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Primeiro dia do GEduc 2026 conecta Educação Básica e Superior
e aponta limites do modelo atual diante de novas demandas

O primeiro dia do GEduc 2026 evidenciou que o debate sobre engajamento, avaliação e internacionalização passou a compor um mesmo eixo estratégico. Nas trilhas de Educação Básica e Superior, lideranças educacionais foram confrontadas com um diagnóstico comum: o modelo escolar tradicional já não responde, com a mesma eficácia, às novas dinâmicas de aprendizagem e às expectativas de alunos e famílias.

Esse cenário reposiciona o papel das escolas. Pressão por resultados, centralidade do aluno e novas possibilidades de acesso ao ensino superior exigem decisões mais estruturadas por parte de gestores. O desafio deixa de ser pontual e passa a envolver a coerência entre proposta pedagógica, cultura institucional e entrega de valor.

Nesse contexto, engajamento, avaliação e internacionalização deixam de operar como frentes isoladas e passam a integrar uma agenda estratégica única. O que está em jogo não é apenas a adoção de novas práticas, mas o redesenho da experiência escolar diante de um ambiente mais complexo, competitivo e conectado globalmente.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Engajamento e avaliação expõem limites do modelo escolar

As discussões sobre engajamento e avaliação trouxeram à tona uma tensão estrutural da educação básica: a dificuldade de sustentar o interesse do aluno em um modelo que já não dialoga plenamente com a forma como ele aprende e se relaciona com o conhecimento. Na análise de Rommel Domingos, do Bernoulli Educação, não há engajamento consistente sem alinhamento entre cultura, propósito e prática pedagógica.

“Um dos pilares de engajamento é o professor”, afirmou o especialista na palestra “Da apatia ao protagonismo: como engajar estudantes em um modelo educacional que ainda é anacrônico”. Domingos ainda destacou, em sua apresentação, que a capacidade de conexão e leitura do aluno segue como elemento central da experiência escolar.

Ao mesmo tempo, questionou a lógica que reduz o engajamento a ajustes pontuais. “A escola não é só aprovação. A aprovação é consequência de uma trilha bem feita”, disse, ao deslocar o foco para a construção de uma jornada educacional contínua. Nesse processo, acolhimento, formação humana e experiências complementares deixam de ser periféricos. “A escola não é McDonald’s. Para engajar, precisa abraçar.”

O debate encontrou um ponto de inflexão na fala de Ildefrânio Moreira, da SAS Educação, ao questionar o papel da avaliação. “A prova não é o fim. Ela é um instrumento para aprender”, afirmou, ao defender que o valor da avaliação está na capacidade de orientar o desenvolvimento do aluno.

Ao aprofundar a crítica na palestra “Avaliação além da prova: métricas inteligentes e feedbacks que constroem aprendizagem”, Moreira apresentou o “paradoxo da nota”. “Se a nota vem acima do que o aluno esperava, ele não escuta o feedback. Se vem abaixo, ele também não escuta”, explicou. Nesse cenário, a avaliação perde sua função pedagógica, exigindo uma revisão mais ampla das práticas e da forma como o feedback é incorporado no processo de aprendizagem.

Foto: Divulgação
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Internacionalização entra no centro da estratégia escolar

A internacionalização deixou de ser diferencial e passou a ocupar espaço estratégico nas escolas. O painel “Internacionalização escolar: estratégia para transformar sua escola em uma porta de acesso ao mundo”, reforçou que a discussão vai além de programas ou iniciativas pontuais e impacta diretamente posicionamento institucional e proposta pedagógica.

Para Lara Crivelaro, da Efígie Academy,o movimento é irreversível. “Não é uma modinha. É algo que veio para ficar”, afirmou, ao destacar que o Brasil ainda aproveita pouco oportunidades internacionais disponíveis aos estudantes.

Essa ampliação exige superar a associação direta com ensino bilíngue. “É possível internacionalizar uma escola sem ser bilíngue”, explicou Luciana de Souza Brentano, da Associação Brasileira de Educação Plurilíngue (Abrasep), ao defender que o processo passa pela integração de temas globais e repertório cultural ao currículo.

Do ponto de vista da gestão, o desafio central está na coerência. “A escola precisa definir qual é o contrato que tem com a família”, afirmou Max Franco, do Colégio Sion, ao alertar para o risco de adesão a tendências sem alinhamento estratégico.

A implementação também depende da formação docente. “A internacionalização precisa acontecer de dentro para fora”, destacou Karina Nazzari, da Cultura Inglesa, ao reforçar que o processo exige preparo institucional e desenvolvimento de competências interculturais.

Ao convergirem, as discussões apontam para uma mudança de posicionamento. Internacionalizar não é apenas ampliar horizontes, mas redefinir o papel da escola em um cenário educacional cada vez mais global, exigente e interdependente.

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