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Uso de plataformas de ensino chega a 77% e orienta discussões da ABRASPE sobre integração digital nas escolas particulares

O avanço das plataformas de ensino nas escolas particulares brasileiras deixou de ser tendência para se consolidar como eixo estruturante da educação contemporânea. Impulsionadas pela pandemia, essas soluções digitais passaram a ocupar papel central na organização pedagógica das instituições. Em um cenário marcado pela necessidade de integrar ensino presencial e recursos digitais, o uso de plataformas de ensino se torna um dos principais temas em debate na Bett Brasil 2026.

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É nesse contexto que a Associação Brasileira de Sistemas de Ensino e Plataformas Educacionais (Abraspe) traz para o evento um levantamento inédito que aponta a adoção dessas plataformas por 77% das escolas particulares em 2025, um crescimento significativo em relação aos 54% registrados em 2020. O dado funciona como ponto de partida para as discussões propostas pela entidade durante a feira, ao evidenciar a consolidação dessas ferramentas no cotidiano escolar. A pesquisa foi realizada em parceria com a H2R Insights & Trends e ouviu mais de 1.500 pessoas em todo o país.

Entre os aspectos mais valorizados pelas escolas, destaca-se o papel das plataformas na comunicação entre professores e alunos, citado por 52% dos respondentes. A disponibilidade de informações acessíveis para a comunidade escolar aparece com 29%, enquanto a aplicação de atividades fora da sala de aula representa 19%. Esses dados orientam o debate que a Abraspe propõe na Bett, centrado na capacidade das plataformas de ampliar interação, acompanhamento e continuidade da aprendizagem.

“As plataformas de ensino são ambientes estruturados que integram conteúdo, ferramentas pedagógicas e acompanhamento em um único ecossistema”, afirmou Tiago Bossi, presidente da Abraspe. Segundo o executivo, o desafio atual não está mais na adoção da tecnologia, mas na sua integração qualificada ao projeto pedagógico das escolas. A discussão, portanto, desloca o foco da presença digital para a efetividade do uso.

Plataformas de ensino ampliam integração entre digital e presencial

O crescimento das plataformas de ensino ocorre em paralelo à expansão do uso de materiais didáticos digitais, que também avançaram de forma significativa no período pós-pandemia. Segundo o levantamento, a adoção desses recursos passou de 55% em 2020 para 83% em 2025. Ainda assim, o material físico permanece predominante, especialmente no ensino médio, indicando que o modelo híbrido se consolida como padrão nas escolas particulares.

A pesquisa mostra que, mesmo com o avanço tecnológico, a qualidade do ensino continua sendo o principal critério de escolha das famílias, apontado por 55% dos pais. Valores éticos e formação humana aparecem na sequência, com 25%, seguidos pela localização da escola, com 20%. O dado reforça que a tecnologia se insere como meio, mas não substitui os fundamentos pedagógicos na percepção das famílias.

No campo das metodologias, o ensino tradicional ainda predomina, segundo 58% dos pais entrevistados, enquanto abordagens como construtivista, sociointeracionista, montessoriana e waldorf aparecem com menor participação. Esse cenário indica que a transformação digital não ocorre de forma uniforme e convive com práticas pedagógicas consolidadas, o que amplia a complexidade da gestão escolar.

Ao mesmo tempo, o investimento em formação docente se destaca como elemento central para a consolidação desse modelo. Cerca de 86% das escolas investem em desenvolvimento profissional contínuo, com 32% do orçamento destinado ao aperfeiçoamento de professores. Esse movimento reforça uma das principais mensagens trazidas pela Avraspe à Bett: a integração das plataformas de ensino depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade das escolas de incorporá-la de forma pedagógica, consistente e alinhada às necessidades da aprendizagem.

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