Encerramento reuniu reflexões sobre identidade escolar, novo perfil do estudante e intencionalidade da internacionalização
O International Education Summit 2025 terminou na sexta-feira, 5 de setembro, em São Paulo. Foram dois dias de debates que ampliaram a compreensão sobre os rumos da internacionalização da educação. O evento, que reuniu educadores, gestores e especialistas do Brasil e do exterior, destacou a formação de professores globais, o novo perfil dos estudantes e os desafios de levar as escolas para um cenário de crescente globalização.
O Summit reforçou a convicção de que a internacionalização da educação deve ser entendida como um projeto amplo, que integra currículo, avaliação, protagonismo estudantil e formação docente. Mais do que preparar para provas específicas, trata-se de construir uma escola capaz de dialogar com o mundo – sem perder de vista sua identidade local.
Como destacou Lara Crivelaro, CEO da Efígie Academy, organizadora do evento, a internacionalização precisa estar no coração das instituições. “A intencionalidade da internacionalização precisa estar na alma da escola”, disse. Foi com esse espírito que o International Education Summit 2025 concluiu sua programação, projetando os caminhos que a educação brasileira terá de trilhar nos próximos anos.
Identidade escolar no centro da internacionalização
Logo no início das mesas, a discussão sobre identidade escolar marcou o tom da jornada. Para os participantes, a internacionalização não pode ser reduzida à ideia de enviar alunos para universidades estrangeiras. Mas deve se traduzir em competências aplicáveis ao dia a dia da vida acadêmica e profissional. “A escola tem que buscar qual a sua identidade. E com sua identidade, qual sua intenção”, afirmou Carlos Maffia, da Escola Internacional de Alphaville, ao defender um projeto pedagógico mais conectado ao mundo real.
Andrea Tissenbaum reforçou essa visão. A especialista apontou os limites do modelo ainda predominante no país. “Escola hiperconteudista, sem interdisciplinaridade e sem valorização de competências, não prepara o aluno”, destacou. O consenso entre especialistas é que a internacionalização precisa estar presente no currículo de forma intencional, e não como adição pontual de atividades extracurriculares.
Com um olhar crítico, os palestrantes também lembraram que é necessário formar estudantes atentos às suas raízes. “É você colocar o aluno olhando para o mundo sem esquecer as nossas raízes, principalmente no Ensino Médio”, completou Maffia.




Identidade escolar e protagonismo estudantil em debate
A mesa sobre protagonismo estudantil reforçou que as escolas e os professores ainda concentram o poder de definir conteúdos, metodologias e formas de avaliação. Nesse contexto, ganhou destaque a necessidade de ampliar a diversidade de olhares sobre o processo de aprendizagem. “Um único instrumento de avaliação não define quem nosso estudante é”, observou Carla Cassol, do iHub.
Para Shelida Viegas, da St. Paul’s, há uma lacuna entre as escolhas pedagógicas e a realidade da sala de aula. “Na minha opinião, o pouco que consigo escolher é como eles serão avaliados. Porque o que eles vão aprender só Deus sabe, e o como, só a avaliação vai dizer”, refletiu.
Já Felipe Fonseca, da Daqui para Fora, trouxe a perspectiva internacional ao lembrar que os processos seletivos das universidades estrangeiras valorizam mais do que notas. “O processo seletivo das universidades internacionais se baseia em processos acadêmicos e em quem é o aluno”, ressaltou.
Esses debates colocaram em evidência a urgência de repensar práticas avaliativas, estimulando maior protagonismo dos estudantes. O que os prepara não apenas para o Enem, mas para um percurso acadêmico conectado ao cenário global.
Formação docente global e novo perfil do estudante
A formação de professores foi outro ponto central. Renata Condi, counselor do Colégio Rio Branco, questionou a capacidade das escolas de romper com o modelo teórico ainda dominante. “Será que a gente está pronto para mover o nosso currículo do teórico para o prático? Será que a gente está pronto para transformar a formação de professores para algo que seja mais mão na massa?”, provocou.
De acordo com ela, as instituições precisam criar um ecossistema favorável à mudança. “Precisa que a instituição construa um ecossistema que permita essa transformação”, defendeu. A educadora Lara Crivelaro, colaboradora no educador21 à frente da Coluna Educação Global, resumiu a urgência desse movimento. “A intencionalidade da internacionalização precisa estar na alma da escola”, disse.
O último painel colocou em pauta o novo perfil dos estudantes, cada vez mais globalizados em suas interações cotidianas. Jogos online, redes sociais e contato constante com diferentes culturas já fazem parte da realidade dos jovens. O que torna a fluência em outros idiomas e a consciência de questões mundiais competências indispensáveis.
Marina Dalbem, da Edify Education, lembrou que programas bilíngues têm papel relevante nesse cenário. “Cada vez mais os estudantes estão tendo acesso a um trabalho linguístico de muita qualidade através de programas bilíngues como os da Edify. E isso abre a cabeça do aluno para oportunidades internacionais no ensino superior. A questão é que grande parte das escolas ainda prepara seus alunos só para o Enem”, afirmou.










