Painel na Arena Startups discute como o uso da inteligência artificial pode ampliar a aprendizagem, mas também comprometer o desenvolvimento cognitivo dos estudantes
Durante o primeiro dia da Bett Brasil 2026, o painel “O Jogo Invisível da IA”, conduzido pelo especialista em tecnologia educacional e fundador da EdLatam Alliance, Fernando Valenzuela, provocou reflexões sobre o impacto da inteligência artificial no processo educacional. A apresentação, na Arena Startups, abordou como o uso crescente dessas ferramentas pode tanto potencializar a aprendizagem quanto comprometer o desenvolvimento cognitivo dos estudantes.
O especialista explicou que a IA pode ser uma aliada poderosa na educação, desde que integrada a práticas pedagógicas que estimulem a reflexão e a autoria. Em sua opinião, as escolas não devem pensar em proibir o uso da inteligência artificial, mas sim em catalisar esse uso, criando uma estratégia de acompanhamento das ferramentas.
“Precisamos nos questionar para entender quais perguntas ainda não foram feitas. Por exemplo: quem decidirá as regras de uso dessas ferramentas? Como será medida a aprendizagem? Muitas pessoas acham que a IA vai deixar tudo mais fácil, mas, pelo contrário, agora temos uma dimensão a mais. Precisamos pensar em outros contextos, entender tudo o que pode dar errado com o mau uso dessa inteligência para, a partir disso, pensar em como fazer do jeito certo”, afirmou Fernando.
Dependência da IA desafia autonomia intelectual
Um dos pontos centrais do painel foi a dependência que os jovens vêm criando do uso da IA na busca por conhecimento. Por meio de poucos cliques, inteligências artificiais entregam respostas rápidas e automatizadas. Com isso, cresce a preocupação de que habilidades como pensamento crítico, criatividade e até mesmo a interação social sejam pouco exercitadas, enfraquecendo o que o especialista chama de inteligência individual.
Segundo Valenzuela, o risco não está apenas na substituição de tarefas, mas na forma como os alunos passam a interagir com o saber. “Onde vai ficar o conhecimento se terceirizarmos todo o pensamento para a IA? Se utilizarmos em excesso, estaremos perdendo a capacidade de gerar ideias novas. Existem pessoas que já acham mais fácil trabalhar com a IA do que com outras pessoas diretamente.”
Fernando expõe que, em algumas escolas, já é possível observar adolescentes que se comunicam mais com a IA diariamente do que com os próprios colegas ou pais, o que, em sua opinião, pode causar impactos prejudiciais à saúde mental desses jovens.
Diante desse cenário, o palestrante reforçou que o futuro da educação não depende apenas da adoção de novas ferramentas, mas da forma como elas são incorporadas ao desenvolvimento humano, destacando a importância da interação social. Para Fernando Valenzuela, as inovações tecnológicas não virão apenas de novas ferramentas, mas de novas formas de colaboração entre pessoas e organizações que pensam de maneira diferente, interagindo com as máquinas.










