Programa Agent.IA da UniCarioca reúne estudantes, empresas e Microsoft em demonstração de soluções para saúde, educação, justiça e finanças, além de anunciar nova iniciativa para criação de startups
O desenvolvimento de agentes de IA capazes de resolver problemas concretos já faz parte da formação de estudantes brasileiros. Essa transformação ficou evidente durante o DemoDay do programa Agent.IA, promovido pela Rede de Inovação em Saúde e Educação (Rise), na UniCarioca. O evento reuniu dez equipes multidisciplinares que apresentaram protótipos desenvolvidos ao longo de quatro meses para organizações parceiras dos setores público e privado.
As soluções nasceram de desafios reais apresentados por empresas, instituições públicas e organizações sociais. Os estudantes precisaram compreender problemas de negócio, construir agentes utilizando tecnologias da Microsoft e validar aplicações capazes de gerar ganhos de eficiência, produtividade e qualidade nos serviços prestados.
Mais do que uma competição, o encontro marcou o encerramento de uma jornada baseada em aprendizagem prática. Alunos de diferentes cursos trabalharam em equipes formadas por estudantes de diversos semestres, acompanhados por professores, mentores e especialistas do mercado. Todos os dez projetos foram publicados na plataforma da Microsoft, tornando-se acessíveis como provas de conceito para futuras evoluções.
Durante a abertura, o presidente da UniCarioca, Celso Niskier, destacou que iniciativas como essa aproximam a universidade das demandas contemporâneas do mercado. Segundo ele, a missão institucional vai além da formação técnica e passa pelo desenvolvimento de talentos capazes de gerar impacto na sociedade por meio da inovação.
O coordenador do programa, Alex Lucena, também reforçou que o principal resultado da iniciativa foi alcançado antes mesmo da escolha dos vencedores. “Os dez grupos apresentaram soluções, os dez grupos publicaram com a gente e, portanto, todos vocês, neste momento, já são vencedores”, afirmou. Lucena acrescentou que o objetivo do programa é transformar os protótipos em soluções efetivamente adotadas pelas organizações parceiras, ampliando seu impacto para além da sala de aula.
Projetos conectam agentes de IA a desafios do mundo real
Os projetos apresentados demonstraram que a inteligência artificial pode atuar como ferramenta para resolver desafios concretos em diferentes áreas. Saúde, educação, gestão pública, mercado financeiro, setor jurídico e recursos humanos estiveram entre os segmentos contemplados pelas equipes, que desenvolveram agentes capazes de automatizar processos, apoiar decisões e ampliar a eficiência das organizações.
A banca avaliadora analisou cada solução considerando cinco critérios: capacidade de resolver o problema proposto, inovação, viabilidade técnica, potencial de escalabilidade e experiência do usuário durante a demonstração. Participaram do júri profissionais com ampla atuação em inovação, tecnologia e empreendedorismo, entre eles Max Damas, Alex Pinheiro, Lucas Rolim, Tania Custodio e Marcelo Almeida, representantes do ecossistema empresarial e de inovação.
Os desafios apresentados às equipes nasceram de demandas reais de organizações parceiras. Entre as soluções desenvolvidas estiveram agentes para preparação de estudantes de Medicina para o Enamed, triagem inteligente de pacientes em hospitais, apoio à pré-análise laboratorial, automação de diagnósticos patrimoniais para escritórios de advocacia, recrutamento e seleção, educação financeira, recuperação financeira, gestão acadêmica baseada em inteligência artificial e atendimento digital para equipamentos públicos.
Os estudantes utilizaram a plataforma Microsoft Copilot Studio para desenvolver os agentes, integrando recursos de inteligência artificial, automação e bases de dados. Todos os dez projetos foram publicados na plataforma da Microsoft ao término do programa, permitindo que as soluções avancem para novas etapas de validação e aperfeiçoamento junto às organizações que apresentaram os desafios.
Durante sua participação por videoconferência, diretamente dos Estados Unidos, o ex-aluno da UniCarioca Hiram Machado, fundador da adaQuest e parceiro da Microsoft, destacou a velocidade com que a universidade estruturou a iniciativa. Segundo ele, poucas instituições conseguiram implementar um programa voltado ao desenvolvimento de agentes de inteligência artificial em tão pouco tempo.
Machado ressaltou que o maior aprendizado do programa não está apenas na tecnologia empregada, mas na capacidade desenvolvida pelos participantes para compreender problemas complexos e construir soluções viáveis. “O valor do profissional do futuro não é a tecnologia. A tecnologia continuará evoluindo. O maior valor está na capacidade de entender o problema, dividi-lo em partes e construir soluções”, afirmou.
A fala sintetizou um dos princípios que orientaram toda a formação. Em vez de limitar o aprendizado ao domínio de ferramentas, o programa buscou aproximar os estudantes da realidade das organizações, estimulando competências como análise, colaboração, pensamento crítico e desenvolvimento de soluções escaláveis. Esse modelo explica por que os agentes apresentados foram concebidos como protótipos prontos para evoluir em projetos de inovação aplicada, aproximando universidade, empresas e mercado em um mesmo ambiente de experimentação.

Agente jurídico vence competição e programa anuncia apoio a startups
Ao final das apresentações, a banca escolheu três projetos de maior destaque entre os dez protótipos desenvolvidos durante o programa. O primeiro lugar ficou com o Nexus, agente de inteligência artificial voltado à recuperação financeira da UniCarioca. Em seguida apareceram o Agente 5F, destinado ao diagnóstico jurídico patrimonial para escritórios de advocacia, e o FinWise, solução de educação financeira baseada em atendimento conversacional personalizado.
O Nexus conquistou a principal premiação da competição ao propor uma abordagem mais inteligente para a negociação de débitos estudantis. Em vez de oferecer condições padronizadas para todos os alunos inadimplentes, o agente analisa o histórico financeiro, identifica o perfil de cada estudante e apresenta propostas personalizadas de negociação. O processo ocorre por meio de uma conversa natural, integrada aos sistemas institucionais, reduzindo etapas operacionais e aumentando as possibilidades de conversão dos acordos.
Como reconhecimento pelo desempenho, a equipe vencedora recebeu uma bolsa de iniciação científica destinada ao desenvolvimento da solução apresentada. A proposta é permitir que o protótipo avance para novas fases de pesquisa e evolução tecnológica, aproximando-se das necessidades reais da instituição e ampliando seu potencial de implantação.
O Agente 5F, segundo colocado, chamou a atenção da banca pela aplicação prática no setor jurídico. Desenvolvido para escritórios especializados em planejamento patrimonial, o sistema automatiza a análise documental, identifica riscos, aponta lacunas e produz relatórios estruturados em poucos minutos. A solução reduz significativamente o tempo gasto por advogados em tarefas repetitivas e amplia a capacidade de atendimento sem comprometer a qualidade técnica das análises.
Já o FinWise apresentou uma abordagem voltada à educação financeira. O agente identifica o perfil do usuário, adapta a linguagem ao nível de conhecimento do investidor e recomenda conteúdos personalizados com base em fontes confiáveis. A proposta busca fortalecer a autonomia financeira dos usuários e incentivar decisões mais conscientes sobre planejamento, investimentos e organização das finanças pessoais.
Embora apenas um projeto tenha recebido a premiação principal, todos os participantes concluíram a jornada com reconhecimento institucional. As equipes receberam certificados equivalentes a 80 horas de atividades acadêmicas, valorizando o percurso formativo realizado ao longo dos quatro meses do programa. Para os organizadores, esse resultado reforça uma mudança importante na formação universitária, em que o desenvolvimento de soluções para problemas reais passa a ocupar espaço tão relevante quanto a aprendizagem dos conteúdos técnicos.


Rise anuncia programa para transformar projetos em startups
O encerramento do DemoDay trouxe ainda um anúncio voltado ao futuro das soluções apresentadas. Alex Lucena revelou, em primeira mão aos participantes, a criação do Programa de Ignição de Startups, iniciativa desenvolvida em parceria entre a Rise, a UniCarioca e o Sebrae para apoiar equipes interessadas em transformar seus protótipos em novos negócios.
Segundo o coordenador, a proposta nasce justamente para reduzir a distância entre a apresentação acadêmica e a chegada das soluções ao mercado. O programa oferecerá apoio às equipes que desejarem estruturar modelos de negócio, validar produtos e ampliar o potencial de inovação dos agentes desenvolvidos durante a formação.
Lucena também anunciou que, a partir de agosto, a Rise promoverá uma agenda permanente de encontros, mentorias e eventos voltados ao empreendedorismo tecnológico. A expectativa é consolidar um ambiente contínuo de inovação, aproximando estudantes, pesquisadores, empresas e investidores interessados na criação de startups de base tecnológica.
O anúncio reforçou a principal mensagem deixada pelo DemoDay. Mais do que apresentar protótipos de inteligência artificial, o programa demonstrou que universidades podem atuar como ambientes de experimentação, desenvolvimento tecnológico e geração de soluções para desafios concretos da sociedade. Ao conectar estudantes, organizações e especialistas em torno de problemas reais, a iniciativa amplia as possibilidades de formação profissional e fortalece uma cultura de inovação alinhada às transformações do mercado de trabalho.










