decisões mais cuidadosas, elas precisam ser menores, até para você conseguir pensar com calma sobre as coisas. Então, essa foi outra crença grande que eu tive.
Por fim, acho que a gente sempre teve uma visão muito ligada ao mercado de educação, de que o que fazemos tem muito propósito e é transformacional. Eu sempre tratei o negócio da Agenda Edu e a nossa jornada como algo cujo propósito estava acima de qualquer coisa, e ao qual a gente precisava ser fiel.
Ainda temos muito disso no nosso DNA, mas também precisamos entender que, como negócio, temos que ser sustentáveis. Às vezes, trabalhar apenas com foco e sonho, sem ter uma estrutura que permita que isso dure, faz com que tudo fique pelo meio do caminho.
Como eu comentei, muita coisa foi mudando ao longo da jornada. Durante algum tempo, a gente não entendia tanto a importância de ter um negócio saudável para conseguir chegar a 10, 12, 15, 20 anos.
Às vezes, você está tão focado no sonho do crescimento, em entregar outras coisas e trazer novidades, que acaba esquecendo de olhar para a sustentabilidade como um fator relevante. Acho que essa foi outra crença que caiu.
Hoje, a gente tenta equilibrar propósito e sustentabilidade para conseguir chegar ainda mais longe.
EdTechs
SuperApp de comunicação, gestão e pagamentos para escolas de educação básica
Fundada em Fortaleza em 2014 a partir de um Startup Weekend, começou como Agenda Kids, um substituto digital para a agenda de papel da educação infantil. O reposicionamento veio cedo: depois do apoio da Fundação Lemann em 2015, a empresa passou a se descrever como uma empresa de educação com viés tecnológico, e não o contrário, priorizando escuta de professores e coordenadores no desenho do produto.
O produto evoluiu de comunicação para uma camada operacional completa da escola. Hoje reúne canais de atendimento, gestão de tickets, régua de cobrança automatizada, checkout com Pix e cartão recorrente, integração com mais de 20 ERPs e assistente de IA para redação de comunicados. O EduPay, lançado em 2018, foi um dos primeiros produtos de fintech educacional do país, e foi justamente essa vocação de pagamentos que definiu o destino da empresa.
Captou R$ 5,5 milhões da Domo Invest, Omidyar Network e Bossa Nova entre 2017 e 2018, venceu como Startup do Ano no CASE 2019. Foi vendida integralmente ao Grupo Salta Educação e, três anos e meio depois, adquirida junto ao Gurpo pela Bemobi junto com o EduPay em dezembro de 2023. Hoje declara mais de 3.000 escolas conectadas e 3,5 milhões de usuários ativos.
TrilhaEdu
Tutor virtual de exatas com diagnóstico de lacunas de aprendizagem
Fundada em Fortaleza em dezembro de 2021 e acelerada pelo Unifor Hub, no parque tecnológico da Universidade de Fortaleza. Atua em matemática, física e química do fundamental ao ensino médio, o que a coloca exatamente no nervo cultural que a coluna quer tratar, o estado que exporta alunos para ITA e IME também produz a edtech que trabalha o funil de exatas.
A plataforma combina um modelo próprio de micro-habilidades com algoritmos que identificam onde o erro do aluno se origina, não apenas se a resposta está certa. A partir do diagnóstico, entrega conteúdo personalizado ao ritmo de cada estudante, orienta o professor sobre os pontos de intervenção e devolve dados agregados à gestão. Opera em redes públicas e privadas.
Venceu a categoria educação do Prêmio Sebrae Startups 2024, o Top 1 nacional entre edtechs, e passou por programas de aceleração da Quintessa com Instituto BRF e Instituto Helda Gerdau. Reportagem do Sebrae menciona mais de 150 mil usuários.
Max.ia
Camada de IA para predição de desempenho e personalização em escolas
Edtech de Fortaleza que trabalha os dados de aprendizagem da escola em vez do conteúdo. A plataforma cruza fatores cognitivos, psicométricos e comportamentais para prever o desempenho do aluno nos eventos avaliativos antes que eles aconteçam, e a partir daí recomenda trilhas de estudo dirigido para fechar as lacunas identificadas.
Também gera avaliações automaticamente a partir do material didático que a escola já adota, o que resolve um problema real de adoção, a edtech não pede que a escola troque de sistema de ensino para usar a ferramenta. Entrega painéis separados para gestão, professor e família, classificando questões pelos níveis da Taxonomia de Bloom.
Recebeu aporte de R$ 10 milhões da Positivo Tecnologia em março de 2024, com acordo de distribuição pela rede da Positivo para ganhar capilaridade nas escolas.
Eduqhub
Plataforma gamificada de educação empreendedora e projeto de vida
Fundada em Fortaleza em 2019 por Marília Teófilo e Nara Rocha, integra empreendedorismo, socioemocional e educação financeira ao currículo regular em vez de tratar esses temas como extracurricular. O produto é um LMS com trilhas, quizzes, desafios, correção, ranking e gestão de projetos, desenhado para o professor conduzir dentro da carga horária existente.
A validação veio pelo lado privado de alto desempenho do estado. A plataforma é adotada pelo Colégio Farias Brito, referência nacional em aprovações no ITA, o que é interessante: uma escola cuja marca é desempenho em exatas comprando conteúdo de projeto de vida e empreendedorismo. A empresa também formou professores da rede pública estadual na metodologia.
Ficou entre as 10 melhores edtechs do mundo no GESAwards, entrou na lista 100 Startups to Watch 2023 da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios e foi selecionada duas vezes entre as 100 edtechs mais promissoras da América Latina.
Plataforma no code para universidades corporativas e treinamento empresarial
Fundada em Fortaleza em 2020, atende times de treinamento e desenvolvimento que precisam colocar conteúdo educacional online sem depender de TI. O recurso central é um assistente passo a passo que conduz o cliente do desenho à publicação, com materiais de apoio, avaliações, certificados, congressos online, chat ao vivo e tutoria em um mesmo ambiente. A plataforma integra com ferramentas de RH, CRM, faturamento e marketing, e é listada no marketplace global da Microsoft.
O primeiro contrato de escala veio de um edital público. No início da pandemia, a Eduvem se uniu ao Grupo Educacional Farias Brito, à Microsoft e à Lanlink para atender chamada da Secretaria de Educação do Ceará e levar conteúdo online aos alunos do ensino médio da rede estadual. É um detalhe que vale para a coluna: a mesma escola privada de alto desempenho que ancora o mercado local também serviu de ponte para a rede pública, e a edtech cresceu depois no corporativo, não no escolar.
Anunciou em outubro de 2024 uma rodada Série A de R$ 15 milhões conduzida pela Casa Azul Ventures, apresentada como a primeira do tipo no estado. Na mesma ocasião projetava faturamento de R$ 4 milhões em 2024 e R$ 16 milhões em 2025. Declara mais de 1,5 milhão de colaboradores treinados, integra o Cubo Itaú, venceu a categoria Tração do programa Delta-V em 2023 e foi finalista de Startup do Ano no Ceará Awards 2024.

O educador21 amplia sua parceria com Guilherme Cintra, colunista da Tecnologia que Humaniza, ao trazer para o portal os conteúdos do EdTech da Semana. A iniciativa realiza um mapeamento contínuo das principais tendências, tecnologias e empresas que transformam a educação no Brasil e no mundo. Todos os textos são reproduzidos do site original.










