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Pesquisa do MEC aponta avanços na aprendizagem e na convivência após um ano da restrição ao celular, mas revela novos desafios para as escolas

A restrição ao uso de celulares nas escolas brasileiras completou um ano cercada por resultados que começam a redesenhar o debate sobre tecnologia e aprendizagem. A primeira pesquisa nacional sobre os efeitos da Lei nº 15.100/2025, divulgada pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Inep, a Unesco e o Instituto Alana, mostra que a medida foi amplamente incorporada pelas redes de ensino e produziu impactos positivos no cotidiano escolar.

Os dados indicam que 92% das escolas já adotam as diretrizes previstas pela legislação. Mais do que reduzir o uso dos aparelhos durante as aulas, a norma parece ter favorecido mudanças na dinâmica da aprendizagem, da convivência e da participação dos estudantes. Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que novos desafios surgiram e exigem respostas que vão além da simples fiscalização do uso dos celulares.

O levantamento também desfaz uma das principais preocupações manifestadas antes da entrada em vigor da lei. A restrição ao celular não reduziu o uso pedagógico das tecnologias digitais. Pelo contrário. Segundo a pesquisa, 86% dos gestores afirmam que as atividades educacionais mediadas por tecnologia foram mantidas ou ampliadas, enquanto 51% das escolas expandiram o currículo de educação digital ao longo de 2025.

Os resultados mostram que a discussão deixou de ser apenas tecnológica. Hoje, gestores e educadores são chamados a refletir sobre convivência, saúde mental, atenção, desenvolvimento socioemocional e novas formas de organizar o cotidiano escolar. Especialistas avaliam que retirar o celular representa apenas o primeiro passo de uma transformação que exige mudanças mais profundas nas práticas pedagógicas.

Restrição ao celular melhora atenção, mas cria novos desafios

Entre os principais indicadores levantados pela pesquisa, 95% dos gestores afirmaram ter observado aumento da concentração dos estudantes durante as aulas. O mesmo percentual relatou melhora na participação das atividades propostas, enquanto outros 95% perceberam fortalecimento da socialização presencial entre crianças e adolescentes.

Os efeitos também aparecem no campo da convivência escolar. Segundo o levantamento, 88% dos gestores identificaram redução de conflitos relacionados ao ambiente digital, incluindo episódios de cyberbullying e agressões virtuais. Além disso, 86% consideram que os estudantes passaram a demonstrar menos sinais de ansiedade dentro da escola.

Embora os resultados reforcem os objetivos da legislação, a pesquisa também evidencia que o trabalho está longe de terminar. A retirada do celular tornou mais visíveis desafios que antes permaneciam escondidos pelo uso constante das telas, especialmente durante os momentos livres da rotina escolar.

É justamente essa leitura que faz a empresa de tecnologia educacional socioemocional Mind Lab ao analisar os dados divulgados pelo MEC. Para a organização, o principal desafio agora consiste em ocupar, de forma planejada, o espaço deixado pelo celular dentro da escola. Segundo a empresa, restringir os aparelhos resolve apenas parte do problema, enquanto a construção de ambientes capazes de fortalecer vínculos, autonomia e autorregulação depende de ações permanentes de educação socioemocional.

Espaços de convivência ganham protagonismo após a restrição ao celular

Um dos resultados que mais chamam a atenção no levantamento aparece justamente fora da sala de aula. Sem o celular como principal forma de entretenimento durante os intervalos, muitas escolas passaram a enfrentar novos desafios relacionados à convivência entre os estudantes. Segundo a pesquisa, 55% dos diretores relataram aumento de conflitos e agressões físicas durante o recreio. Além disso, 60% defenderam a necessidade de readequar pátios e áreas de convivência para estimular interações mais saudáveis.

Na avaliação da Mind Lab, esses dados demonstram que o celular ocupava, muitas vezes, um espaço que agora precisa ser preenchido por experiências educativas intencionais. A empresa defende que o recreio deixe de ser visto apenas como um intervalo entre as aulas e passe a integrar a estratégia pedagógica das escolas, favorecendo o desenvolvimento de competências sociais, cooperação e resolução de conflitos.

Segundo Thiago Zola, head de Produtos e Serviços da Mind Lab, a retirada das telas evidencia uma necessidade que já existia, mas permanecia pouco visível no cotidiano escolar. “O letramento tecnológico eficaz nunca dependeu da exposição livre às telas. Ele depende de intencionalidade pedagógica e de mediação estruturada dos educadores”, afirmou.

A análise da empresa aponta que atividades colaborativas, jogos analógicos, desafios coletivos e práticas corporais podem transformar os momentos livres em oportunidades de aprendizagem. Essas experiências favorecem a negociação de regras, o trabalho em equipe e a autorregulação, competências consideradas essenciais para a formação dos estudantes.

Outro ponto destacado pela pesquisa é que grande parte das ações voltadas ao bem-estar ainda ocorre de forma esporádica. Embora 83% das escolas tenham promovido campanhas de conscientização e 82% tenham criado espaços de escuta para estudantes ao longo de 2025, especialistas observam que essas iniciativas ainda não se consolidaram como práticas permanentes no currículo escolar.

Para a Mind Lab, esse cenário reforça a importância de programas estruturados de aprendizagem socioemocional. A empresa cita referências internacionais, como o CASEL (Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning), que relacionam programas contínuos à melhoria do clima escolar, da convivência e da capacidade dos estudantes de administrar o próprio uso das tecnologias.

Formação docente e participação das famílias fortalecem a mudança

A pesquisa também evidencia que a adaptação às novas regras ampliou as responsabilidades de professores e equipes gestoras. Em 62% das escolas, os celulares permanecem guardados nas mochilas dos estudantes, situação que exige acompanhamento constante para garantir o cumprimento da legislação ao longo do dia.

Os desafios aparecem em diferentes indicadores. Cerca de 39% dos gestores afirmam encontrar dificuldades para conquistar a adesão dos estudantes às novas regras. O mesmo percentual aponta limitações de infraestrutura para armazenar os aparelhos de forma segura. Outros 31% relatam aumento da sobrecarga das equipes responsáveis pela fiscalização.

Apesar desse cenário, o levantamento mostra que as estratégias baseadas apenas em punições tendem a produzir resultados limitados. As escolas que registraram processos de adaptação mais consistentes investiram em ações de diálogo e participação da comunidade escolar. Segundo a pesquisa, 63% promoveram atividades de escuta com as famílias, 61% envolveram os estudantes na construção das regras e 60% ampliaram a formação continuada dos profissionais da educação.

Na avaliação da Mind Lab, esse movimento confirma que a mudança de cultura depende da participação de todos os envolvidos no processo educativo. Para a empresa, o professor deve assumir cada vez mais o papel de mediador das aprendizagens e das relações, reduzindo a necessidade de atuar como fiscal permanente do uso dos aparelhos.

Ao completar um ano de vigência, a Lei nº 15.100/2025 parece ter respondido à principal dúvida que cercava sua implementação: restringir o celular não interrompeu o uso pedagógico da tecnologia nem comprometeu o desenvolvimento das competências digitais dos estudantes. Os resultados da pesquisa indicam, entretanto, que o desafio das escolas mudou de natureza. Mais do que controlar o uso dos aparelhos, será necessário investir em convivência, formação docente, educação socioemocional e participação das famílias para que o espaço deixado pelas telas seja ocupado por experiências capazes de fortalecer a aprendizagem e o desenvolvimento integral dos alunos.

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