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Educação, robótica, centros de inovação e políticas públicas formam um ecossistema que conecta escolas, empreendedorismo e desenvolvimento econômico, colocando o estado entre as referências nacionais em inovação

A inovação em Santa Catarina começa muito antes da criação de startups ou da consolidação de empresas de tecnologia. Ela nasce nas escolas, ganha força em iniciativas de educação tecnológica e robótica e se expande por um ecossistema que conecta universidades, centros de inovação, poder público e setor produtivo. Esse movimento ajuda a explicar por que o estado ocupa hoje uma posição de destaque entre as referências nacionais em inovação e desenvolvimento econômico.

Os resultados dessa estratégia aparecem em diferentes indicadores. No Ranking de Competitividade dos Estados 2025, Santa Catarina ocupa a segunda colocação nacional no pilar Inovação, atrás apenas de São Paulo. O estado também lidera o país em segurança pública e capital humano, dois fatores que fortalecem sua capacidade de atrair investimentos, ampliar a competitividade e criar um ambiente favorável ao surgimento de novos negócios. Para gestores educacionais, os números mostram que o fortalecimento de um ecossistema inovador depende de investimentos contínuos na formação de pessoas, muito antes da entrada dos jovens no mercado de trabalho.

Essa relação entre educação e desenvolvimento econômico tem ganhado força à medida que escolas ampliam experiências ligadas à tecnologia, à robótica e ao pensamento computacional. Nessas atividades, os estudantes deixam de apenas consumir tecnologia para criar soluções, testar hipóteses, trabalhar em equipe e desenvolver competências como criatividade, autonomia e resolução de problemas. O resultado é uma formação mais alinhada às demandas de um mercado que valoriza inovação e capacidade de adaptação.

Na avaliação de André Brandão Sala, CEO da Robomind, empresa especializada em educação tecnológica e robótica responsável pela organização da etapa brasileira da World Robot Olympiad (WRO), esse processo começa muito antes da criação de empresas inovadoras. “Quando falamos em inovação, muitas vezes pensamos apenas em startups ou empresas de tecnologia. Mas a inovação começa muito antes disso. Ela nasce quando crianças e jovens são incentivados a experimentar e enxergar problemas como oportunidades. Esse é um processo que começa dentro das escolas e que gera impactos para toda a sociedade no longo prazo”, afirma.

Ecossistema de inovação em Santa Catarina conecta escola e empreendedorismo

A formação de estudantes preparados para inovar representa apenas a primeira etapa desse processo. Em Santa Catarina, a trajetória continua por meio de uma rede composta por universidades, incubadoras, centros de inovação, investidores e empresas que trabalham de forma integrada para transformar conhecimento em desenvolvimento econômico. Essa articulação ajuda a explicar por que o estado mantém um dos ambientes mais favoráveis do país para a criação e o crescimento de negócios inovadores.

Um dos principais exemplos dessa estrutura é o Centro de Inovação Blumenau (CIB), hub regional de inovação gerido pelo Instituto Gene que reúne setor público, iniciativa privada, universidades e organizações da sociedade civil para acelerar projetos inovadores e fortalecer o empreendedorismo no Vale Europeu catarinense. Em cinco anos de operação, as startups residentes no espaço captaram mais de R$ 18 milhões em investimentos e impactaram mais de 111 mil pessoas. Além disso, o centro desenvolve ações em 11 municípios da área de abrangência da Associação dos Municípios do Vale Europeu (AMVE), fortalecendo a inovação em escala regional.

Para Junior Gama, coordenador do Programa Conecta AMVE do CIB, o diferencial catarinense está justamente na capacidade de conectar diferentes instituições em torno de objetivos comuns. “A inovação acontece quando existe conexão. Universidades, empresas, poder público, investidores, centros de inovação e instituições de ensino têm papéis complementares na formação de talentos e no desenvolvimento de soluções. O sucesso do ecossistema catarinense está justamente na capacidade de promover essa articulação e incentivar essas ideias que depois acabam virando negócios”, destaca.

Essa integração também cria oportunidades para que estudantes encontrem caminhos de continuidade após a educação básica. Ao aproximar escolas de universidades, centros de pesquisa e ambientes de empreendedorismo, o estado estabelece uma cadeia de desenvolvimento capaz de transformar experiências educacionais em projetos, pesquisas, startups e novos negócios. Para gestores escolares, esse movimento reforça a importância de aproximar o currículo de desafios reais e de fortalecer metodologias que estimulem protagonismo e aprendizagem ativa.

Educação impulsiona a próxima geração da inovação catarinense

O fortalecimento desse ambiente ganhou novo impulso com a continuidade do Programa SC Mais Inovação, iniciativa do Governo de Santa Catarina voltada à ampliação das conexões entre universidades, empresas, startups, centros de inovação, investidores, entidades representativas e poder público. A proposta busca consolidar uma rede estadual capaz de acelerar o desenvolvimento tecnológico e ampliar a competitividade da economia catarinense por meio da cooperação entre diferentes atores.

Para as escolas, esse cenário representa uma oportunidade de reposicionar o papel da educação dentro do ecossistema de inovação. Robótica educacional, cultura maker, programação e pensamento computacional deixam de ser projetos complementares e passam a integrar uma estratégia mais ampla de formação de estudantes preparados para investigar problemas, trabalhar colaborativamente, desenvolver soluções e aprender continuamente. Essas competências aparecem cada vez mais entre as habilidades valorizadas pelo mercado e pelas organizações que lideram a transformação digital.

Ao mesmo tempo, o caso catarinense demonstra que políticas públicas de inovação produzem resultados mais consistentes quando dialogam com a educação. Ambientes inovadores não surgem apenas a partir de incentivos econômicos ou da instalação de empresas de tecnologia. Eles dependem da formação de pessoas capazes de criar conhecimento, conectar diferentes áreas e transformar ideias em soluções de impacto para a sociedade.

Mais do que ocupar posições de destaque em rankings nacionais, o ecossistema de inovação em Santa Catarina oferece uma referência para gestores educacionais de todo o país. A experiência do estado mostra que a inovação não começa na abertura de uma startup nem na chegada ao ensino superior. Ela nasce na escola, quando estudantes são incentivados a experimentar, colaborar, desenvolver pensamento crítico e compreender que resolver problemas pode ser o primeiro passo para transformar comunidades, fortalecer economias regionais e construir o futuro.

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