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Rafael Pinheiro*

Durante anos, o principal desafio do ensino superior brasileiro foi crescer. Expandir a oferta, ampliar o acesso e criar novos formatos de ensino foram prioridades para um setor que precisava atender milhões de brasileiros em busca de qualificação. Hoje, no entanto, a agenda mudou. O crescimento continua relevante, mas já não é suficiente. O novo imperativo é sustentabilidade operacional e inteligência na gestão.

Na prática, isso significa que o ensino superior brasileiro está entrando em uma nova fase: a da gestão estratégica da educação.

Os números mais recentes do Instituto Semesp, apresentados na 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, ajudam a ilustrar essa mudança. O país já se aproxima da marca de 10 milhões de estudantes matriculados, com crescimento puxado pela rede privada, que concentra mais de 79% das matrículas no sistema.

O dado confirma algo que quem vive o setor já percebe há algum tempo: a expansão aconteceu. Agora, o desafio é fazer esse modelo funcionar de forma sustentável.

Um dos exemplos mais claros dessa transição está na educação a distância. A modalidade se consolidou como motor de acesso e democratização do ensino superior. No entanto, junto com a escala vieram desafios estruturais, especialmente na permanência dos estudantes. Altos índices de evasão mostram que ampliar o acesso é apenas parte da equação. O verdadeiro diferencial competitivo das instituições passa a ser manter o aluno engajado até a conclusão do curso. Isso exige uma mudança profunda na forma como as instituições operam.

Historicamente, muitas instituições de ensino estruturaram seus modelos de gestão com foco prioritário em captação. Hoje, no entanto, permanência, experiência do aluno e previsibilidade financeira tornaram-se variáveis igualmente estratégicas. E essa transição não pode ser conduzida apenas com ajustes operacionais. Ela depende de gestão baseada em dados e tecnologia integrada.

Em outras palavras: a educação superior passa a enfrentar desafios muito semelhantes aos de outros setores da economia. É preciso conhecer profundamente o comportamento do cliente — neste caso, o aluno —, antecipar riscos, automatizar processos financeiros, integrar áreas acadêmicas e administrativas, e tomar decisões com base em informação confiável e em tempo real.

Outro movimento importante é a redução do protagonismo de programas públicos de financiamento estudantil, o que exige das instituições um papel cada vez mais ativo na estruturação de alternativas de financiamento e na gestão da inadimplência. Isso inclui uma camada adicional de complexidade ao negócio educacional e reforça a necessidade de estruturas de governança mais robustas.

Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas suporte operacional e passa a assumir um papel estratégico na gestão educacional. Soluções de gestão integradas, analytics educacional e ferramentas de engajamento permitem que as instituições compreendam melhor a jornada do estudante, identifiquem padrões de evasão, antecipem riscos financeiros e conduzam o crescimento de forma estruturada. Mais do que digitalizar processos, trata-se de transformar dados em decisões.

O ensino superior brasileiro não está apenas crescendo. Ele está amadurecendo. E, como acontece em qualquer setor que entra em uma fase de maturidade, os líderes serão aqueles que conseguirem combinar escala, eficiência e inteligência de gestão. Nesse novo capítulo da educação no país, a tecnologia tende a ser um dos principais diferenciais competitivos, não apenas para expandir o acesso, mas para garantir algo ainda mais importante: qualidade, sustentabilidade e impacto real na formação das próximas gerações.

***Diretor de estratégia e produtos para o segmento educacional da **TOTVS

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