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Debates do segundo dia da Bett Brasil 2026 mostram como inteligência artificial, análise de dados e personalização avançam na gestão e na aprendizagem escolar

A inteligência artificial na educação deixou de ocupar apenas o campo das tendências para se consolidar como eixo estratégico de gestão, aprendizagem e tomada de decisão nas escolas. No segundo dia da Bett Brasil 2026, debates sobre análise de dados, personalização do ensino e adoção de IA em larga escala mostraram que o desafio das instituições já não é apenas acessar tecnologia, mas compreender como utilizá-la de forma intencional, segura e conectada às necessidades humanas.

As discussões reuniram gestores, especialistas em dados, representantes de redes de ensino e empresas de tecnologia para refletir sobre o impacto da IA no cotidiano escolar. Em diferentes auditórios, os debates convergiram para uma mesma preocupação: como transformar informações, plataformas e automações em ferramentas capazes de fortalecer vínculos, apoiar professores e melhorar a experiência dos estudantes.

No Fórum de Gestores, o painel “Quando dados ajudam a cuidar: decisões para retenção e engajamento escolar” conectou inteligência de dados, acolhimento e permanência estudantil. Já na Plenária, no painel “Microsoft e o futuro da educação: múltiplas perspectivas sobre a adoção da IA”, especialistas discutiram os limites, riscos e possibilidades da inteligência artificial dentro dos sistemas educacionais.

Ao longo das apresentações, ficou evidente que o avanço tecnológico exige mais do que infraestrutura. A transformação passa por cultura institucional, formação docente e revisão das práticas pedagógicas para que a tecnologia amplie — e não substitua — as relações humanas na educação.

Inteligência artificial na educação exige decisões mais humanas

Durante o painel sobre retenção e engajamento escolar, Tayguara Velozo, gestor de Integração Tecnopedagógica do Colégio GGE e da Juntos Educação, provocou os gestores a refletirem sobre a fragmentação dos sistemas utilizados nas escolas. Segundo ele, a grande quantidade de plataformas gera excesso de informação, mas pouca capacidade de leitura estratégica dos dados.

“Todas as interações da escola estão nos dados, mas muitas vezes essas informações estão sobrepostas e desorganizadas. O primeiro desafio é integrar essas informações para transformar dados em ações concretas”, afirmou.

Ao apresentar experiências do Colégio GGE, Tayguara mostrou como indicadores de comportamento, frequência e engajamento podem gerar alertas automáticos para acompanhamento pedagógico e aproximação das famílias. Para ele, a inteligência de dados precisa servir ao cuidado individualizado dos estudantes.

“A gente não pode perder o pai, não pode perder a proximidade com o estudante e não pode perder o vínculo com as famílias. Dados precisam ajudar a cuidar das pessoas”, destacou.

A fala foi complementada por Carina Sucupira, líder em Estratégia de Dados e coordenadora de Dados e Analytics do Itaú Unibanco, que reforçou como decisões tomadas apenas pela intuição podem reproduzir vieses e invisibilizar necessidades específicas dos alunos.

“Nenhum aluno abandona a escola de repente. Existem sinais. O problema hoje não é falta de dados, mas excesso de informações que continuam sendo ignoradas nas decisões”, afirmou.

Carina defendeu que a personalização da aprendizagem depende da capacidade de interpretar padrões e agir preventivamente. Segundo ela, a tecnologia só faz sentido quando fortalece a escuta e amplia a possibilidade de acolhimento. “Os dados existem para ajudar a cuidar melhor das pessoas de forma individualizada. O maior desafio não é a tecnologia, mas a cultura de tomar decisões baseadas apenas na intuição”, disse.

IA amplia personalização, mas exige intencionalidade pedagógica

Na Plenária, durante o painel sobre o futuro da educação e a adoção da IA, Wisley João Pereira, superintendente de Educação do SESI Departamento Nacional, destacou que a tecnologia só produz impacto quando associada à intencionalidade pedagógica e ao desenvolvimento docente. “O professor continua sendo o principal agente da aprendizagem. Não faz sentido implementar tecnologia se ela não ajudar o professor a enfrentar os desafios reais da sala de aula”, afirmou.

Segundo Wisley, um dos riscos atuais é repetir ciclos anteriores de adoção tecnológica sem evidências concretas de impacto na aprendizagem. Para ele, escolas e redes precisam avaliar continuamente se as ferramentas realmente contribuem para o desenvolvimento dos estudantes. “Não podemos incorporar tecnologia apenas pelo discurso da inovação. Precisamos medir se ela melhora a aprendizagem e ajuda o professor a personalizar o ensino”, explicou.

A discussão também abordou segurança, governança e controle dos ambientes digitais. Fernando Cruz, diretor de Vendas em Educação da Microsoft Brasil, explicou como sistemas de IA vêm sendo estruturados para operar em ambientes controlados e alinhados às diretrizes pedagógicas das redes de ensino. “O que preocupa não é apenas a tecnologia, mas garantir que o estudante receba respostas adequadas à sua etapa de aprendizagem e dentro de um ambiente seguro”, afirmou.

O debate ganhou exemplos práticos com a apresentação do professor Sandro Alves, do SESI Bahia, que mostrou projetos desenvolvidos com estudantes utilizando inteligência artificial para criação de páginas web e resolução de problemas reais. Segundo ele, o impacto ocorre quando os alunos deixam de ser apenas consumidores de tecnologia para se tornarem criadores. “Quando o estudante cria, modifica e resolve problemas com tecnologia, ele deixa de ser apenas usuário e passa a desenvolver protagonismo”, destacou.

Ao final dos debates, gestores e especialistas reforçaram que a inteligência artificial na educação já faz parte da rotina das escolas, mas ainda exige amadurecimento institucional para que seu uso esteja conectado à aprendizagem, à equidade e ao fortalecimento das relações humanas dentro do ambiente escolar.

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