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IA na educação e cultura pop guiam projeto que transforma o show da artista em campanha multiplataforma desenvolvida por estudantes

Você, que assiduamente acompanha informações sobre inovação e tecnologia em educação aqui no educador21, deve estar pensando qual motivo nos levaria a estampar a Shakira em uma notícia neste portal. A resposta passa por uma tendência cada vez mais presente no ensino contemporâneo: o uso de contextos reais e fenômenos culturais como ponto de partida para experiências de aprendizagem mais significativas, conectadas e aplicáveis.

A inteligência artificial na educação, as metodologias ativas e a cultura digital vêm reposicionando o papel da escola e da universidade. Nesse cenário, eventos de grande impacto social deixam de ser apenas entretenimento e passam a ser insumos pedagógicos. É justamente nessa lógica que o megashow gratuito de Shakira neste sábado, 2 de maio, nas areias de Copacabana, no Rio de Janeiro, ganha um novo significado dentro do ambiente acadêmico.

A iniciativa parte da Ânima Educação, que lançou o desafio “Shakira no Rio” para estudantes de Publicidade e Propaganda das universidades Anhembi Morumbi e IBMR. A proposta transforma o evento em um laboratório de aprendizagem, no qual os alunos desenvolvem campanhas reais a partir de um fenômeno contemporâneo, articulando estratégia, criatividade e comportamento digital.

Mais do que explorar a cultura pop, o projeto se insere em uma discussão mais ampla sobre inovação pedagógica. Ao conectar teoria e prática em tempo real, a proposta evidencia como a educação pode dialogar com o presente e preparar estudantes para desafios concretos do mercado e da sociedade.

Aprendizagem baseada em contexto ganha escala

O desafio se apoia na Aprendizagem Baseada em Contexto (ABC), metodologia que utiliza situações reais como motor do processo formativo. Em vez de partir de conceitos abstratos, o modelo convida os estudantes a investigar, analisar e propor soluções a partir de um cenário concreto e relevante.

“A aprendizagem precisa conversar com o mundo. Quando trazemos elementos culturais contemporâneos para dentro do processo formativo, ampliamos o repertório e estimulamos conexões mais profundas entre teoria, prática e comportamento”, disse Janes Fidélis Tomelin, vice-presidente acadêmico da Ânima Educação.

Segundo o executivo, a lógica do projeto inverte a ordem tradicional do ensino. “Neste tipo de projeto pedagógico, os conceitos teóricos entram como ferramentas para compreender, analisar e resolver esse contexto, e não como ponto de partida abstrato”, explicou.

Além da ABC, o desafio incorpora princípios da neuroaprendizagem, estimulando diferentes níveis cognitivos, como análise cultural, construção de estratégia, criatividade aplicada e execução prática. A proposta busca desenvolver competências que vão além do domínio técnico, incluindo pensamento crítico, interpretação de cenários e tomada de decisão.

Na prática, os estudantes trabalham em duplas para desenvolver campanhas multiplataforma completas. O projeto inclui definição de conceito criativo, planejamento estratégico, ativação cultural, engajamento de fãs e influenciadores, além da construção de uma jornada de conteúdo integrada.

Cultura pop como laboratório de mercado

Ao utilizar um evento real como ponto de partida, a iniciativa aproxima o ambiente acadêmico das dinâmicas do mercado. Para Tiago Paiva, professor e especialista curricular, essa conexão é essencial para dar sentido à aprendizagem.

“Quando usamos acontecimentos reais como ponto de partida, o estudante entende por que está aprendendo e como aplicar aquilo agora, e não apenas no futuro”, disse. Ele destaca que a cultura pop tem papel estratégico nesse processo. “A cultura pop tem uma potência enorme para acionar repertório, análise e criatividade. Neste exercício, ele participa de um laboratório real de mercado”, completou.

O projeto também estimula os alunos a dialogarem com tendências culturais e comunidades digitais, elementos centrais no cenário contemporâneo da comunicação. Ao trabalhar com fãs, criadores de conteúdo e múltiplas plataformas, os estudantes desenvolvem uma visão mais ampla sobre engajamento e comportamento.

As campanhas serão avaliadas por uma banca da Vice-Presidência Acadêmica, considerando critérios como estratégia, criatividade, integração multiplataforma e qualidade da apresentação. As duplas vencedoras serão premiadas com experiências relacionadas ao evento, incluindo hospedagem e, no caso de estudantes de São Paulo, passagens aéreas.

Ao transformar um megashow em um desafio acadêmico, a Ânima Educação reforça uma tendência que ganha força no campo educacional: a aprendizagem conectada ao mundo real. Em um cenário marcado pela inteligência artificial na educação e pela cultura digital, experiências como essa apontam para modelos formativos mais dinâmicos, relevantes e alinhados às demandas do século 21.

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