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Daiane Zanon, gerente sênior de Dados, Avaliação e Monitoramento, e Gabriela Cáceres, gerente de Avaliação e Monitoramento do Instituto Ayrton Senna, defendem que fortalecer a gestão escolar é condição para ampliar a aprendizagem, apoiar professores e transformar dados em decisões pedagógicas

Daiane Zanon e Gabriela Cáceres***

A aprendizagem dos estudantes começa muito antes da sala de aula. Ela depende também de algo menos visível, mas decisivo: a qualidade da gestão educacional. Mas, no Brasil, diretores escolares convivem com uma rotina de múltiplas demandas, sobrando pouco tempo para acompanhar de perto a aprendizagem dos estudantes.

Não por acaso, 49% dos diretores brasileiros afirmam que a falta de tempo para se dedicar à gestão pedagógica prejudica a qualidade do ensino, valor bem acima da média dos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), de 32%.

A situação se agrava quando se olha para a formação desses profissionais. Os dados do Censo Escolar de 2025 mostram que apenas 26% dos diretores fizeram cursos de formação continuada em gestão escolar com carga horária mínima de 80 horas. Em outras palavras, muitos gestores são cobrados para liderar mudanças pedagógicas, acompanhar indicadores de aprendizagem, apoiar professores e melhorar o clima escolar sem terem recebido preparação adequada para isso.

É preciso reconhecer que o o conceito de gestão escolar mudou e vai muito além da administração burocrática da escola. Trata-se da capacidade de organizar pessoas, recursos, tempo e informações para garantir que todos os estudantes aprendam Nesse contexto,  liderança, comunicação, análise de dados, mediação de conflitos e capacidade de mobilizar equipes passaram a ser competências centrais para garantir melhores condições de aprendizagem.

Uma boa política de gestão educacional começa pelo fortalecimento das redes de ensino. Secretarias de Educação precisam ter capacidade de acompanhar as escolas de forma próxima e contínua, identificando rapidamente sinais de alerta, como baixo cumprimento do calendário letivo, altas taxas de infrequência, que podem levar ao abandono, e dificuldades de aprendizagem. 

Ao mesmo tempo, fortalecer a gestão escolar também exige que as Secretarias de Educação garantam maior autonomia aos diretores dentro do escopo de sua atuação, permitindo respostas mais ágeis às necessidades da escola. Isso melhora as condições de funcionamento e libera os gestores para dedicar mais tempo ao acompanhamento da aprendizagem.

Outro ponto muitas vezes subestimado é a importância da rotina escolar. Garantir calendário letivo, estruturar momentos de formação de professores, acompanhar indicadores e definir responsabilidades reduz improvisos e aumenta a capacidade de resposta da escola aos desafios do cotidiano.

É preciso abandonar a ideia de que cada escola melhora sozinha e priorizar que secretarias, diretores, coordenadores e professores trabalhem de forma integrada. Redes educacionais mais eficazes costumam investir em acompanhamento técnico, troca de experiências e fortalecimento da liderança pedagógica dos diretores. Estudos mostram que escolas com gestores mais próximos do trabalho pedagógico tendem a alcançar melhores resultados de aprendizagem.

Nesse contexto, relatórios, indicadores e metas não podem ser vistos como fins em si mesmos, mas como ferramentas para apoiar decisões e responder a questões essenciais: os estudantes estão aprendendo? Estão permanecendo na escola? Estão tendo oportunidades reais de desenvolver seus projetos de vida?

O Brasil avançou muito ao ampliar o acesso à educação nas últimas décadas. O desafio agora é garantir permanência com aprendizagem. E isso depende não apenas do que acontece dentro da sala de aula, mas também da capacidade das redes e escolas de transformar planejamento, acompanhamento e dados em ações concretas para apoiar cada estudante. É justamente nesse contexto que experiências de fortalecimento da gestão educacional ganham importância.

Em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, a rede municipal vem investindo no fortalecimento da gestão educacional como estratégia para melhorar a aprendizagem. Desde 2025, o município implementa o programa Gestão Nota 10, por meio do Plano Anual Instituto Ayrton Senna – viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura através do Ministério da Cultura. A iniciativa busca fortalecer a atuação da Secretaria de Educação e aproximar o acompanhamento das escolas, além de capacitar gestores escolares por meio de formações continuadas. O programa apoia a organização das rotinas, o uso de dados e o planejamento de ações voltadas à aprendizagem dos estudantes. Elementos fundamentais para transformar a gestão em uma ferramenta efetiva de apoio à permanência e ao desenvolvimento integral dos alunos.

Uma gestão educacional forte talvez seja invisível para grande parte da sociedade. Mas é ela que sustenta, todos os dias, as condições para que a aprendizagem aconteça, organizando recursos, apoiando as equipes e criando as condições necessárias para que cada estudante tenha oportunidades reais de aprender e se desenvolver.

Ministério da Cultura apresenta o projeto Plano Anual Instituto Ayrton Senna 2026, viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura através do patrocínio de Alelo, BASF, Banco Daycoval, Banco Safra, Galzerano, Instituto Renault, Instituto XP e Valgroup, com a realização de Instituto Ayrton Senna, Ministério da Cultura e Governo do Brasil – Do Lado do Povo Brasileiro.

*Gerente sênior de Dados, Avaliação e Monitoramento no Instituto Ayrton Senna. Economista e mestre em Economia Aplicada pela UFRGS, atua com avaliação e análise de dados aplicados a políticas públicas, conduzindo estudos nas áreas de educação e desigualdade social

**Gerente de Avaliação e Monitoramento no Instituto Ayrton Senna. É engenheira química e mestre em políticas públicas pelo Insper, com atuação voltada ao monitoramento e avaliação de políticas públicas de desenvolvimento social

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