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O colunista Leandro Holanda apresenta reflexões do AERA 2026 e explora como identidade, comunidade e equidade estão reconfigurando as práticas em educação STEAM

Participar do AERA 2026 foi, para mim, uma experiência muito potente, porque me colocou em diálogo direto com debates que eu já vinha construindo na minha própria pesquisa. A AERA, American Educational Research Association, é uma das principais organizações internacionais de pesquisa em educação, e seu encontro anual reúne milhares de pesquisadores, professores e estudantes do mundo todo para discutir tendências, compartilhar estudos e tensionar os rumos do campo. Estar nesse espaço tornou ainda mais visível a amplitude e a diversidade de perspectivas que hoje atravessam a Educação STEAM. Em 2026 o AERA aconteceu entre os dias 8 e 12 de abril, na cidade de Los Angeles.

Ao circular pelas sessões, fui reconhecendo várias das tensões e possibilidades que discutimos no livro que publicamos, STEAM em Sala de Aula, especialmente a ideia de que o STEAM não pode ser reduzido a uma simples integração de áreas ou a uma resposta às demandas do mercado.

O que mais me marcou foi perceber como muitos trabalhos estão justamente tensionando essa visão mais instrumental do STEAM. Em vez de pensar apenas em inovação ou preparação para o “futuro do trabalho”, várias pesquisas colocavam no centro questões como identidade, pertencimento e comunidade. Isso dialoga muito com o que eu venho investigando, a ideia de que o STEAM também pode ser um espaço para sustentar quem os estudantes são, suas histórias e formas de conhecimento, e não apenas para prepará-los para algo externo.

Apresentei no AERA um recorte do meu estudo com professores de STEAM em escolas públicas da Califórnia, no qual procuro entender como esses educadores constroem práticas mais culturalmente relevantes no cotidiano. A partir de entrevistas realizadas em 2025, o que aparece com muita força é que as decisões pedagógicas desses professores estão profundamente conectadas às suas próprias trajetórias de vida, muitas vezes marcadas por experiências de exclusão ou marginalização. Essas experiências não ficam no passado, elas informam diretamente como eles pensam o ensino, buscando criar espaços onde os estudantes possam se reconhecer e participar de forma mais significativa .

Muitos trabalhos mostravam o STEAM sendo construído a partir das relações, entre professores e estudantes, entre escola e comunidade, entre diferentes formas de conhecimento. Em várias apresentações, a comunidade aparecia não só como contexto, mas como fonte legítima de saber, algo que também emergiu fortemente nos dados que venho analisando. Professores trazendo famílias para a sala de aula, conectando projetos a questões locais, reposicionando o que conta como conhecimento em STEAM.

Ao mesmo tempo, as tensões também estavam muito presentes. Questões de política educacional, como a implementação de recursos, apareciam como espaços de disputa sobre o que o STEAM pode ou deve ser. Além disso, a presença crescente da inteligência artificial atravessava muitas discussões, tanto como possibilidade quanto como desafio. Em várias sessões, se discutia o uso de IA para apoiar aprendizagem, mas também surgiam preocupações com equidade, com o papel do professor e com os limites dessas ferramentas em contextos reais .

Saí da conferência com a sensação de que há um movimento muito interessante acontecendo no campo. Por um lado, o STEAM continua sendo mobilizado como linguagem de inovação. Por outro, há um esforço cada vez mais forte, com o qual me identifico profundamente, de reimaginar o STEAM como prática situada, relacional e comprometida com justiça social. Estar no AERA foi, nesse sentido, não só apresentar meu trabalho, mas também reconhecer que essas perguntas que venho fazendo são compartilhadas por muitos outros pesquisadores e educadores.

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