Abertura do GEduc 2026 destaca a urgência de líderes escolares adotarem uma gestão estratégica mais aberta, colaborativa e orientada ao longo prazo
A gestão estratégica na educação foi colocada no centro do debate na abertura do GEduc 2026. O alerta foi feito diretamente às lideranças escolares: sem mudança de mentalidade, não há inovação. E sem inovação não há futuro sustentável para as instituições de ensino.
“Não há inovação onde há medo de errar. E não há crescimento onde falta humildade para reconhecer que é preciso mudar”, sintetizou Sonia Simões Colombo, head de Conteúdo do GEduc. A provocação central parte de um diagnóstico incômodo para lideranças escolares: estruturas, práticas e modelos de gestão seguem ancorados em referências que já não respondem à complexidade contemporânea.
Em um ambiente onde as fronteiras entre setores se dissolvem, novas formas de concorrência surgem de maneira inesperada. As demandas das famílias se tornam mais dinâmicas, a permanência em lógicas consolidadas passa a representar um risco estratégico concreto. Nesse contexto, a gestão estratégica na educação deixa de ser uma dimensão técnica restrita ao planejamento formal e assume um papel mais profundo.
As palestras magnas que abriram o Congresso Brasileiro de Gestão Educacional no GEduc 2026 fizeram uma espécie de crossover entre gestão estratégica e construção de futuros. Temas que, na educação, exigem ser tratados como uma combinação que demandam coragem para mudar, inteligência para planejar e paciência para sustentar escolhas ao longo do tempo.




Palestras magnas ampliam debate sobre mentalidade e estratégia
A discussão proposta nas palestras magnas do evento ampliaram a análise sobre comportamento, liderança e transformação no contexto educacional. As duas abordagens evidenciaram que a gestão estratégica na educação depende de uma articulação consistente entre mentalidade e execução. O que exige líderes capazes de transitar entre reflexão crítica e ação estruturada.
De um lado, Heloisa Périssé explorou dimensões relacionadas à atitude, à vulnerabilidade e à capacidade de adaptação diante de cenários desafiadores com o tema “O futuro com a mente aberta: o olhar sensível pra novos tempos”. De outro, Sandro Magaldi fala sobre “Arquitetar futuros – a estratégia para sobreviver e prosperar no amanhã” e aprofunda a leitura sobre estratégia, competitividade e reposicionamento organizacional.
Ao convergirem, as duas palestras reforçam uma mesma direção: a transformação da educação não se sustenta apenas em modelos ou ferramentas. Ela depende da articulação entre mentalidade e estratégia — entre a disposição individual para mudar e a capacidade institucional de responder a um cenário que já não admite respostas simples.
O educador21, apoiador e parceiro de produção de conteúdo do GEduc, traz informações de bastidores, tendências e debates relevantes às lideranças educacionais que participarão do congresso. Você pode acompanhar diretamente no Hub de Coberturas, no portal, e também pelas nossas redes sociais.

Heloisa Périssé é atriz, humorista e autora de livros e peças teatrais
Sem mudança de mentalidade, não há transformação educacional
A atriz e escritora Heloisa Périssé conduziu sua fala a partir de uma dimensão menos explorada na gestão escolar — a forma como indivíduos lidam com mudança, erro e aprendizado. Ao defender uma postura mais aberta diante das próprias limitações, ela desloca o foco da performance para o processo, sugerindo que a evolução passa, прежде de tudo, por uma revisão interna.
“O futuro não pertence às pessoas perfeitas. O futuro pertence às pessoas que têm mente aberta”, afirmou. A frase sintetiza uma linha de raciocínio que atravessa toda a apresentação: a dificuldade de mudar não está na ausência de capacidade, mas na resistência em abandonar certezas e admitir a necessidade de transformação.
Ao longo da fala, a ideia de “metanoia” — mudança de mentalidade — aparece como um ponto de virada. Não se trata de ajuste incremental, mas de uma ruptura na forma de interpretar a realidade. Nesse contexto, reconhecer o erro deixa de ser sinal de fragilidade e passa a ser um indicativo de inteligência e maturidade, condição essencial para ambientes que pretendem inovar de forma consistente.
A reflexão também alcança o campo educacional ao abordar a relação entre escolas, famílias e estudantes. Ao destacar que nem todos os alunos respondem aos mesmos estímulos ou formatos, a fala tensiona modelos ainda predominantes de ensino e aponta para a necessidade de ampliar repertórios pedagógicos sem reduzir expectativas sobre o potencial dos estudantes.

Legenda: Sandro Magaldi, um dos maiores especialistas em gestão estratégica e inovação do Brasil
Gestão estratégica na educação exige visão de longo prazo
Essa dimensão comportamental encontra eco, em outra chave, na apresentação de Sandro Magaldi, que desloca o debate para o campo da estratégia e da adaptação organizacional. Partindo de sua experiência como pesquisador em gestão, o especialista propõe uma leitura estruturada do momento atual, marcado por transformações que vão além da tecnologia.
“Estamos passando por um momento revolucionário na humanidade”, afirmou o palestrante, ao citar a combinação entre avanço tecnológico e um conjunto de ideias que, segundo ele, está redesenhando a forma de governar, ensinar, aprender e conduzir negócios. A análise amplia o escopo do debate e posiciona a educação dentro de um movimento sistêmico, e não isolado.
Ao trazer essa perspectiva para o cotidiano das escolas, Magaldi aponta para mudanças concretas no comportamento de alunos e famílias, especialmente no que diz respeito à relação com o tempo, à velocidade das respostas e à disputa pela atenção. “Os nossos alunos não aprendem como antes — e não é uma percepção, é a realidade”, disse, ao destacar o impacto direto dessas transformações nos processos de ensino e aprendizagem.
Nesse ambiente, a gestão escolar passa a operar sob novas pressões. A multiplicação das fontes de informação, a centralidade dos algoritmos e a mudança nos padrões cognitivos tornam mais complexo o papel das instituições como mediadoras do conhecimento. O desafio deixa de ser apenas ensinar conteúdos e passa a envolver a capacidade de manter relevância em um ecossistema onde a atenção é disputada de forma permanente.










