Na estreia da Coluna InvestEdu, Leo Gmeiner fala como foi 2025 para as edtechs e o que os investidores esperam das startups educacionais em 2026
Olá, gestoras e gestores!
Se você acompanha o mercado de edtechs — e acreditamos que deveria —, 2025 foi um ano de transição importante: o segmento cresceu de forma mais criteriosa, seletiva e, por isso, mais promissora. Vamos te contar o que aconteceu e o que isso significa para quem está na Educação. Mas, antes, deixa a gente se apresentar.
Somos três sócios na Criabiz Education: Leo Gmeiner, fundador da School Guardian, conselheiro da Bett Brasil e cofundador da Ibero-American Association of Edtech; Christian Pensa, diretor geral do grupo Criabiz, especialista em funding privado e governança corporativa para startups; e Mário Eugênio, pedagogo com 40 anos de Senai, ex-Secretário Adjunto de Educação de Jundiaí, professor da Faap e investidor-anjo em edtech. A ideia desta coluna é reunir as três perspectivas em um só lugar.
O mercado global de edtech movimentou cerca de US$ 404 bilhões em 2025, segundo a HolonIQ, com projeção de US$ 445 bilhões até 2029. Em comportamento, o que vimos foi uma mudança clara de postura dos investidores: as captações totalizaram US$ 2,6 bilhões — 10% a mais do que o ano anterior —, priorizando upskilling, redução da carga administrativa e eficiência operacional.
Segundo o HolonIQ 2025 Education Trends Snapshot, a experimentação em massa com IA está migrando para implementação real, com foco em impacto mensurável. Para quem está dentro das escolas, isso é uma excelente notícia — e foi exatamente o que eu vi na Bett UK, em janeiro deste ano (Leo Gmeiner).
O Brasil no centro do mapa
Com mais de 900 startups e quase 80% dos investimentos em edtech da América Latina concentrados aqui, o Brasil consolida sua liderança regional. Para qualquer gestor escolar, isso significa mais soluções disponíveis, em mais categorias, com experiência acumulada no contexto educacional brasileiro.
Um exemplo recente que me chamou a atenção (Christian Pensa): a Jovens Gênios, edtech de ensino adaptativo e gamificado na carteira Criabiz, captou R$ 11,8M em rodada liderada pelo fundo Govtech — com contratos junto à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
O que 2026 pede às edtechs (e às escolas)
O mercado passou a premiar quem comprova impacto, não quem “reinventa o ensino”. E aqui está a virada de chave que vejo (Mário Eugênio): em 2025, esse filtro foi aprimorado, e as edtechs que sobreviveram têm dados, histórico e clientes satisfeitos para mostrar.
Na prática: antes de adotar qualquer ferramenta, pergunte quais resultados ela comprova. Empresas que eliminam dores operacionais e entregam progressão baseada em habilidades com resultados verificáveis são as que performam melhor — tanto no mercado público quanto no privado.
IA: do hype para a sala de aula
O mercado de IA na Educação, avaliado em US$ 5,88 bilhões em 2024, pode chegar a US$ 32,27 bilhões em 2030. Mas o dado mais relevante é a mudança de mentalidade: a IA deixou de ser pauta de evento e virou ferramenta cotidiana nas escolas — da personalização do aprendizado à automação administrativa, liberando professoras e professores para o que só eles sabem fazer: ensinar com humanidade.
Onde focar em 2026
Três movimentos dominam o horizonte: consolidação, com fusões e aquisições em ritmo acelerado e menos empresas fazendo mais com mais qualidade; foco em resultados, com engajamento, retenção e melhora de desempenho como métricas centrais, para investidores e escolas; e educação profissional e corporativa ganhando mais espaço, pelo ROI mensurável e pela ligação direta com as necessidades dos empregadores.
O Brasil está muito bem posicionado para surfar esse movimento, desde que gestores e edtechs sigam trabalhando juntos, com honestidade sobre problemas reais e disposição genuína de mudar e medir o que importa.
Fontes:
- HolonIQ — Global Education Market
- Tracxn — EdTech Market & Investments 2025
- Distrito — EdTech Report 2025
- Exbo Group — Q3 2025 EdTech Market Report
- EdTech em 2026

Empreendedor há mais de 20 anos, fundou quatro empresas — entre elas a School Guardian, startup de educação presente em 12 países além do Brasil. É jornalista, gestor de TI e possui MBA em Negócios Digitais. Atua como professor de Empreendedorismo e Inovação no MBA da Fiap, onde também coordena a Rock New Ventures. É diretor do Founder Institute Brasil, analista do Shark Tank Brasil e conselheiro da Bett Brasil e do Instituto Sesi Senai de Tecnologias Educacionais. É ainda cofundador da Ibero-American Association of Edtechs (IAAE).










