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Na Coluna STEAM, Leandro Holanda analisa como projetos integrados de ciência e tecnologia podem dialogar com culturas, territórios e experiências dos estudantes

Em muitas salas de aula, projetos STEAM começam com uma pergunta simples: como podemos usar ciência, tecnologia e criatividade para resolver um problema real? Mas, em algumas escolas, a pergunta vai um pouco além. E se esses projetos também pudessem fortalecer as culturas, as línguas e as experiências das comunidades às quais os estudantes pertencem?

É nesse ponto que as pedagogias culturalmente sustentadas (do inglês, culturally sustaining pedagogies), propostas por Paris e Alim, oferecem uma lente importante para pensar a educação contemporânea. Em vez de tratar diversidade cultural apenas como algo a ser incluído na escola, essa perspectiva propõe sustentar e valorizar ativamente os conhecimentos, identidades e práticas culturais dos estudantes no processo de aprendizagem (Paris & Alim, 2017).

Quando olhamos para projetos STEAM, vemos que ciência, tecnologia e arte podem se tornar ferramentas para explorar questões sociais, ambientais e culturais que fazem parte do cotidiano das comunidades. Em um estudo de revisão sistemática que desenvolvi sobre projetos STEAM voltados para a mudança social em contextos K–12, analisei iniciativas em diferentes países que mostram como essas experiências podem ir além do ensino técnico e abrir espaço para aprendizagens conectadas à realidade dos estudantes.

Um dos estudos mais interessantes que encontrei envolve programas criados para ampliar a participação de meninas negras e latinas em áreas tecnológicas. Em iniciativas como o Digital Youth Divas, os projetos não se limitam a ensinar programação ou design digital. Educadoras trabalham lado a lado com famílias e lideranças comunitárias para criar ambientes de aprendizagem culturalmente relevantes. As estudantes exploram tecnologia enquanto discutem temas que fazem parte de suas vidas, fortalecendo tanto suas habilidades técnicas quanto sua confiança para ocupar espaços historicamente marcados por desigualdades.

Os projetos STEAM partem de desafios reais presentes nas próprias comunidades. Em algumas escolas, estudantes investigam o uso da água em suas cidades; em outras, analisam formas de preservar áreas verdes ou de melhorar os sistemas de cultivo locais. A partir dessas investigações, desenvolvem protótipos, experimentos e propostas de intervenção. Nesses projetos, a ciência deixa de ser apenas conteúdo curricular e passa a ser uma ferramenta para compreender e cuidar do território onde os estudantes vivem. Há também experiências em que tecnologia e empatia caminham juntas.

Um exemplo brasileiro, desenvolvido durante a pandemia de COVID-19, é o de estudantes que participaram de projetos em que utilizaram robótica e design para criar dispositivos que poderiam ajudar suas comunidades, como protótipos de máscaras ou equipamentos de proteção. Ao trabalhar em soluções concretas para um problema coletivo, os estudantes experimentam a ciência não apenas como conhecimento abstrato, mas também como prática social.

Essas histórias mostram que o potencial transformador da educação STEAM não está apenas nas tecnologias empregadas ou nas ferramentas digitais disponíveis. Ele emerge quando os projetos se conectam aos desafios e aos conhecimentos das comunidades. Quando isso acontece, aprender ciência também significa aprender sobre o mundo em que se vive e imaginar formas de transformá-lo.

Ao mesmo tempo, a literatura ainda evidencia uma lacuna importante. Muitos estudos sobre STEAM concentram-se em medir resultados acadêmicos ou no desenvolvimento de habilidades técnicas. Há menos pesquisas que documentem, de forma qualitativa, as experiências de professores, estudantes e comunidades nesses projetos. Observações em sala de aula, entrevistas e estudos etnográficos podem ajudar a compreender melhor como essas iniciativas se desenvolvem e quais significados produzem para quem as participa.

Pensar STEAM a partir de pedagogias culturalmente sustentadas abre novas possibilidades para o campo. Mais do que preparar estudantes para carreiras tecnológicas, essa abordagem convida a escola a construir projetos que dialoguem com culturas, territórios e experiências diversas, transformando a aprendizagem em um processo mais relevante, participativo e conectado à vida real.

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