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A Equipe pedagógica do LIV analisa como a atualização da NR-1 muda a abordagem da saúde mental no trabalho e amplia o papel da gestão escolar na prevenção de riscos psicossociais

Durante muito tempo, falar sobre saúde mental no ambiente de trabalho significou, principalmente, discutir o adoecimento dos profissionais quando ele já havia acontecido. Então, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) surge para propor uma mudança importante nessa lógica. 

Em vez de olhar apenas para as consequências, a NR-1 passa a exigir que as organizações identifiquem e previnam fatores do ambiente de trabalho que possam comprometer a saúde mental de seus trabalhadores.

Essa mudança ganha ainda mais relevância quando pensamos na educação. Afinal, a saúde mental já é responsável por 53% dos afastamentos de educadores do trabalho, um dado que mostra a urgência de discutir não apenas o cuidado com os profissionais, mas também as condições em que esse trabalho acontece.

Neste artigo, você vai entender o que muda com a atualização da NR-1 e por que essa mudança representa um marco importante para a gestão escolar e para a construção de ambientes mais saudáveis para quem educa.

O que muda com a atualização da NR-1?

A NR-1 estabelece diretrizes gerais para a gestão da segurança e da saúde no trabalho. Com sua atualização, os chamados riscos psicossociais passam a integrar oficialmente esse processo de gestão.

Na prática, significa reconhecer que os fatores relacionados à organização do trabalho também podem afetar a saúde dos profissionais e, por isso, precisam ser identificados, avaliados e prevenidos.

Entre esses fatores estão situações como:

  •  sobrecarga de trabalho;
  • pressão excessiva por resultados;
  • conflitos interpessoais;
  • assédio;
  • violência;
  • demais condições que podem favorecer o adoecimento emocional.

A principal mudança, portanto, não está apenas na legislação, mas na forma de compreender a saúde mental no trabalho. Ela deixa de ser tratada exclusivamente como uma questão individual e passa a ser também uma responsabilidade institucional. Em vez de perguntar apenas “como apoiar um profissional que adoeceu?”, as escolas são convidadas a refletir: “o que, na forma como organizamos o trabalho, pode estar contribuindo para esse sofrimento?”

Ediane Ribeiro participa do Encontro com Especialista LIV para falar sobre a NR-1. Acesse!

Por que essa discussão é tão importante para as escolas?

A docência é uma profissão emocionalmente intensa.

Os professores trabalham diariamente com pessoas, vínculos, expectativas e situações imprevisíveis. Além das atividades em sala de aula, há planejamento, avaliações, reuniões, diálogo com as famílias, demandas administrativas e inúmeras decisões que exigem disponibilidade emocional constante. Soma-se a isso um cenário marcado por pressão por resultados, sobrecarga, baixo reconhecimento social e, muitas vezes, violência no ambiente escolar.

Por isso, quando um educador demonstra sinais de esgotamento, desmotivação ou sofrimento, nem sempre estamos diante de uma questão exclusivamente individual. Muitas vezes, esses sintomas também refletem a forma como o trabalho está organizado.

Essa é uma realidade que a psicóloga e escritora Ediane Ribeiro destacou durante o Cuidar de Quem Cuida, evento promovido pelo LIV para educadores parceiros:

“Nós precisamos nos cuidar para que a vida seja vivida de forma plena nos nossos amores, nas nossas amizades e no nosso lazer. Eu não quero adoecer por causa de um trabalho que eu amo fazer. Eu quero fazer o trabalho que faço com dignidade, mas com saúde.

A atualização da NR-1 conversa justamente com essa reflexão. Ela convida as instituições a olhar para além do indivíduo e a criar condições para que o trabalho possa ser realizado de maneira mais saudável.

Cuidar de quem educa também é uma estratégia pedagógica

É comum associarmos a educação socioemocional apenas aos estudantes. No entanto, ensinar empatia, autorregulação, colaboração e diálogo depende, também, das condições oferecidas aos adultos que convivem diariamente com eles.

Não é possível dissociar a qualidade das relações construídas na escola do cuidado destinado aos seus educadores.

Nesse sentido, a atualização da NR-1 reforça algo que muitas escolas já vinham percebendo na prática: promover saúde mental não significa apenas oferecer apoio quando alguém demonstra sinais de sofrimento, mas criar uma cultura organizacional que previna o adoecimento, valorize a escuta e reconheça que cuidar das pessoas faz parte da gestão.

É algo que precisa ir além de uma exigência normativa, trata-se de construir ambientes em que os profissionais possam exercer seu trabalho com dignidade, segurança e bem-estar.

Como a escola pode começar a olhar para essa questão?

A atualização da NR-1 não exige que as escolas eliminem todos os desafios do trabalho docente. Ela convida as instituições a reconhecerem que a saúde mental também é influenciada pela forma como o trabalho é organizado e pelas relações construídas no ambiente escolar.

Esse pode ser um bom ponto de partida para a gestão refletir sobre algumas questões:

  • Como estão distribuídas as demandas de trabalho da equipe?
  • Os educadores encontram espaços seguros para expressar dificuldades e pedir ajuda?
  • As lideranças estão preparadas para reconhecer sinais de sofrimento e acolher suas equipes?
  • A escola tem promovido momentos de escuta, diálogo e fortalecimento das relações entre os profissionais?

Vale lembrar que esse trabalho vai muito além de adotar algumas ações pontuais. Afinal, o verdadeiro desafio é construir uma cultura de cuidado. 

Isso significa criar ambientes em que os educadores se sintam respeitados, apoiados e reconhecidos, entendendo que o bem-estar de quem ensina também impacta a qualidade das aprendizagens e das relações vividas pelos estudantes.

Quando a saúde mental deixa de ser tratada apenas como uma responsabilidade individual e passa a fazer parte das decisões da gestão, a escola dá um passo importante para se tornar um ambiente mais saudável para toda a comunidade escolar.

Quer aprofundar essa conversa?

As mudanças trazidas pela NR-1 representam uma oportunidade para que as escolas revejam as suas práticas e fortaleçam uma cultura institucional que reconheça a saúde mental como parte da qualidade do trabalho educativo.

Para aprofundar essa discussão, o LIV promove mais uma edição do Encontro com Especialista. A psicóloga e escritora Ediane Ribeiro e a gerente pedagógica do LIV, Renata Ishida, conversarão sobre os impactos da atualização da NR-1 nas escolas, os desafios relacionados aos riscos psicossociais e caminhos possíveis para promover ambientes mais saudáveis para quem educa.

Afinal, o cuidado com a saúde mental dos educadores não é apenas uma exigência da legislação. É um compromisso com a educação que queremos construir. Para participar do encontro, acesse o link abaixo e se inscreva! 

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