Na Coluna STEAM de junho, Leandro Holanda discute por que as Artes são parte essencial da abordagem STEAM, contribuindo para criatividade, representação de fenômenos e construção de conhecimento
Há alguns meses, assisti ao vídeo de uma discussão, de uma sessão de formação docente, onde se defendia que o “A” de STEAM não significava Artes, mas sim a arte de ensinar. Embora a frase soe interessante à primeira vista, ela me parece simplificar demais um debate importante, que existem diversos pesquisadores contectados a esta genealogia. As Artes não estão presentes no STEAM apenas como uma metáfora para boas práticas pedagógicas. Elas contribuem com formas próprias de criar conhecimento, projetar soluções e compreender fenômenos complexos.
Uma das contribuições mais relevantes das Artes para o STEAM aparece nos movimentos maker e no construcionismo. Inspirados pelos trabalhos de Seymour Papert, esses movimentos defendem que aprendemos profundamente quando criamos algo significativo para nós e para os outros. Nesse contexto, as Artes aparecem no design de objetos, protótipos, narrativas, experiências e soluções. Não se trata apenas de tornar um projeto mais bonito, mas de imaginar possibilidades, testar ideias e materializar pensamentos.
Um autor que faz uma discussão da qual me conectei bastante é o pesquisador Christopher Emdin, em seu livro STEM, STEAM, Make, Dream, argumenta que as Artes sempre estiveram presentes no STEM e que elas funcionam como uma âncora para conectar ciência, tecnologia e engenharia à cultura, à criatividade e às experiências humanas. Para ele, não basta construir; é preciso também sonhar, imaginar e criar futuros possíveis. As Artes ajudam justamente nesse processo de projetar aquilo que ainda não existe.
Mas existe outra contribuição das Artes que frequentemente passa despercebida. Muitas vezes, utilizamos linguagens artísticas para representar fenômenos que nossos olhos não conseguem observar diretamente. Diagramas, modelos tridimensionais, infográficos, animações, visualizações de dados e até mapas conceituais são formas de representação que nos permitem compreender sistemas complexos. Seja para visualizar uma molécula, o funcionamento de um ecossistema, uma rede social ou as relações entre diferentes atores em uma comunidade, estamos recorrendo a práticas profundamente ligadas ao design, à estética e à representação visual.
Quando penso no papel das Artes no STEAM, não penso apenas em integrar pintura, música ou teatro às disciplinas científicas. Penso nas Artes como uma forma de imaginar, projetar, representar e compreender o mundo. Elas nos ajudam tanto a criar soluções para problemas reais quanto a enxergar fenômenos que seriam invisíveis sem modelos, metáforas e representações.
Recentemente, tive a oportunidade de discutir essas ideias em um episódio de podcast sobre o livro STEAM em Sala de Aula, ao lado do educador João Epifânio Régis Lima, o qual também dividimos uma sessão de debate no Museu da Iagem e Som (MIS) em São Paulo. Nossa conversa explorou justamente como as Artes podem ampliar as possibilidades de aprendizagem, criatividade e transformação social dentro do STEAM.
O episódio está disponível no Spotify para quem quiser continuar essa reflexão.

Leandro Holanda é doutorando em Educação pela UCLA, professor assistente na universidade e cofundador da Tríade Educacional. Tem experiência em projetos educacionais no terceiro setor e na indústria, com atuação em organizações como Fundação Lemann e Microsoft.










