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Debates destacam saúde social, protagonismo estudantil e o papel das relações humanas em um cenário de transformação acelerada da educação

Enquanto a inteligência artificial ocupa cada vez mais espaço nas discussões sobre o futuro da educação, especialistas reunidos no segundo dia do Arco Day 2026 defenderam que a principal transformação em curso não é tecnológica. O consenso entre os palestrantes foi que a escola do futuro dependerá da capacidade de fortalecer relações humanas, desenvolver autonomia e criar ambientes de aprendizagem capazes de gerar pertencimento, escuta e engajamento.

Realizado em São Paulo, o evento reuniu gestores escolares de diferentes regiões do país para discutir os desafios que emergem em um contexto marcado por mudanças sociais, avanços tecnológicos e novas demandas das famílias. Ao longo da programação de dois dias, temas como saúde social, cultura de estudo, educação midiática, protagonismo estudantil e desenvolvimento socioemocional apareceram de forma recorrente nas reflexões apresentadas ao público.

A discussão partiu do reconhecimento de que a tecnologia já faz parte da realidade das escolas e da vida dos estudantes. Mais do que decidir se determinadas ferramentas devem ou não estar presentes no ambiente educacional, o desafio passa a ser compreender como utilizá-las de forma intencional, conectada aos objetivos pedagógicos e ao desenvolvimento integral dos alunos.

O tema das relações humanas também esteve presente na participação do pediatra e pesquisador Michael Rich. Ao abordar a convivência de crianças e adolescentes com ambientes digitais, Rich defendeu que escolas e famílias devem ampliar espaços de diálogo e participação. “Devemos reconhecer e reforçar a autonomia e a responsabilidade dos jovens em relação à sua comunidade digital. Precisamos aprender a uvir e envolver os jovens, em vez de apenas protegê-los”, foi a orientação apresentada pelo especialista.

As discussões no Arco Day mostraram que, embora a inteligência artificial continue ocupando espaço central nas agendas educacionais, os desafios mais relevantes para as escolas permanecem essencialmente humanos. Fortalecer vínculos, ampliar a escuta, desenvolver autonomia e criar comunidades de aprendizagem engajadas surgiram como condições fundamentais para que a inovação produza resultados concretos na formação dos estudantes.

Conexões humanas na educação fortalecem a aprendizagem

Um dos principais momentos da programação reuniu a educadora Débora Garofalo e o diretor executivo pedagógico da Arco Educação, Idelfrânio Araújo. Os palestrantes discutiram desafios da aprendizagem em um contexto de rápidas transformações sociais e tecnológicas. Reconhecida internacionalmente por projetos que unem tecnologia, sustentabilidade e protagonismo estudantil, Débora defendeu que o debate educacional precisa avançar para além do acesso às ferramentas digitais.

“Tecnologia em sala de aula sem formação é ilusão”, afirmou. Para ela, o desenvolvimento do pensamento crítico e da educação midiática tornou-se indispensável para formar estudantes capazes de interpretar informações e atuar com autonomia em ambientes digitais.

Ao compartilhar a história de um ex-aluno que encontrou na robótica um caminho para se reconectar com a aprendizagem, a educadora destacou que o engajamento nasce quando a escola consegue atribuir significado ao conhecimento. Segundo Débora, metodologias ativas e experiências práticas ajudam a transformar estudantes em protagonistas do próprio percurso formativo.

Durante a conversa, Idelfrânio reforçou que as mudanças mais relevantes não dependem de rupturas radicais. “A gente não precisa destruir a escola que tem para construir uma nova”, afirmou. Para o executivo, a inovação educacional acontece quando gestores criam condições para que professores experimentem novas práticas e compartilhem resultados com a comunidade escolar.

Ao encerrar o painel, Araújo defendeu que a construção de soluções para os desafios contemporâneos da educação depende da participação coletiva. “Se estamos vivendo um momento complexo, não é a escola que vai resolver sozinha. Tem que ser todo mundo junto”, afirmou, reforçando a importância da colaboração entre escolas, famílias e estudantes.

Fundamentos da educação seguem essenciais na era da IA

A discussão sobre o futuro da aprendizagem também esteve presente na participação de Ari de Sá Neto e do vice-presidente de Sucesso do Cliente da Arco, Rafael Martins. Ao refletir sobre os impactos das transformações tecnológicas, Ari defendeu que algumas competências permanecem indispensáveis independentemente das ferramentas disponíveis.

Segundo Ari, o crescimento da ansiedade entre jovens e as demandas crescentes das famílias por formação integral exigem atenção especial das escolas. O executivo também chamou atenção para os impactos das redes sociais na infância e na adolescência e avaliou positivamente as iniciativas que restringem o uso de celulares durante o período escolar.

Ao abordar os avanços da inteligência artificial, Ari argumentou que leitura, matemática, disciplina, autonomia e habilidades socioemocionais continuam sendo os pilares da aprendizagem. “A leitura traz a nossa capacidade de interpretar, de se comunicar e de ver o mundo sob outras lentes”, afirmou. Para ele, a IA não elimina a necessidade do raciocínio lógico nem substitui os fundamentos que sustentam o desenvolvimento dos estudantes.

O executivo também destacou a importância da coragem para que escolas e organizações educacionais consigam enfrentar as transformações em curso. “A gente pode reagir ao futuro ou pode construir o futuro”, afirmou, defendendo uma postura ativa diante das mudanças que já impactam a educação.

Na sequência, Rafael Martins apresentou iniciativas voltadas ao fortalecimento da parceria entre a Arco e as escolas. O executivo explicou a reorganização dos modelos de atendimento e consultoria da empresa, com foco em ampliar o suporte pedagógico e de gestão oferecido às instituições. Segundo Martins, o objetivo é liberar tempo para que gestores e educadores possam concentrar esforços naquilo que considera essencial: a aprendizagem e o desenvolvimento humano dos estudantes.

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