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Artigo de Heloisa Avilez analisa os impactos do Novo EAD na qualidade, permanência estudantil, empregabilidade e futuro da educação superior

Heloisa Avilez*

Depois de anos em que o crescimento da Educação a Distância (EAD) foi medido, principalmente, por escala e capilaridade, o setor entrou em uma nova fase marcada pelo “Novo EAD”. Liderado pelo MEC, o movimento regulatório completou seu primeiro ano no mês de maio, trazendo a revisão dos critérios de expansão, operação e acompanhamento dos indicadores da educação a distância no Brasil. Mais do que limitar formatos, o ensino superior brasileiro está orientado em fortalecer experiências de aprendizagem consistentes, conectadas à permanência estudantil, à formação prática e à empregabilidade.

Os números ajudam a explicar o papel importantíssimo do EAD num país de dimensões continentais. Segundo o Censo da Educação Superior de 2023, o EAD já representa 66,4% dos novos ingressantes na graduação, somando mais de 4,9 milhões de matrículas. Em áreas estratégicas para o futuro do país, como as licenciaturas, esse percentual já ultrapassa 90%. A modalidade consolidou-se, definitivamente, como a principal porta de entrada para acessar a educação superior no Brasil.

Com o novo marco, vieram critérios mais rigorosos para a abertura de novos cursos, vinculando expansão à qualidade institucional. Na prática, a regulação inibe modelos focados apenas em volume e reforça a atuação de instituições comprometidas em entregar experiências de aprendizagem mais consistentes.

Essa mudança sinaliza uma nova etapa de maturidade. O debate sobre EAD deixa de girar apenas em torno do acesso e passa a também priorizar retenção, aprendizagem e resultados concretos de empregabilidade para o estudante. A longo prazo, isso abre espaço para que o setor fortaleça sua credibilidade, valorize inovação acadêmica e reposicione o EAD como um modelo capaz de combinar flexibilidade e excelência.

A urgência desse debate fica ainda mais evidente diante das transformações do mercado de trabalho brasileiro. O estudo “Lost in Transition”, da Pearson, estima perdas potenciais anuais de aproximadamente R$ 1,08 trilhão na economia brasileira relacionadas a lacunas nas trajetórias de aprendizagem e requalificação profissional. Em um cenário de mudanças aceleradas nas competências demandadas pelas empresas, o ensino superior passa a assumir um papel ainda mais estratégico na preparação contínua dos estudantes para diferentes ciclos de aprendizagem e trabalho.

Outro avanço importante foi a formalização do modelo semipresencial, que traz mais clareza sobre a experiência acadêmica proposta ao estudante, compreendendo, desde o início, que a flexibilidade do ensino digital estará associada a atividades práticas e laboratoriais fundamentais para sua formação.

Além disso, as novas diretrizes para aulas mediadas ao vivo, com limites de estudantes por tutor e exigência de capacitação contínua para docentes, fortalecem o papel fundamental (e insubstituível) do professor. A tecnologia passa a assumir um papel de amplificação da aprendizagem — e não de substituição da mediação pedagógica.

Esse novo momento do EAD também exige uma evolução das plataformas digitais de aprendizagem. Mais do que disponibilizar conteúdo, as instituições passam a buscar ecossistemas capazes de acompanhar a jornada do estudante de forma contínua e personalizada.

Soluções baseadas em inteligência artificial, aprendizagem adaptativa e microcertificações ganham relevância justamente por ajudarem a transformar ambientes virtuais em experiências mais ativas de aprendizagem. Na Pearson, temos observado esse movimento por meio de iniciativas como a Biblioteca Virtual — hoje posicionada como um hub digital de aprendizagem — e ferramentas como o Study Prep e o Track, que apoiam desde a personalização dos estudos até o desenvolvimento ágil de competências alinhadas às demandas do mercado de trabalho.

Esse movimento se conecta diretamente a outro tema que ganha cada vez mais relevância nas avaliações institucionais: a empregabilidade. As avaliações institucionais tendem a incorporar, cada vez mais, indicadores relacionados à permanência, desenvolvimento de competências e empregabilidade. Não basta mais ampliar matrículas; será necessário gerar impacto efetivo na trajetória profissional do estudante.

O primeiro ano do Novo EAD mostra que o futuro da educação superior brasileira não será definido pela oposição entre presencial e digital, mas pela capacidade das instituições de criar experiências de aprendizagem mais relevantes, flexíveis e conectadas às transformações do trabalho e da sociedade.

Temos que manter a garantia ao acesso e à democratização do ensino superior, tão importante com o crescimento do EAD. Mas sem perder de vista a garantia de que estudantes consigam aprender continuamente, desenvolver competências aplicáveis e construir trajetórias profissionais sustentáveis em um cenário de mudanças tecnológicas e sociais cada vez mais aceleradas.

*Diretora de Higher Education da Pearson

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