Movimento liderado pela FTD Educação com a chegada de Sandro Bonás reforça uma tendência que coloca a inteligência artificial a serviço da aprendizagem, dos professores e da formação integral
O debate sobre inteligência artificial na educação entra em uma nova etapa. Depois da rápida popularização de ferramentas generativas, como assistentes de texto e imagem, escolas e empresas do setor começam a discutir um desafio mais complexo: transformar tecnologias de uso geral em soluções desenvolvidas para apoiar a aprendizagem, fortalecer o trabalho docente e responder às necessidades pedagógicas das redes de ensino.
Esse movimento ganhou um novo capítulo com o anúncio de Sandro Bonás como diretor-geral da FTD Educação. A mudança de liderança representa mais do que uma troca de executivos. Sinaliza uma estratégia voltada ao desenvolvimento de inteligência artificial concebida para o contexto educacional, alinhando inovação tecnológica, formação integral e apoio às práticas pedagógicas em escolas públicas e privadas.
Segundo Bonás, o desafio já não está apenas em utilizar inteligência artificial, mas em definir como ela será incorporada ao processo educativo. Para o executivo, a diferença entre uma IA comercial e uma IA pedagógica está na intencionalidade. Enquanto plataformas generalistas respondem a diferentes demandas do mercado, soluções educacionais precisam considerar objetivos de aprendizagem, proteção de dados, mediação docente e desenvolvimento humano.
“O desafio da educação agora é sair das IAs comerciais e ir para as IAs pedagógicas, com foco real na aprendizagem e na formação integral dos estudantes”, afirmou Sandro Bonás.

Sandro Bonás Foto: divulgação
IA amplia o trabalho do professor, não o substitui
A discussão ganha relevância em um cenário no qual a inteligência artificial já faz parte da rotina dos estudantes. Segundo dados apresentados pela FTD Educação, cerca de 84% dos alunos utilizam ferramentas de IA em atividades do dia a dia, muitas vezes sem qualquer orientação pedagógica. Para gestores educacionais, esse cenário amplia a necessidade de políticas e estratégias que orientem o uso responsável dessas tecnologias dentro das escolas.
Na avaliação de Bonás, a inteligência artificial produz melhores resultados quando fortalece o papel do professor. Em vez de substituir decisões pedagógicas, a tecnologia pode assumir tarefas repetitivas, organizar informações e gerar evidências que apoiem intervenções mais precisas junto aos estudantes.
“A beleza da IA pedagógica está em amplificar a capacidade dos professores para impactar a aprendizagem. Com controle, salvaguarda e propósito, senão a IA pode oferecer um cenário perigoso”, destacou o executivo.
Esse conceito já orienta parte das soluções desenvolvidas pela FTD Educação. Um exemplo é o Flui, plataforma que utiliza inteligência artificial para avaliar a fluência leitora nos anos iniciais do Ensino Fundamental. A ferramenta, presente em 75 redes municipais, fornece diagnósticos que ajudam professores a identificar dificuldades de leitura e planejar intervenções pedagógicas com base em evidências.
Formação humana diferencia a próxima geração de IA
Embora a inteligência artificial ocupe lugar central na estratégia da companhia, a tecnologia aparece como meio, e não como finalidade. A proposta apresentada pela nova gestão reforça uma visão segundo a qual inovação educacional deve caminhar ao lado da formação integral, das competências socioemocionais e da construção de valores humanos.
Esse posicionamento também orienta a expansão da empresa em áreas como educação bilíngue, sistemas de ensino, soluções para redes públicas e programas voltados ao desenvolvimento integral dos estudantes. O objetivo é combinar desempenho acadêmico com práticas pedagógicas capazes de fortalecer autonomia, pensamento crítico e participação social. Para Bonás, esse debate se torna ainda mais relevante diante da concentração global das plataformas de inteligência artificial nas mãos de poucas empresas de tecnologia.
Nesse contexto, organizações educacionais assumem responsabilidade crescente na definição dos princípios que orientarão o uso dessas ferramentas dentro das escolas. “O mundo está caótico. O medo é ter tecnologia e esquecer os valores. Nos próximos anos, a tecnologia será cada vez mais acessível. O diferencial continuará sendo a formação humana”, afirmou.
A chegada de Sandro Bonás à FTD Educação simboliza uma mudança que começa a ganhar força em todo o setor educacional. Se a primeira fase da inteligência artificial foi marcada pela adoção acelerada de ferramentas generativas, a próxima tende a ser definida pela capacidade de transformar essas tecnologias em experiências de aprendizagem intencionais, seguras e alinhadas aos objetivos da educação. Nesse cenário, a IA pedagógica desponta como uma das principais agendas para gestores, professores e redes de ensino.










