Na Bett 2026, Crescer apresenta metodologia que apoia redes de ensino na implementação da BNCC Computação com formação docente e integração curricular
A implementação da BNCC Computação entrou definitivamente na agenda das escolas brasileiras em 2026. Após deixar de ser apenas uma diretriz complementar, o documento passou a integrar de forma obrigatória os currículos da educação básica em todo o país, ampliando a pressão sobre redes de ensino, gestores e professores que ainda buscam caminhos para colocar essas competências em prática no cotidiano escolar.
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O tema ganhou espaço na Bett Brasil 2026, maior evento de educação da América Latina, onde o Crescer — laboratório de criação e implementação de práticas educacionais transformadoras — apresenta uma metodologia voltada justamente para apoiar escolas nesse processo. Até 8 de maio, no estande da organização, gestores poderão conhecer estratégias que combinam currículo, formação docente, cultura digital e protagonismo estudantil.
O debate acontece em um momento em que muitas instituições ainda enfrentam dificuldades para transformar o discurso sobre inovação em prática pedagógica consistente. Embora escolas tenham ampliado investimentos em tecnologia nos últimos anos, especialistas apontam que a incorporação efetiva da computação ao currículo segue desigual e fragmentada.
Na avaliação de Luciana Allan, uma das participantes da construção da política da BNCC Computação, o principal desafio está na distância entre iniciativas pontuais e a integração pedagógica contínua. Segundo ela, muitas escolas avançaram em acesso tecnológico, mas ainda não conseguiram consolidar aplicações permanentes em sala de aula.
BNCC Computação exige integração curricular contínua
A BNCC Computação estabelece diretrizes para que escolas desenvolvam competências ligadas ao pensamento computacional, cultura digital e tecnologia de forma transversal ao currículo. A proposta vai além do ensino instrumental de ferramentas digitais e busca preparar estudantes para compreender criticamente o funcionamento do mundo digital.
Segundo o Crescer, parte das dificuldades enfrentadas pelas escolas está relacionada à ausência de planejamento estruturado para implementar essas competências. Isso inclui desde a adaptação curricular até a insegurança de professores diante das novas exigências pedagógicas.
“Pesquisas e nossa experiência no chão da escola mostram que, embora a maioria das escolas brasileiras já tenha realizado ações de formação em tecnologia, esse movimento ainda não se traduz, de forma consistente, na prática pedagógica”, afirmou Luciana Allan.
Na Bett Brasil, a organização apresenta um modelo de implementação que começa pelo diagnóstico da maturidade digital da escola, passa pela adequação curricular e inclui formação prática para professores. A proposta também envolve estudantes como tutores digitais, fortalecendo o protagonismo juvenil e apoiando a consolidação da cultura digital dentro das instituições.
A metodologia busca responder a um dos principais gargalos identificados pelas escolas: a dificuldade de manter continuidade nas iniciativas tecnológicas sem depender apenas de projetos isolados ou ações temporárias.
Escolas buscam caminhos práticos para aplicar computação
A obrigatoriedade da BNCC Computação ampliou a necessidade de soluções que ajudem escolas a transformar diretrizes em práticas pedagógicas sustentáveis. Para gestores, o desafio envolve não apenas infraestrutura tecnológica, mas também reorganização curricular, formação contínua e alinhamento institucional.
Na Bett 2026, o Crescer também promove uma pesquisa sobre inteligência artificial na educação. Os resultados serão utilizados em um artigo sobre o tema. Participantes que contribuírem com o levantamento receberão um exemplar do livro Educar para Transformar: Princípios educacionais do Crescer.
O movimento reforça uma percepção crescente entre especialistas: a discussão sobre tecnologia educacional deixou de se concentrar apenas em ferramentas digitais e passou a exigir reflexão mais ampla sobre currículo, formação e desenvolvimento de competências para o século 21.
Nesse contexto, a implementação da BNCC Computação tende a ocupar espaço cada vez mais estratégico nas decisões pedagógicas das escolas brasileiras, especialmente diante da expansão da inteligência artificial e da crescente demanda por letramento digital crítico.










