Estande da Edify reuniu educadores brasileiros para discutir inovação, sustentabilidade e aprendizagem mão na massa na Bett UK
O quarto dia da Missão UK 2026 manteve o ritmo intenso de circulação pelos pavilhões da Bett UK. Mas também ganhou um ponto de inflexão importante no estande da Edify: a discussão sobre como inovação educacional pode caminhar junto com sustentabilidade, acesso e prática pedagógica concreta.
Convidada a dialogar com educadores brasileiros presentes no evento, a professora, autora e consultora Débora Garofalo apresentou reflexões e experiências que deslocam o debate sobre tecnologia educacional para além das telas e das soluções de alto custo.
Reconhecida internacionalmente por seu trabalho com robótica a partir de materiais reutilizáveis, Débora participou do lançamento da coleção “Robótica Sustentável”. Desenvolvida em parceria com Mauricio Gebran, a coleção tem foco no Ensino Fundamental e na democratização do acesso à tecnologia nas escolas públicas.
Ao longo da conversa, a Bett UK apareceu menos como vitrine de produtos e mais como espaço de contraste. Entre tendências globais em IA e edtechs e a urgência de propostas pedagógicas que façam sentido no chão da escola.
Robótica sustentável como prática pedagógica
A coleção Robótica Sustentável – Ensino Fundamental I foi apresentada como uma proposta estruturada para trabalhar tecnologia de forma lúdica, acessível e conectada à realidade das escolas brasileiras. O material parte de atividades práticas, investigação e colaboração, utilizando materiais recicláveis como papelão, garrafas, tampinhas e outros itens de fácil acesso.
Além de aprender conceitos técnicos, os estudantes são convidados a observar o entorno, identificar problemas reais e imaginar soluções possíveis. Dessa forma, desenvolvem pensamento crítico, criatividade e consciência ambiental desde os primeiros anos da escolarização.
A proposta valoriza o processo de aprendizagem, respeitando o ritmo das turmas e a autonomia docente. O professor pode adaptar as atividades de acordo com o contexto da escola, sem comprometer os objetivos formativos do projeto.
Outro diferencial destacado foi o envolvimento das famílias. Pais e responsáveis são incentivados a participar da coleta de materiais sustentáveis, ampliando o vínculo entre escola, comunidade e aprendizagem.
STHEAM, BNCC e protagonismo estudantil
Do ponto de vista pedagógico, a coleção está alinhada à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), à BNCC Computação e ao Currículo de Referência em Tecnologia do Cieb. Dessa forma, incorpora princípios como protagonismo do estudante, trabalho investigativo e colaboração entre pares.
A abordagem multidisciplinar conecta áreas do STHEAM — Ciências, Tecnologias, Humanidades, Engenharia, Artes e Matemática. As atividades privilegiam o “fazer” como motor da aprendizagem. Construir protótipos, testar hipóteses e errar fazem parte do percurso formativo proposto.
Segundo Débora, esse tipo de experiência permite que a robótica deixe de ser percebida como algo distante ou elitizado. A abordagem passa a integrar o cotidiano escolar como linguagem pedagógica.
Bett UK: inovação, IA e limites do discurso
Ao comentar sua experiência na Bett UK, Débora Garofalo fez uma leitura crítica do evento. Para ela, a presença crescente da inteligência artificial nas soluções educacionais é inegável, mas precisa ser acompanhada de reflexão ética e de propostas que preservem o fator humano.
“Participar da Bett UK foi enriquecedor. Destaque para como as edtechs estão integrando IA com debates sobre ética e fator humano. O Arduino chamou atenção pela união de robótica, IA e simuladores — mas senti falta de mais propostas realmente mão na massa”, afirmou.
A observação dialoga com um sentimento recorrente entre educadores da missão. O distanciamento entre soluções sofisticadas apresentadas nos estandes e a realidade de muitas escolas, especialmente no setor público.
Circulação intensa e escuta qualificada
Além da atividade no estande da Edify, o quarto dia foi marcado por mais uma jornada completa de visitas aos expositores. Também houve tempo para acompanhar as palestras distribuídas pelos auditórios do congresso da Bett UK.
Para os educadores brasileiros, o D-4 reforçou a importância de olhar criticamente para tendências globais. Os líderes que compunham a missão puderam filtrar o que pode ser traduzido em prática pedagógica consistente, inclusiva e sustentável no contexto nacional.
Mais do que acumular referências, o dia evidenciou que inovação educacional passa, necessariamente, por escolhas pedagógicas conscientes. E, muitas vezes, por soluções simples, criativas e profundamente humanas.
O educador21 viajou com a Missão UK26 a convite da Efígie Academy e com o apoio do Edify.










