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Imersão da Efígie Academy reúne lideranças escolares para conhecer sistemas educacionais, inovação e inteligência artificial na Malásia e na China em setembro

Durante muitos anos, gestores brasileiros voltaram seus olhares para Estados Unidos, Canadá e Europa em busca de referências para inovação educacional. Nos últimos anos, esse eixo começou a mudar. Países asiáticos passaram a ocupar posição central nas discussões sobre inteligência artificial, ensino STEAM, formação docente, gestão escolar e desenvolvimento de competências para o futuro do trabalho. Além dos resultados em avaliações internacionais, a região passou a chamar atenção pela capacidade de alinhar educação, desenvolvimento econômico e planejamento de longo prazo.

É nesse contexto que será realizada, entre 19 de setembro e 2 de outubro, a Missão Educacional Malásia & China 2026, organizada pela Efígie Academy. A imersão reunirá até 25 lideranças educacionais brasileiras em uma programação que inclui participação na Bett Ásia, visitas técnicas a escolas, universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia, além de atividades voltadas à compreensão dos fatores culturais que sustentam os sistemas educacionais asiáticos.

A proposta não consiste em reproduzir modelos desenvolvidos em realidades distintas. O objetivo é observar como diferentes países estruturaram políticas públicas, incorporaram inovação ao cotidiano escolar e aproximaram educação, ciência e desenvolvimento econômico. A experiência busca ampliar o repertório de gestores diante de desafios que também fazem parte da agenda das escolas brasileiras.

Para Lara Crivelaro, doutora em Sociologia, CEO da Efígie Academy e especialista em internacionalização da educação básica, compreender outros sistemas educacionais tornou-se parte da formação das lideranças escolares. Em um cenário marcado por rápidas transformações, conhecer diferentes experiências ajuda gestores a interpretar tendências e tomar decisões com maior consistência.

A Ásia mudou o centro das referências educacionais

Durante décadas, a internacionalização da educação esteve associada principalmente a universidades e escolas da Europa e dos Estados Unidos. Nos últimos anos, entretanto, a Ásia passou a ocupar posição de destaque ao combinar investimento contínuo em formação docente, revisão curricular, integração entre educação e desenvolvimento econômico e incorporação planejada de novas tecnologias. O resultado é um conjunto de políticas que desperta interesse crescente de gestores e pesquisadores em diferentes partes do mundo.

Segundo Lara Crivelaro, que está à frente da Coluna Educação Global no educador21, esse protagonismo foi construído por meio da observação de experiências internacionais, adaptadas às prioridades nacionais. O processo envolveu investimentos permanentes na valorização docente, na revisão curricular e na articulação entre universidades, escolas e setores estratégicos da economia.

A internacionalização deixou de representar apenas mobilidade acadêmica para se tornar parte da estratégia de desenvolvimento desses países. “Observar o que países como a China vêm realizando não implica replicar modelos de forma acrítica, mas compreender estratégias, identificar caminhos e, sobretudo, ampliar repertórios”, ressaltou a CEO da Efígie.

Essa visão dialoga com análises da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Unesco, que apontam a internacionalização como elemento importante para o desenvolvimento de competências globais. Nesse contexto, experiências asiáticas passaram a ser observadas não apenas pelos resultados acadêmicos, mas pela capacidade de transformar planejamento em política pública e conectar educação às demandas de um mundo em transformação.

O que os gestores brasileiros vão encontrar na Missão Ásia

A programação foi organizada para combinar observação prática e reflexão estratégica. A primeira etapa acontece em Kuala Lumpur, na Malásia, durante a Bett Ásia 2026, um dos principais encontros de tecnologia e inovação educacional da região. Os participantes acompanharão debates sobre inteligência artificial, liderança escolar e transformação digital, além de atividades como o Leadership Summit, os Tech User Labs e sessões promovidas em parceria com o Google for Education.

Na sequência, a delegação seguirá para Xangai e Pequim, onde visitará escolas de educação básica, universidades, centros de pesquisa e organizações ligadas ao desenvolvimento de inteligência artificial e tecnologia educacional. O roteiro inclui ainda encontros voltados à compreensão das relações entre educação, ciência, inovação e desenvolvimento econômico, além de deslocamentos em trem de alta velocidade e experiências culturais mediadas pela equipe da Efígie Academy.

Lara Crivelaro destacou que o principal diferencial de uma imersão internacional está na possibilidade de observar práticas educacionais em funcionamento, compreendendo os contextos que sustentam cada experiência. “A experiência direta em outros sistemas educacionais permite aos educadores acessar práticas, metodologias e estruturas que dificilmente seriam compreendidas apenas por meio de leituras ou relatos indiretos”, disse a líder da imersão.

Ao longo da viagem, os participantes também participarão de momentos de mediação pedagógica para discutir como as experiências observadas podem dialogar com os desafios das escolas brasileiras. Segundo Lara, esse processo amplia a capacidade de análise crítica das lideranças e fortalece a construção de estratégias próprias. Para a especialista, conhecer outras realidades, dialogar com diferentes culturas e compreender como outros países enfrentam desafios semelhantes não é mais um diferencial. É parte do próprio processo de formação docente em um mundo globalizado.

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