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Em artigo exclusivo para o educador21, Bárbara Frasseto analisa como as lições da SXSW EDU 2026 mostram o equilíbrio entre inovação, IA e o papel humano na aprendizagem

Bárbara Frasseto*

Participar da SXSW EDU 2026 foi, acima de tudo, um exercício de reflexão sobre o que realmente sustenta a aprendizagem em tempos de inovação acelerada. Entre sessões sobre inteligência artificial, novos modelos escolares e experiências pedagógicas disruptivas, uma questão se repetiu: como inovar sem perder o essencial da educação?

A tecnologia organiza ritmo e acompanhamento, mas não substitui a interação humana. Este modelo desperta admiração pela objetividade e ambição, mas também provoca uma pergunta: o que ganhamos, e o que podemos perder, ao incorporar tão cedo lógicas inspiradas no mundo corporativo? Educar bem significa enxergar o aluno como um indivíduo em desenvolvimento, com ritmos, interesses e medos próprios.

Essa lógica também se aplica aos professores e à condução realizada em sala de aula com os alunos. Como exemplo, ao realizar o planejamento de aula ou pensar em novas dinâmicas de ensino, a inteligência artificial pode servir como ferramenta de apoio, mas sem substituir a presença e a avaliação humanas.

O papel do professor diante da inteligência artificial foi palco de destaque para conversas, sobretudo a partir das desigualdades geradas por essas ferramentas. Quem sabe perguntar melhor, organizar ideias de forma clara e estruturar comandos consegue extrair mais dessa tecnologia. No entanto, algumas funções permanecem insubstituíveis, como mediação de conflitos, decisões sensíveis e orientação dos estudantes.

Usar a tecnologia para apoiar planejamento, organização ou análise de dados é útil; delegar decisões humanas essenciais não é. O desafio da inovação neste campo é discernir o que deve ser apoiado por algoritmos e o que exige julgamento, repertório e experiência humana.

O futuro da educação

Uma das reflexões mais impactantes surgiu de um exemplo envolvendo a reorganização do cotidiano escolar. Em uma escola que optou por trabalhar com blocos maiores de aprendizagem, a mudança observada foi a diminuição da sobrecarga e a redução das distrações, permitindo mais foco no conteúdo. Mais do que preparar os estudantes para competir no mundo, a escola os prepara para transformá-lo.

Outra reflexão feita a partir dos debates do evento se voltou para modelos educacionais que desafiam práticas tradicionais. Em uma escola com blocos de tempo maiores para as disciplinas, os estudantes dedicam-se ao desenvolvimento de habilidades socioemocionais e projetos práticos, com professores atuando como mentores e guias.

É claro que essas reflexões se estendem além da escola. Organizações que inovam com consistência tratam a novidade como cultura, não como espetáculo. Inovar na educação não significa adotar cada nova tendência que surge no horizonte. Exige uma avaliação criteriosa do que gera aprendizado significativo e do que fortalece a escola como um espaço genuinamente transformador. A grande provocação da SXSW EDU 2026 é simples, mas profunda: inovar é criar caminhos que ampliem o aprendizado, mas nunca substituam o que torna a educação genuinamente transformadora.

*_Líder de inovação pedagógica da _Fundação Bradesco

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