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Startup aposta na reindustrialização de móveis escolares para reduzir custos, ampliar escala e apoiar a modernização da infraestrutura educacional brasileira

A discussão sobre infraestrutura escolar voltou ao centro do debate educacional brasileiro nos últimos anos. Além da conectividade, da climatização e da tecnologia, cresce também a atenção para a qualidade física dos ambientes de aprendizagem. Nesse cenário, soluções ligadas à sustentabilidade e à redução de custos começam a ganhar espaço entre escolas públicas e privadas.

É nesse movimento que a Reescola, startup fundada em 2024, vem ampliando sua atuação no setor educacional. A empresa desenvolveu um modelo de reindustrialização de mobiliário escolar que transforma mesas e cadeiras usadas em novos conjuntos padronizados, com acabamento industrial e foco em escalabilidade.

Em pouco mais de um ano, a operação saiu de um espaço de 20 metros quadrados para uma estrutura de 2,5 mil metros quadrados. A startup faturou mais de R$ 1,7 milhão em 2025 e projeta crescimento de 110% em 2026. Atualmente, atende mais de 250 escolas públicas e privadas em diferentes regiões do país.

Segundo a empresa, mais de 3.500 conjuntos escolares já foram comercializados, gerando economia superior a R$ 2 milhões para instituições de ensino e evitando a emissão de mais de 14 toneladas de CO₂. A projeção para os próximos cinco anos é alcançar R$ 15 milhões de economia acumulada para o setor educacional.

O avanço ocorre em paralelo ao fortalecimento das discussões sobre infraestrutura mínima nas escolas brasileiras. Em março, foi sancionada a Lei 15.360, que estabelece parâmetros estruturais para unidades públicas de ensino. Ao mesmo tempo, redes educacionais seguem pressionadas por custos operacionais elevados e necessidade constante de renovação de equipamentos.

Mobiliário escolar sustentável ganha escala no setor

A proposta da Reescola busca justamente responder a esse desafio combinando sustentabilidade, padronização e previsibilidade operacional. O modelo reaproveita a estrutura metálica original das mesas e cadeiras escolares, enquanto componentes como assentos, encostos e tampos são substituídos por peças novas produzidas industrialmente.

As peças passam por processos de triagem, recuperação, lixamento, higienização e pintura industrial antes de retornarem às escolas. A empresa também produz tampos em MDF com fabricação própria, garantindo padronização estética e maior controle de qualidade.

Segundo Laura Camargos, biotecnologista e cofundadora da Reescola, o crescimento da empresa foi impulsionado pela estruturação do processo produtivo e não apenas pela expansão comercial. “Desenvolvemos uma tecnologia própria para transformar mobiliário escolar usado em produtos padronizados, com acabamento industrial, qualidade e previsibilidade. Isso permite que as escolas renovem estrutura com mais segurança e menor custo”, afirmou.

A estratégia de expansão também está ligada à adoção do modelo FNDE, referência nacional nas compras públicas de mobiliário escolar. Com isso, a startup amplia o potencial de atendimento às redes públicas de ensino em diferentes estados brasileiros.

Na rede privada, grupos educacionais como COC, Anglo, Objetivo e Kumon já adotaram a solução. A empresa afirma que o modelo atende uma demanda crescente por alternativas que conciliem eficiência financeira, rapidez de entrega e responsabilidade ambiental.

Com patente depositada e tecnologia proprietária, a Reescola avalia expandir futuramente o método para outros segmentos. No curto prazo, porém, o foco permanece na ampliação da capacidade produtiva e na consolidação nacional da operação em um mercado ainda pouco inovado, mas com demanda recorrente.

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