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Estudo apresentado na Bett Brasil 2026 aponta que escolas ainda utilizam inteligência artificial de forma limitada e pouco estratégica no aprendizado

No segundo dia da Bett Brasil 2026, foi apresentado um panorama global sobre os primeiros impactos do uso de inteligência artificial dentro das escolas, com base no relatório mais recente da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), “Digital Education Outlook 2026 – Exploring Effective Uses of Generative AI in Education”, publicação de referência sobre o tema.

O estudo buscou identificar pesquisas e ferramentas de inteligência artificial que estão sendo utilizadas nas escolas, com o objetivo de entender se esses recursos realmente contribuem para elevar o nível de ensino e aprendizagem. Para isso, o relatório se estruturou em três vertentes: a interação do aluno com a IA, o uso da ferramenta por professores e seus efeitos na gestão educacional.

Como ponto de partida, a diretora de Educação e Habilidades da Organização para Cooperação da OCDE, Lucia Dellagnelo, afirma que o primeiro passo necessário para implementação da inteligência artificial nas escolas é entender de maneira estratégica qual o papel da IA na educação. “O Brasil não está atrasado na implementação de IA dentro do sistema educativo. Essa tecnologia chegou há pouco tempo e se espalhou de forma muito rápida, por isso grande parte dos países ainda estão tentando entender como incorporar a IA dentro do currículo”.

Uso da IA ainda é feito de forma superficial por alunos e professores

Do ponto de vista dos estudantes, o relatório destaca que o uso da IA já é uma realidade, mas ainda ocorre de forma bastante tradicional, funcionando principalmente como uma ferramenta de pesquisa ampliada. Segundo os dados, 56% dos alunos afirmam utilizar a IA para obter informações, enquanto apenas 21% a utilizam para construir itinerários informativos mais elaborados.

Essa tendência também aparece entre os professores. A maioria dos docentes utiliza a inteligência artificial de maneira superficial, sobretudo para elaborar resumos de conteúdos e criar roteiros de aula. Apesar disso, o estudo aponta um grau maior de otimismo entre professores brasileiros em relação ao uso da IA, quando comparados a docentes de países como França e Japão.

No caso dos docentes, o uso da IA generativa se organiza em três formas principais: substituição, complementariedade e ampliação. O relatório reforça que os docentes precisam de letramento contínuo em IA, e não apenas formações pontuais. A tecnologia tende a funcionar melhor quando o professor é responsável pelo desenho das atividades, já que nenhum plano de aula com IA substitui o julgamento profissional.

O levantamento também evidencia diferenças relevantes nos impactos do uso da IA generativa no curto, médio e longo prazo. Tendo em vista esse ponto, Lucia exemplifica que um bom desempenho em avaliações com apoio da IA não necessariamente indica aprendizado consolidado.

“O que temos notado é que a curto prazo existe uma melhora no desempenho imediato do aluno quando ele usa a IA para estudar para um teste, por exemplo. No entanto, quando analisamos a médio e longo prazo, é notável que a ferramenta dificulta o processo de desenvolvimento da habilidade, já que os alunos esquecem mais facilmente do conteúdo”, explicou.

IA tem potencial pedagógico, mas ainda enfrenta desafios na implementação

Como contraponto, o estudou mostrou que ferramentas de IA desenvolvidas especificamente para o contexto educacional apresentam resultados mais positivos. O estudo aponta ganhos de produtividade, especialmente na gestão de processos, como sistemas capazes de identificar riscos de evasão escolar, por exemplo.

Entre as principais conclusões do relatório está a distinção entre fazer tarefas com IA e aprender com ela. Por isso, a diretora da OCDE destaca a importância do incentivo ao pensamento individual. “À medida que as máquinas ficam mais inteligentes, as habilidades humanas se tornam ainda mais importantes. Os estudantes precisam aprender a pensar sem a IA generativa, antes de aprender com prompts.”

Por fim, o relatório aponta que o uso eficaz da IA na educação começa com uma reflexão fundamental: o que é ensinar e o que caracteriza uma boa prática pedagógica. A partir dessa compreensão, torna-se possível identificar como a tecnologia pode ser utilizada para potencializar o processo de aprendizagem.

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