Christian Rocha Coelho analisa as projeções de reajuste das escolas particulares e os desafios para equilibrar custos, investimentos e sustentabilidade financeira
Levantamento realizado com escolas particulares regulares, da educação infantil ao ensino médio, mostra tendência de antecipação das rematrículas e destaca desafios financeiros do setor educacional
As escolas particulares brasileiras devem aplicar, em média, um reajuste de aproximadamente 9% nas mensalidades para 2027, segundo pesquisa realizada pela Explora, empresa de pesquisa do Grupo Rabbit, com 580 escolas parceiras de todo o país em junho deste ano.
O índice projetado é ligeiramente inferior ao registrado no ano anterior, quando as instituições indicaram reajustes médios de 9,5%. Apesar da redução, o cenário reforça o desafio das escolas em equilibrar o aumento dos custos operacionais, os investimentos em qualidade pedagógica e a sustentabilidade financeira das instituições.
De acordo com o levantamento, a maior parte das escolas deve aplicar reajustes entre 8% e 10%:
- Até 7%: 20% das escolas
- De 8% a 10%: 73% das escolas
- De 11% a 12%: 5% das escolas
- De 13% a 15%: 1% das escolas
- Acima de 16%: 1% das escolas
Custos crescentes pressionam planejamento financeiro
Embora o reajuste esteja acima da inflação projetada para 2027, estimada em aproximadamente 5,5%, o setor educacional considera uma série de fatores para definir o valor das mensalidades.
Entre os principais fatores que impactam o planejamento financeiro estão:
- Aumento dos custos operacionais, como energia, tecnologia, materiais, benefícios, manutenção da estrutura física e novos projetos pedagógicos. Esses itens acompanham a inflação projetada e representam uma parcela significativa das despesas das instituições.
- Folha de pagamento, que representa aproximadamente 50% a 60% dos custos de uma escola. Os reajustes salariais dos professores, definidos por legislação trabalhista e negociações coletivas, geralmente apresentam índices superiores à inflação, gerando impacto direto no orçamento das instituições.
- Investimentos contínuos em infraestrutura, tecnologia, manutenção e inovação pedagógica, necessários para acompanhar as novas demandas das famílias e as transformações do mercado educacional.
Descontos concedidos impactam receita das escolas
A pesquisa também identificou que os alunos possuem, em média, 13,7% de desconto nas mensalidades. Grande parte desses descontos foi concedida durante a pandemia e mantida nos últimos anos como estratégia comercial diante do aumento da concorrência no setor.
Segundo o levantamento, a maioria das escolas ainda não conseguiu recuperar integralmente o valor real das mensalidades, o que reduz a receita efetiva e amplia o desafio de manter investimentos, qualidade pedagógica e equilíbrio financeiro.
Além disso, a pesquisa aponta que a lucratividade média das escolas particulares está em torno de 4,5%, um dos menores índices registrados nos últimos 15 anos, com exceção dos períodos de maior impacto inflacionário.
A redução das margens financeiras compromete a capacidade das instituições de ampliar investimentos, realizar reajustes salariais, modernizar estruturas e implementar novos projetos pedagógicos.
Escolas antecipam campanhas de rematrícula
Outro movimento identificado pela pesquisa é a antecipação das campanhas de rematrícula para 2027. A estratégia busca ampliar a previsibilidade financeira das instituições e reduzir riscos relacionados à inadimplência e aos atrasos nos pagamentos das famílias.
Entre as escolas pesquisadas, 44% iniciaram o processo de rematrícula em agosto e 40% em setembro. O calendário também sofreu influência do período eleitoral, levando algumas instituições a anteciparem seus planejamentos comerciais e de comunicação.
Novas regulamentações trazem desafios ao setor
Além dos custos tradicionais, as escolas também precisam se preparar para novos investimentos relacionados às mudanças regulatórias e sociais da educação.
Temas como a NR-1, o ECA Digital, o aumento da educação inclusiva e possíveis alterações na jornada de trabalho podem gerar novos custos operacionais e demandar adaptações estruturais, administrativas e pedagógicas.
Diante de um cenário de maior pressão nos custos e necessidade crescente de diferenciação, as escolas buscam equilibrar sustentabilidade financeira, valorização da experiência das famílias e evolução constante dos serviços educacionais oferecidos.

Empresário e CEO do Grupo Rabbit Educação, um ecossistema composto por empresas voltadas ao mercado educacional especializadas em gestão, treinamento e comunicação educacional para mais de 1.500 estabelecimentos de ensino em todo o Brasil.










