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Uso de IA na educação cresce entre alunos e professores brasileiros. Edtech nacional desenvolve tecnologia própria e amplia protagonismo do país

A inteligência artificial deixou de ser tendência para se tornar prática consolidada no cotidiano escolar. O uso de IA na educação já faz parte da rotina de estudantes e professores no Brasil, indicando uma transformação concreta nos modos de ensinar e aprender. Dados recentes revelam que a tecnologia não está apenas sendo consumida, mas também produzida no país.

Levantamento da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), em parceria com a Educa Insights, aponta que 70% dos universitários ou candidatos ao ensino superior utilizam IA nos estudos. Entre eles, 29% afirmam recorrer às ferramentas diariamente e 42% semanalmente. O dado evidencia que a adoção já ultrapassou a fase experimental.

Na educação básica, o movimento segue o mesmo ritmo. Pesquisa conduzida pelo Instituto Significare em parceria com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) mostra que 54% dos professores já utilizaram IA para criar atividades ou exercícios adaptados ao nível dos alunos.

Esses números indicam que a IA passou a integrar práticas pedagógicas formais, alterando processos de planejamento, avaliação e personalização do ensino.

Produção nacional de IA ganha escala

O avanço não se limita ao uso de ferramentas estrangeiras. A pesquisa “Inteligência Artificial na Educação: usos, oportunidades e riscos no cenário brasileiro”, publicada em 2025 pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), aponta que o Brasil já desenvolve modelos próprios voltados à personalização da aprendizagem e geração de conteúdos multimodais.

Nesse contexto surge a BeConfident, edtech criada em 2023 por jovens da periferia de São Paulo. A empresa lançou o BeConfident Labs, núcleo de pesquisa responsável pelo desenvolvimento do Confiante G1, modelo fundacional multimodal voltado ao ensino de idiomas.

Segundo Felipe Tiozo, CTO da startup, o cenário educacional brasileiro já demonstra maturidade tecnológica. “Esse movimento revela que a inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e já está presente no cotidiano escolar brasileiro”, afirmou.

O Confiante G1 combina texto, áudio, vídeo e conversação em tempo real dentro de um único sistema de avaliação. A tecnologia já foi testada em mais de 1 milhão de aulas e atende aproximadamente 2 milhões de estudantes em diferentes países.

Metodologia própria e código aberto

Um dos diferenciais do modelo está na metodologia chamada “cluster-based rubrics”, que permite avaliar respostas em múltiplos formatos sem a necessidade de sistemas separados. A estrutura organiza métricas em três grandes eixos: alinhamento pedagógico, ritmo engajador e correção de formato.

De acordo com Gui Dávid, head de IA da empresa, a tecnologia ativa apenas critérios relevantes para cada tipo de aula, garantindo coerência pedagógica e reduzindo distorções na avaliação automática.

Além do desenvolvimento técnico, parte da infraestrutura foi disponibilizada em código aberto por meio do RFTKit, pipeline de reforço e fine-tuning criada pelo laboratório. A iniciativa posiciona o Brasil não apenas como usuário, mas como produtor de conhecimento científico em IA educacional.

O movimento dialoga diretamente com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, responsável pelo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (2025), que estabelece a educação como área prioritária para investimentos em pesquisa aplicada, personalização do ensino e formação docente.

Ao mesmo tempo em que amplia o acesso a ferramentas digitais, a consolidação da IA na educação brasileira indica um novo estágio: o da autonomia tecnológica. Se antes o debate se concentrava nos riscos e possibilidades do uso, agora passa a incluir protagonismo na criação de soluções alinhadas à realidade local.

O desafio, daqui em diante, será garantir que essa produção avance com responsabilidade ética, formação adequada de professores e políticas públicas que assegurem equidade no acesso — transformando a inteligência artificial em instrumento estruturante de qualidade educacional.

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