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Evento reúne especialistas para discutir como currículo global, inteligência artificial, políticas públicas e competências internacionais estão redesenhando a educação básica brasileira

Durante muitos anos, falar em internacionalização na educação significava, quase sempre, discutir programas de intercâmbio, ensino bilíngue ou parcerias entre escolas brasileiras e instituições estrangeiras. Esse conceito, porém, começa a assumir um significado muito mais amplo.

Em um cenário marcado pelo avanço da inteligência artificial, pela crescente demanda por competências globais e pelas transformações no mundo do trabalho, a internacionalização passa a ocupar espaço nas discussões sobre currículo, formação docente e políticas públicas. Essa mudança será o eixo central do International Education Summit 2026, que acontece nos dias 10 e 11 de setembro, em São Paulo.

Em sua quarta edição, o encontro reunirá gestores escolares, mantenedores, professores, orientadores acadêmicos, pesquisadores, representantes de universidades internacionais e empresas de tecnologia educacional para discutir como preparar escolas e estudantes para uma realidade cada vez mais conectada. A proposta vai além de apresentar experiências internacionais: o objetivo é refletir sobre como princípios da educação global podem ser incorporados ao cotidiano das instituições de ensino brasileiras.

Para gestores educacionais, a principal mudança talvez esteja na própria compreensão do conceito de internacionalização. Se antes ele aparecia como um diferencial oferecido por poucas instituições, hoje passa a ser tratado como uma estratégia capaz de influenciar decisões curriculares, práticas pedagógicas e o desenvolvimento das competências necessárias para que estudantes atuem em contextos acadêmicos e profissionais cada vez mais diversos.

A programação evidencia essa mudança de perspectiva. Em vez de concentrar os debates em mobilidade estudantil ou certificações internacionais, o Summit coloca em pauta temas como currículo global, inteligência artificial, Base Nacional Comum Curricular (BNCC), Plano Nacional de Educação (PNE), competências do século 21, liderança escolar e equidade no acesso às oportunidades internacionais. O evento também reserva espaço para laboratórios práticos voltados ao planejamento de estratégias de internacionalização nas escolas.

A iniciativa é promovida pela Efígie Academy, braço educacional da startup brasileira especializada em educação internacional. Ao longo dos últimos anos, a Efígie ampliou sua atuação junto a escolas privadas por meio de programas de dupla certificação, formação de counselors, missões internacionais e projetos voltados ao desenvolvimento das chamadas competências globais. O Summit consolida esse movimento ao reunir especialistas brasileiros e internacionais em torno de uma agenda que dialoga diretamente com os desafios da educação contemporânea.

Currículo global amplia o debate sobre internacionalização

Um dos principais eixos do International Education Summit será justamente discutir como construir um currículo global sem perder de vista as especificidades da educação brasileira. A programação prevê debates sobre a integração entre internacionalização, BNCC e formação por competências, indicando que o desafio deixou de ser apenas oferecer experiências internacionais e passou a envolver a organização dos processos de ensino e aprendizagem.

Entre os temas previstos estão questões que ainda ocupam pouco espaço nas discussões nacionais, como o papel da internacionalização no novo Plano Nacional de Educação, os limites entre equidade e acesso às oportunidades internacionais e a possibilidade de integrar competências globais às práticas pedagógicas da educação básica. Ao reunir pesquisadores, gestores públicos e representantes de escolas, o Summit pretende aproximar experiências já consolidadas de reflexões sobre políticas educacionais.

Outra evidência desse amadurecimento é o crescimento da atuação dos chamados counselors, profissionais responsáveis por orientar estudantes em processos de internacionalização acadêmica e planejamento de carreira. Segundo dados apresentados pela Efígie Academy, a contratação desses especialistas em escolas privadas cresceu 45% entre 2020 e 2024, movimento que culminou na criação da primeira pós-graduação brasileira dedicada à formação de coordenadores de aconselhamento internacional, desenvolvida em parceria com a Facamp.

A programação também amplia o olhar para a escola pública. Um dos painéis analisará o programa paulista Prontos para o Mundo, iniciativa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo voltada ao intercâmbio internacional de estudantes da rede estadual. A proposta é discutir como experiências dessa natureza podem contribuir para ampliar oportunidades educacionais e quais desafios ainda precisam ser enfrentados para garantir acesso mais democrático à educação internacional.

Inteligência artificial e competências globais entram na agenda das escolas

Outro tema que atravessa praticamente toda a programação é o impacto da inteligência artificial sobre a educação global. Em vez de discutir apenas o uso de ferramentas digitais em sala de aula, os debates pretendem analisar como a IA modifica o próprio significado do conhecimento escolar e quais competências passam a ganhar relevância em um contexto em que a informação está cada vez mais acessível.

Essa perspectiva desloca o foco da aprendizagem para habilidades que dificilmente podem ser automatizadas, como pensamento crítico, colaboração, comunicação intercultural, criatividade e tomada de decisão ética. Nesse cenário, a internacionalização deixa de ser entendida apenas como preparação para estudar no exterior e passa a representar uma oportunidade de desenvolver repertórios capazes de conectar estudantes a diferentes culturas, formas de pensar e desafios globais.

Além das conferências e painéis, o segundo dia do evento contará com uma Arena de Soluções, dedicada à apresentação de tecnologias educacionais, e com laboratórios de internacionalização nos quais gestores e educadores poderão construir planos práticos para implementação de estratégias em suas instituições. A proposta reforça uma característica do Summit: aproximar a reflexão acadêmica das decisões tomadas diariamente pelas escolas.

Ao reunir pesquisadores, especialistas em políticas públicas, lideranças escolares e representantes do setor de tecnologia educacional, o International Education Summit 2026 sinaliza que o currículo global deixa de ser uma tendência restrita a programas internacionais e passa a integrar uma discussão mais ampla sobre o futuro da educação básica. Confira a programação completa aqui.

Para gestores e educadores, acompanhar esse debate significa compreender como internacionalização, inovação e desenvolvimento de competências podem se transformar em elementos permanentes do planejamento pedagógico das escolas brasileiras. As inscrições para participar do evento permanecem abertas neste link.

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