Pedro Flexa Ribeiro analisa os impactos da indefinição sobre o Enem e os itinerários formativos no planejamento do Ensino Médio para 2027 e os próximos anos
Pedro Flexa Ribeiro*
É mais do que consenso que a escola deve oferecer aos jovens brasileiros experiências que dialoguem com seus Projetos de Vida. Esta prerrogativa está prevista na Reforma do Ensino Médio, de modo a fazer dos últimos anos da Educação Básica uma trajetória pertinente e alinhada aos interesses futuros da juventude, seja para os que almejam o ingresso no Ensino Superior, seja para quem busca Cursos Técnicos Profissionalizantes.
No entanto, passados quase dez anos desde o anúncio da Reforma, o exame do Enem segue estruturado quase exclusivamente em torno da Formação Geral Básica (FGB), cujo conteúdo é extenso, hipertrofiado e causador da elevada evasão escolar. Esse desencontro não é um mero detalhe técnico. Enquanto o Enem não avaliar os Itinerários Formativos de Aprofundamento (IFAs), que correspondem a 20% da carga horária, as escolas serão silenciosamente induzidas a concentrar seus esforços na FGB, esvaziando, assim, o sentido dos itinerários.
O aviso oficial a respeito das novas matrizes do Enem estava previsto para julho deste ano. No entanto, já estamos em agosto e ainda não está claro como se dará o concurso seletivo de acesso ao Ensino Superior de 2028. Essa indefinição tem consequências concretas. Os jovens que farão o novo exame já estão na 1ª série do Ensino Médio, e deveriam escolher os seus IFAs na virada da matrícula, para a 2ª série, mas não sabem como será a prova. A indefinição compromete o planejamento pedagógico, curricular e institucional em escala nacional.
O que favorece a permanência e o engajamento do estudante no Ensino Médio é a percepção de sentido e pertinência do currículo que lhe é proporcionado. O Enem tem um papel indutor sobre as práticas curriculares das instituições de ensino e os avaliadores deveriam estar mais alinhados com o que almeja a juventude brasileira. Cabe ao exame emitir sinalizações que endossem os propósitos da Reforma Curricular. A avaliação dos IFAs pelo Enem representa, portanto, um passo decisivo para conferir legitimidade e sustentação à Reforma já em curso.
Como previsibilidade é essencial para o planejamento de 2027 e dos próximos anos, o SinepeRio escolheu trazer este tema para a pauta do Congresso Educação na Era da Distração Digital, que será realizado nos dias 21 e 22 de agosto, no Hotel Windsor Oceânico. Os especialistas Maria Helena Castro e Eduardo Deschamps debatem o Ensino Médio no Brasil, o Enem e as formas de avaliação e ingresso ao Ensino Superior, em mesa no dia 21, às 10h. Este e outros temas relevantes da educação fazem parte da programação do Congresso. Participem.
*Diretor do Colégio Andrews, vice-presidente do Sinepe Rio e um dos palestrantes do Congresso SinepeRio 2026










