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Gerente de ensino e inovações educacionais da Arco Educação, Jones Brandão defende que pessoas, processos e propósito formam a base de uma gestão escolar capaz de fortalecer a aprendizagem, inovar e responder aos desafios da educação contemporânea

Jones Brandão*

Quando pensamos na gestão escolar, considero três dimensões essenciais. São os chamados 3 Ps: pessoas, processos e propósito. As pessoas são o alvo para quem fazemos e com quem fazemos as coisas, o processo nos diz como elas devem ser feitas e o propósito nos diz o porquê de a escola existir.

Mas, para que tudo caminhe da melhor forma possível, precisamos superar os obstáculos que podem fissurar esses elementos. No caso das pessoas, esses entraves são a intolerância, o desconhecimento e a padronização. Eu costumo brincar dizendo que é preciso descobrir o “CID” de cada um, ou seja, seu contexto, interesse e dor. 

O contexto envolve prepará-las exatamente para a leitura de diferentes realidades e a ampliação de repertórios. É preciso lembrar que não estamos mais em um mundo regido pela revolução industrial, onde vigorava um modelo de ensino em que o professor era o detentor do conhecimento, e cabia ao aluno memorizar e repetir os conteúdos passivamente, em detrimento do diálogo, da criatividade e do pensamento crítico. Esse mundo deu lugar a outro, regido pela revolução da Inteligência Artificial (IA): agora, em uma realidade em constante transformação, o que importa é aprender continuamente, saber perguntar e não mais ter respostas prontas. 

Em relação ao interesse, é importante refletir sobre qual geração habita a sua escola. Podemos ter várias gerações convivendo juntas, considerando pais, alunos, professores, gestores e funcionários, o que exige ajuste de práticas pedagógicas e formas de comunicação. E aqui entra o que eu chamo de “dilemas do engajamento”: em alguns casos, os alunos continuam sendo avaliados pelas respostas que repetem, os professores insistem em usar metodologias que não engajam, as famílias não atualizaram a definição de sucesso sobre aprendizagem e os gestores têm receio de fazer mudanças significativas no currículo. Se algo disso ocorrer, é um indicador de que as práticas precisam ser revistas. 

No caso da dor, há indicadores de alunos com baixo desempenho em matemática, resultados insuficientes no PISA ou falta de formação leitora, além de questões de ordem emocional e social. Para encarar essas dores, é preciso colocar as pessoas no centro de nossas decisões para criar soluções que impactem suas vidas.

No que diz respeito aos processos, eles representam o caminho prático da gestão, indicando exatamente como as ações devem ser realizadas no cotidiano escolar. No entanto, entre seus principais entraves está a burocracia. Quando a escola opera apenas no piloto automático das obrigações diárias e perde de vista aonde deseja chegar no futuro, os métodos ficam obsoletos e dificultam a inovação e a adoção de soluções criativas. É preciso mapear processos de forma que exista uma inteligência coletiva registrada e não apenas na cabeça de algumas pessoas que amanhã podem sair da escola e levar consigo essa inteligência. 

A terceira dimensão, o propósito, é o elemento que atua como a base de todo o ecossistema educacional e não muda diante de uma turbulência. Ele sustenta a identidade da escola e garante que as pessoas e os processos pedagógicos e administrativos estejam sempre alinhados à sua missão. O grande desafio da gestão nesta área é ter uma visão de longo prazo e assegurar que essa razão de ser não se perca frente à rotina. 

Para haver interdependência harmoniosa entre esses três pilares, é preciso colocar as pessoas no centro das decisões para criar soluções que realmente impactem a realidade escolar e superem as dores da comunidade. Mas, sem propósito, as pessoas se perdem em meio às pressões diárias e, sem processos bem definidos, a missão não sai do papel. Em suma, é o alinhamento contínuo entre quem faz (pessoas), como faz (processos) e por que faz (propósito) que sustenta uma escola viva, resiliente e capaz de evoluir continuamente. Esse debate também esteve  presente em encontros do setor, como o Arco Day 2026, que  reuniu gestores para discutir os próximos passos da liderança educacional.

*Gerente de ensino e inovações educacionais da Arco Educação

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