IV Encontro de Educadores do Século XXI discutirá como a inteligência artificial está redefinindo currículo, formação docente e gestão escolar nos dias 14 e 15 de agosto, no Rio de Janeiro
Durante muito tempo, o debate sobre inteligência artificial na educação esteve concentrado na chegada de novas ferramentas às salas de aula. A rápida disseminação das plataformas generativas, entretanto, deslocou a discussão para outro nível. Em vez de perguntar quais tecnologias utilizar, redes de ensino e gestores passaram a discutir como reorganizar currículos, rever processos de avaliação e preparar professores para um cenário em que a IA passa a integrar o cotidiano das escolas.
Essa mudança de foco estará no centro do IV Encontro de Educadores do Século XXI – Inteligência Artificial e o Futuro da Educação, promovido pela Casa Firjan e pela Firjan Sesi, nos dias 14 e 15 de agosto, no Rio de Janeiro. Gratuito e presencial, o encontro reunirá pesquisadores, gestores públicos, professores e especialistas para discutir os impactos pedagógicos, éticos e institucionais da inteligência artificial na Educação Básica. As participações devem ser formalizadas neste link.
A programação foi estruturada para responder a uma pergunta que começa a orientar decisões nas redes de ensino: como incorporar a inteligência artificial sem reduzir a educação ao uso de novas tecnologias? Ao longo de dois dias, conferências, painéis e oficinas abordarão temas como formação docente, governança digital, metodologias ativas, educação midiática, inclusão e inovação pedagógica.
Para gestores educacionais, o encontro oferece um panorama das discussões que começam a influenciar políticas institucionais, projetos pedagógicos e estratégias de formação continuada. O educador21 acompanhará o evento presencialmente e publicará reportagens especiais sobre algumas das principais conferências da programação.
Inteligência artificial amplia agenda da gestão escolar
O encontro evidencia uma mudança que vem se consolidando nas escolas brasileiras. A inteligência artificial deixa de ser tratada apenas como recurso tecnológico e passa a integrar decisões relacionadas ao projeto pedagógico, à formação continuada de professores, à avaliação dos estudantes e à construção de políticas institucionais para o uso ético dessas ferramentas. A programação do primeiro dia concentra debates voltados a gestores, diretores e mantenedores, enquanto o segundo será dedicado às práticas desenvolvidas pelos professores em sala de aula.
Entre os convidados está George Stein, professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e fundador da Pedagog.IA, que apresentará o conceito de mediação docente aumentada. A proposta defende que a inteligência artificial deve ampliar — e não substituir — a atuação do professor, permitindo que a tecnologia assuma tarefas operacionais enquanto o educador fortalece o acompanhamento pedagógico e a mediação das aprendizagens.
Outro destaque é Paulo Fochi, professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e referência nacional em pedagogia da infância. Sua participação propõe um contraponto importante ao entusiasmo tecnológico ao discutir a importância das experiências presenciais, da documentação pedagógica e do brincar na Educação Infantil, especialmente em um contexto marcado pela expansão dos recursos digitais.
Também participam pesquisadoras como Kizzy Terra, que abordará letramento algorítmico e democratização da tecnologia; Geisielli Oliveira, que discutirá inteligência artificial e educação antirracista; Tathyana Gouvêa, com reflexões sobre políticas públicas para IA; além de Paula Carolei, Adriana Bruno e Bianca Martins, que apresentarão experiências relacionadas à cultura digital, design de aprendizagem e formação docente.
O avanço da inteligência artificial tornou inevitável uma revisão das práticas pedagógicas e das estratégias de gestão escolar. A programação do IV Encontro de Educadores do Século XXI oferece a oportunidade de acompanhar esse debate antes que as mudanças se consolidem nas redes de ensino. Para gestores e professores, compreender essas transformações deixou de ser apenas um diferencial e passou a fazer parte do planejamento da educação.










