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Painel do GEduc 2026 debate como dados, processos e integração entre áreas estruturam decisões mais eficientes na captação e retenção de alunos

A inteligência de mercado na educação ganhou protagonismo na Jornada de Marketing Educacional e Growth do GEduc 2026, ao evidenciar um movimento cada vez mais urgente: transformar dados em decisões concretas dentro das instituições. No painel “Concorrência invisível – com quem estamos realmente competindo pelos alunos?”, o tema foi abordado a partir da prática de grandes grupos educacionais, com foco direto na realidade de gestores e mantenedores.

O debate reuniu Vanessa Pancioni, head de Negócios Acadêmicos da VOOMP (empresa do Grupo Cogna), e Andrey Schimitt Damas, fundador da Inspire+. A dupla de debatedores apresentou caminhos possíveis para estruturar uma cultura orientada por dados. A discussão partiu de um ponto comum: muitas instituições já possuem informações valiosas, mas ainda não conseguem utilizá-las de forma estratégica.

Ao longo da conversa, ficou evidente que o desafio não está apenas na coleta de dados, mas na capacidade de priorização, leitura e ação. Para gestores, isso significa abandonar a ideia de controle total e avançar para decisões progressivas, conectadas às principais dores da instituição e aos seus pontos críticos de desempenho.

Inteligência de mercado na educação começa pela definição de prioridades

A discussão sobre inteligência de mercado na educação ganhou densidade ao abordar um dos erros mais comuns das instituições: tentar monitorar todos os dados ao mesmo tempo, sem uma estratégia clara de priorização. O painel reforçou que a construção de uma cultura orientada por dados precisa partir de escolhas objetivas, conectadas às principais dores da escola, como captação, rematrícula ou desempenho acadêmico.

Nesse contexto, os especialistas destacaram que muitas instituições já possuem dados relevantes, mas ainda carecem de organização e intencionalidade no uso dessas informações. Pesquisas de satisfação, histórico de captação e indicadores pedagógicos formam uma base consistente para decisões mais assertivas, desde que estejam alinhados a objetivos claros e acompanhados de forma contínua.

“Se eu falar que vocês precisam olhar todos os dados, vocês vão se frustrar. Cultura de dados se constrói aos poucos, começando pelas dores mais urgentes da instituição”, disparou Vanessa Pancioni. A executiva reforçou, ainda, que o uso inteligente de indicadores passa pela capacidade de aprofundamento, especialmente em métricas como o NPS, que podem revelar oportunidades estratégicas quando analisadas além do resultado numérico. A leitura qualitativa, nesse caso, torna-se decisiva para orientar melhorias concretas na experiência das famílias.

Ao mesmo tempo, a estruturação da jornada do aluno — da atração à matrícula e à permanência — foi apontada como elemento essencial para dar visibilidade às perdas ao longo do processo. “Olhar a jornada do lead à matrícula e depois à permanência é essencial para entender eficiência operacional e tomar decisões mais assertivas”, pontuou Andrey. A ausência desse mapeamento compromete a eficiência das ações e dificulta a identificação de gargalos operacionais.

Integração entre áreas e novos concorrentes redefinem a estratégia

Outro eixo central do painel foi a necessidade de integração entre marketing, comercial e pedagógico, considerada uma das principais fragilidades das instituições educacionais. A fragmentação entre áreas ainda limita o uso efetivo dos dados, impedindo que as informações sejam interpretadas de forma contextualizada e convertidas em ações coordenadas dentro da escola ou da instituição.

A discussão evidenciou que indicadores como evasão e conversão não podem ser analisados de forma isolada, pois refletem múltiplos fatores que atravessam diferentes áreas da organização. Nesse sentido, a inteligência de mercado exige uma leitura sistêmica, capaz de conectar dados operacionais à realidade acadêmica e à experiência do aluno. “O aluno nunca evade por um único motivo. É um conjunto de fatores, e o acadêmico precisa estar junto para interpretar esse contexto”, afirmou o fundador da Inspire+.

Além da integração interna, o painel ampliou o olhar sobre o cenário competitivo, destacando que as instituições educacionais enfrentam hoje uma concorrência mais difusa e complexa. Plataformas digitais, criadores de conteúdo e novos formatos de aprendizagem passam a disputar atenção, tempo e investimento das famílias, exigindo reposicionamento estratégico.

Esse movimento reforça a necessidade de clareza institucional sobre proposta de valor, posicionamento e diferenciais competitivos. Mais do que reagir ao que outras escolas fazem, o desafio passa a ser compreender o próprio modelo e sua capacidade de responder às novas demandas do mercado. “A gente não está competindo só com outras escolas. Estamos competindo com influenciadores, infoprodutos e novas formas de aprender”, ponderou a head de Negócios da VOOPM.

Ao final do painel, a mensagem central foi clara: inteligência de mercado na educação não se resume à coleta de dados, mas à capacidade institucional de transformar informação em decisão e decisão em ação. Em um cenário de mudanças aceleradas, essa competência passa a ser determinante para a sustentabilidade e a relevância das instituições.

O educador21 é apoiador e parceiro de produção de conteúdo do GEduc. Lado a lado com a organização do evento, trazemos informações de bastidores, tendências e debates relevantes às lideranças educacionais que participarão do congresso. Você pode acompanhar diretamente no Hub de Coberturas, no portal, e também pelas nossas redes sociais. Nos vemos no GEduc 2027.

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